"Sério? Quando?" Chu, Fábio o nome real.
"Ah... tem uns cinco anos."
Chu fica com cara de tacho e diz, rangendo os dentes: "E por que está falando então?"
"Ué? Estamos no Museu não é?"
"Toma pra aprender, quem mandou vir fazer esses passeios de nerd?" Osilane, apelido Zi.
"Bom, é que a idéia foi da patroa e..." Wa é interrompido por sua esposa, Adriana, que diz: "Gente, cadê o Fá?"
No pátio do complexo que abriga o Museu de Arte Sacra, a Igreja do Rosário e os antigos dormitorios dos jesuítas desde 1690, Fagner (Fafito) é interrompido por um senhor: "Está perdido meu jovem?"
"Han... não, (risos) só estava dando uma olhada... (uma pausa e olha para um cruz fincada junto a parede do pátio, em meio ao céu aberto) ...É verdade que há corpos dos jesuítas enterrados nesse terreno?"
"Por que quer saber?"
"É que... dizem que em determinada hora da noite, os jesuítas abandonam os seus sepulcros e, com seus longos hábitos negros, seguem em fúnebre e terrível procissão e descendo a ladeira de Embu. Em torno do lago suas vozes elevando-se à solidão da noite, ouvindo-se mesmo o desafiar das camândulas dos Rosários. Em seguida, sempre em procissão, caminham para o cemitério, onde permanecem horas seguidas em confabulação com os mortos. Ao desmaiar da noite, o cortejo de espectros volta à Igreja. Por isso, quando a luz apaga-se no Embu, os moradores dizem que a procissão vai sair, pois ela é feita às escuras. Li isso no Acervo da Secretaria de Cultura do Município de Embu."
O velho, com cara de poucos amigos, permanece olhando de cima para baixo, mesmo Fafito sendo mais alto que ele, por que na verdade aquele olhar era de indiginação.
"Leu no Acervo... sei, e toda essa história é só para saber se é verdade que há um tesouro escondido no fundo do lago, não é?"
"Eu acho que eu não entendi." Mas Fafito já havia entendido muito bem.
"Muleques como você aparecem aqui todos os dias, foi assim que roubaram as coroas de valor incalculálel!!"
"Olha, (risos irônicos) o Senhor me desculpe, mas está insunuando que..."
Nesse momento, os amigos de Fa chegavam ao pátio, discutindo:
"Você só estava procurando o Fa por que ele é o único que curte esses seus passeios nerd´s!" falou Zi.
"Isso não é verdade" Diz Senhor Anderson, também conhecido como Derson.
"Ah, voceis querem calar essa boca!!" E todos ficam quietos como o grito de Adriana, param e olham pro Fa. Que olha pra eles por alguns segundos. O velho passa por ele, e fala: "Faça um favor... vá embora do meu Museu." E sai por entre o grupo de amigos, que começa a algazarra novamente:
"Mas que história é essa?'
"Ah não!! O que você falou pro tiozinho, ô Fá?!!"
"Pega pra aprender, quem mandou chamar o coice de mula do Fá pra esses passeios nerd´s"
"Se você vier falar mais uma vez de passeio nerd eu..."
"CALEM A BOCA!!" gritou Fá. Todos permaneceram em silêncio por alguns instantes. "Estamos numa igreja..." E saiu à porta.
Mais tarde, no Largo 21 de Abril, os jovens estavam em uma lanchonete:
"A prefeitura anuncia a construção de portais turísticos em todas as entradas de Embu das Artes, que faz divisa com São Paulo, Taboão da Serra, Cotia e Itapecerica da Serra, somando 11 acessos, mais as duas entradas da cidade." Derson
"Hunf... que besteira. Só pra gastar mais dinheiro público." E olhando pra trás, numa mesa no fundo: "Ow Fá, você tá meio estranho cara, não fica chateado não... Vai falar que é a primeira vez que te expulsão de algum lugar? Nem parece corinthiano pô, a gente é da favela!!" (risos)
"Valeu Chu... mas não é por causa disso que eu to me sentindo mal não..."
"Deve ser peso na consciência por ter estragado o passeio de todo mundo!"
"Calma Dri..." diz seu esposo, e melhor amigo de Fafito.
"Calma nada!! Você é e sempre vai ser um adolescente irresponsável Fá!!"
Ele fica pensativo, se levanta e fala.
Ele fica pensativo, se levanta e fala.
"Já sentiu alguma coisa que você não sabe explicar o que é? Calma, eu vou explicar melhor, bem... enquanto olhavam as peças estilo barroco, eu segui andando pelo prédio e encontrei aquele lugar a céu aberto, com uma cruz cravada na cabeceira, como uma lápide... Um pouco antes do Jesuíta entrar, eu senti como de uma onda saíse da cruz e atravessasse meu corpo, e..."
Todos o olhavam incrédulos.
"V-voceis não estão acreditando não é?"
"Já chega dessa palhaçada, Wa vamo pra casa."
"Espera Dri." E saiu correndo atrás dela, levando as bolsas.
"Tsc... eu não caso pra ficar assim não." Falou Chu, enquanto todos pararam pra pensar, e , em seguida, começaram a gargalhar.
"Beleza galera, acho que já deu, vamos embora."
A noite já ocupava toda aquela região. Fafito se ajeitava para dormir, mas estava um tanto quanto incomodado...
Virou de um lado, para o outro, deu uns tapas no travesseiro, se irritou e sentou na cama:
"Droga... (suspira) Tudo bem então... to cansado, to irritado, eu só preciso fechar os olhos... (E deitando-se) e dormir...
...Epa! Que que isso?"
INACREDITÁVEL!!!
Simplismente só de encostar a cabeça no travesseiro e fechar os olhos, ao abrir Fafito desparou-se com uma selva, a noite, e ele deitado no chão no meio do mato.
"QUE PORRA É ESSA!!" " Como é que eu vim parar aqui?!!!" "Onde é que eu estou?!!"
Dizia, desesperado, gritando e girando de um lado para o outro, sem conseguir enxergar muita coisa, há não ser o brilho do céu estrelado. Quando derrepente, ele percebeu uma luz, como de fogo, por que tremia muito, se aproximando. De imediato, ele se abaixou e cochicou consigo mesmo:
"Vem vindo alguem..." (ofegante) Passou a dar passos pra trá, até encostar numa árvore, olhar para trás e para frente novamente.
Surgiu em sua frente um ser imenso, numa mão a tocha com o fogo que o anunciava, e na outra uma lança. A criatura parecia enfurecida, e pronta para um combate.
"Ai meu Deus..." disse Fafito, angustiado, no momento em que, a criatura deu um passo em sua direção, após, outro, e outro, e acelerou como se fosse se lançar sobre ele, no reflexo, Fafito se virou e, perplexo, deu de cara com uma serpente gigantesca, que abriu a enorme boca e tomou impulso para dar o bote!
"FUDEU..."
CONTINUA...
Nenhum comentário:
Postar um comentário