sábado, 23 de julho de 2011

VIII - "NiGUéM vAi mORrER aQui!!"

Os guerreiros saíram correndo em direção ao ogro.
A certa distância, três deles lançaram flechas, elas o atingiram no ombro esquerdo, no pescoço e na parte direita do tórax, mas o monstro não diminuiu a velocidade.
Apenas retirou a flecha do pescoço e a moeu com uma das mãos, a mesma que usou para golpear o grupo quando se aproximou.
Os índios dispersaram, mas um deles foi atingido no peito e lançado com violência vários metros de distância, floresta à dentro.
Fafito corria pela lateral e fez esforço tremendo para levantar a espada em sua direção.
Mas ela era muito pesada e por isso não iria atingir a criatura além da perna esquerda.
Nem  teve tempo, o monstro percebeu sua investida, desviou com facilidade, girando, e assim que o garoto passou em falso, recebeu um chute nas costas e saiu girando no ar, quebrando as portas da igreja e só parando ao se chocar com o crucifíxo na parede do altar.
Ali caiu no chão, sufocando em dor, com a pueria no ar, sem conseguir se mexer. Devia ter quebrado vários ossos após aquele ataque.
Lá fora a batalha continuava. Os outros dois índios, um por cada lado, laçaram o monstro que ficou imobilizado com os braços junto ao corpo. A guerreira veio pro trás e acertou-lhe o cajado acima da panturilha, fazendo sua perna dobrar e o joelho tocar o chão.
Mas o ogro furioso, fez força e se libertou dos laços, pegou cada cipó com as mãos e arremessou os índios que a seguravam em direção opostas, fazendo-os se chocarem ao chão. Virou-se com furor e deparou-se com a guerreira índia, segurando seu cajado.
Ela dava leves passos para trás, com respiração ofegante, encarando seu inimigo, aquela criatura horrenda, que babava e exibia um olhar de puro ódio.
Na igreja, o padre caminhava em direção a Fafito. Levantou a mesa que havia tombado por cima do garoto e o encontrou arquejante, com um corte no rosto sujo de sangue e terra.
"P-porquê?... Porquê me fez buscar essa... essa armadura idiota que não serve pra nada!!!" bravejou com dificuldade Fafito.
"Por que ela ainda não está pronta."
"Han.. pronta?"
"A armadura guarda o espírito do velho guerreiro, ela precisa ser abençoada para que quando o espírito desperte, ele esteja do nosso lado. Quando isso acontecer, você terá uma incrível força, agilidade, técnicas de luta que nunca imaginou ter. Porém, somente enquanto a vestir. Agora, se o espírito despertar antes da benção, ele agregará vontades próprias e será difícil de domá-lo. Em outras palavras, poderá tender para o bem... ou para o mal."
Fafito se levantou com grande esforço. Tinha a postura meio curva, devido ao peso do de ouro que vestia, e com os braços estendidos para baixo, também por causa dos acessórios de prata, o escudo no braço esquerdo e a espada no direito, os quais ele não conseguia levantar. Respirava fundo e tinha o pensamento distante quando Abaruna lhe falou:
"Eu disse para você não lutar ainda. Agora vamos embora."
"Não!"
"O que disse?"
"Você quer que nós dois nos viremos e simplesmente irmos embora deixando tudo aqui do jeito que está?" sussurou Fá de cabisbaixo. E derepente levantou o olhar e gritou:
"Que tipo de herói você pensa que eu sou?!
EU NÃO VOU DEIXAR AQUELAS PESSOAS MORREREM!!!"
O padre olhou com indignação e pensou consigo: "Mas que moleque idiota! Se for lá fora vai acabar morrendo. Entretanto... se ele continuar se irritando tanto, vai acabar despertanto o espírito. É melhor deixar ele fazer o que quizer. Não poderá fazer muito, afinal."
"Tudo bem... vai enfrente, herói... Boa sorte."
Fafito se acalmou, mas fechou a cara e encarou bem o sorriso sarcástico de Abaruna, enquanto passava por ele, em direção a saída. Seguiu deixando um arranhão no chão de madeira, causado pela ponta da espada que ele arrastava.
Quando saiu, voltou a se enfurecer à cena que via: O ogro pisava na cabeça de um dos índios guerreiros e gargalhava de exaltação. Os olhos do índio, já morto, olhavam para os de Fafito. Fá então, frisou o olhar, rangeu os dentes e saiu correndo em sua direção.
O monstro o observou e disse com a voz tenebrosa.
"Você denovo fedelho? Você é uma piada, mal pode segurar sua espada! Ha! Ha! Ha!"
"Agora você vai ver seu desgraçado!!!" disse Fá ao correr, mas a única coisa que conseguiu fazer foi levantar centímetros o escudo, e se virar de lado, no instante em que o monstro lhe atingiu com um soco e ele saiu arrastando a face na terra por diversos metros adiante.
O vento soprava a terra por cima de seu corpo. Tentou levantar o rosto do chão. Estava todo rasgado e em carne viva, e ele pensava:
"Caraca... se não fosse o escudo, estaria morto. Maldição!! Não é possível que... eu não possa fazer nada?!!"
E subtamente, a india guerreira tentava atacar o ogro. Enquanto Fá estava na igreja, a luta havia continuado e ela ja estava bastante ferida. Naquele momento, o monstro a desarmou e a segurou pelo pescoço, erguendo-a a metros do chão. Ela chorava, ao mesmo tempo que tentava se libertar, e gritava de dor.
"A... garota..."
Fafito sentiu um pulsar da espada. Logo do escudo, e por ultimo do gibão. A mesma sensação que sentiu quando se aproximou do crucifixo no pátio do museu da Arte Sacra.
Furioso, ele se levantou com dificuldade... então parou e observou.
"Está leve? A espada... o escudo e até a roupa, estão todos leves. Parece que não carrego peso nenhum!!" disse surpreso. Então focou seu alvo e continuou: "Você vai me pagar!!"
O ogro sorria com seus dentes empodrecidos no instante em que algo lhe atingiu como um raio!! A garota veio ao chão, se retorcendo, tentando se libertar e o ogro permaneceu perplexo, com os olhos arregalados.
Logo então a garota consegui se livrar dos dedos que lhe sulfocavam a garganta e se afastou, rastejando. Olhando absmada... o braço do monstro que tinha sido amputado de seu corpo. O ogro começou a berrar de dor e a jorrar sangue preto como tinta por todo lado. Fafito havia lançado a espada de longe, decepado o braço do ogro e vinha caminhando triunfante em sua direção.
"Moleque maldito!! Dessa vez vou te mandar para o inferno!!"
O  monstro ia correndo ao seu encontro. Fafito então tirou o escudo do braço, deu uma giratória e o lançou.  DEREPENTE!! (FLAP!!) O monstro parou... com os olhos abertos... surpreendido, incrédulo. Desabou com metade do escudo cravado em seu abdomen.
Fá chegou próximo ao cadáver, pisou em seu pé e segurou o escudo, puxando-o.
Mas o escudo estava tão encravado que, ao puxar, Fafito levantou o ogro também, uma vez que o escudo não saiu.
"Nossa!.. Da onde veio essa força? Como eu consigo levantar um monstro desses sem esforço algum?" pensou ele surpreso.
Mas então, a criatura que antes fora uma mulher e o cavaleiro obscuro vieram correndo atáca-los.
O que estava montado no cavalo logo se aproximou e preparava atacar com uma espada.
Fafito tentava a todo custo liberar o escudo de dentro das entranhas do ogro, com mais aflição a medida que o cavaleiro se aproximava, apenas se encolheu e o cavaleiro passou por ele... decepando a cabeça do ogro.
Fá olhou para o homem. "Ele errou..." pensava. Então puxou com toda a força e conseguiu tirar o escudo. Voltou a pô-lo no braço. Mas percebendo que a garota corria perigo, correu para socorre-lá.
A aberração abriu a imensa mandíbula e lançou uma labareda de fogo!!
Fafito saltou e com o escudo protegeu a si e a índia que estava jogada no chão.
"Você está bem?!" gritou com ela enquanto o ataque não cesava.
"Não!! A gente vai morrer aqui!!"
"Não vamos não!!! Ninguém vai morrer aqui!! Você consegue andar?"
Ela balanço a cabeça demonstrando que sim.
"Ahhhh!!" gemeu ele de dor, pois o fogo esquentou todo o escudo de prata e este queimava sua carne.
A besta parou para tomar fôlego. Fá segurou a garota pelo braço e disse:
"Vem!! Vamos para igreja!!"
Mas quando corriam, tropeçaram.
A criatura, meio mulher, meio aranha, veio rastejando com seus oito membros e abriu sua babenta boca. Pelo outro lado, o cavaleiro vinha se aproximando com a espada empunhada pronto para atacar.
Deitados no chão, Fá deitou-se em cima da india com o escudo no braço esquerdo para os proteger, virou o rosto e fechou os olhos com medo.
A criatura lançou o fogo!! O caveleiro lançou a espada!!
"Vamos morrer..."

CONTINUA...

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