segunda-feira, 11 de julho de 2011

II - "rEeNCarNAÇãO - pRImEiRA paRte"

"Hoje, meus amigos e eu visitamos o Museu de Arte Sacra aqui em Embu das Artes.
No pátio, onde parecia haver um túmulo, senti uma sensação estranha, como se alguma
coisa atravessase o meu corpo. Achei que era besteira e viemos embora. Quando tentei
 dormir, no fechar e abrir de olhos, me vi numa selva, à noite, sozinho. Derepente, surgiu
à minha frente uma criatura com uma tocha e uma lança nas mãos. Do outro lado, uma
serpente medonha espreitava dar o bote. Que loucura!! O que eu faço agora?!!"
A serpente e a criatura se encaravam, sussurando uma linguagem que Fafito não podia entender. Derepente, num reflexo, ele se joga no chão no instante em que a serpente atacou a criatura, mordendo o seu braço. A tocha caiu, incendiando os arredores, formando um círculo de fogo.
O garoto permaneceu jogado no chão, perplexo, sem acreditar na cena que via.
A criatura, que com o clarear das chamas, agora podia se notar que era um homem,
conseguiu se liberar da serpente e empenhou a lança para atacar. Mas a serpente investiu
novemente, contornando o corpo do homem, o retorcendo.
"Mas que porcaria é essa?" dizia Fá tentando se levantar, mas naquele instante, sentiu
todo o seu corpo paralizado, e como se todos os ossos do seu corpo estivessem sendo
quebrados.
"Aaaaaaaaaaah!!' "Aaaaaaaaaah!!" "O que é isso? Meu Deus!!!" "Aaaahh!!"
Mesmo com toda a dor, ofegante e desesperado, Fafito olhou para a cena da luta e
pensou consigo mesmo: "A dor... que estou sentindo... é a mesma daquele homem."
"Mas..." (quando a serpente envolveu o homem, ela não percebeu que a lança a perfurou,
e quanto mais ela o apertava, mais a lâmina atravessava seu corpo)
"...ela não se importa. Ela quer levar os dois a morte, ahh!!"
A serpente usou toda a sua força e destruiu os ossos do homem, ao mesmo tempo que Fá
sentia toda aquela dor
(Crack! creck! Cre-eck!!)
O homem e a serpente cairam, agonizando. Fafito ficou largado ao chão, perplexo.
Estava tudo acabo.
O silêncio da mata, antes dominado por gritos de agonia, agora era apenas quebrado
pelo chiado do fogo consumindo a folhagem, ao clariar da lua.
Foi então que pode se ouvir alguém se aproximando, pelo barulho de galhos quebrados
com o pisar dos passos.
Fafito não podia se mover, mas seus olhos trêmulos observavam a silhueta de um homem,
de bata e chapéu, que parou diante de si.
"Tsc, tsc... pois é garoto, também odeio esta parte." e o levantando do chão, passou a
carrega-lo nos ombros.
Depois de uma trilha, o garoto avistou uma construção familiar.
Dentro do prédio, Fá foi posto numa cama. O ambiente rústico lembrava a época da escravatura
no Brasil.
"Você deve estar exausto..." disse rindo o homem, enquanto dava goles em aguardente.
"Exauto e cheio de pergutas, He... quer um gole?"
"Q-quem... q-quem é você?"
"Eu? Bom, você pode me chamar de Padre" e sorriu, sentando na cama.
"Sei... é... (falando com dificuldade) Devo pedir a benção... ou... veio fazer, ai(gemido)
a extrema unção?"
"Ha! Ha! Ha! Já vi que vou gostar de você Fagner, digo Fafito não é? É assim que você
gosta de ser chamado?"
Fafito tenta se sentar na cama, enquanto fala:
"Ta bom... Padre. E como sabe o meu nome? Que diabos está acontecendo?"
"Ei, ei, ei!! Não diga 'diabo', o senhor está em uma igreja"
"Igreja?" diz Fa, desviando o olhar, e continua: "Claro... sabia que já tinha visto este lugar...
...é o Museu de Arte Sacra."
O Padre dá mais uma golada na água e prossegue:
"Aqui ainda não é Museu Fafito... Mas qual a diferença?"
"O que você quer dizer" pensou Fá.
"Bem, eu já fiz isso tantas vezes mas, é sempre difícil explicar... (suspira)
Mas vamos lá:"

CONTINUA...

Um comentário: