segunda-feira, 22 de agosto de 2011

XIII - "mAiS uMA LeNDA dE eMbU sE toRnA rEAL"

"Oi, eu sou o Fá e moro em Embu das Artes. Cidadezinha legal, um pólo turistico de artistas desde o século XX. Existe até uma lenda sobre a fundação da aldeia que deu origem a ela. Diz-se que um índio salvou um padre da morte, e pouco depois foi morto por uma serpente, que em tupi guarani significa M´boi, e que acabou dando origem ao nome da cidade. Estes fatos hipotéticos na verdade simbolizam uma guerra espiritual, onde a serpente é um espectro do mal, que desde então, vive a sondar a cidade, buscando qualquer deslize do bem para contra atacar. Selada a 457 anos, agora ela voltou. E eu, um jovem estudante de farmácia, descobri que sou a reencarnação daquele índio. Que loucura, não? Mas parece que eu não tenho alternativa, é hora de vingar a morte do meu antecessor e acabar de vez com essa ameaça do mal. Vamos nessa!!"

"Droga!! Temos que impedi-lo!!" 
"Impedir um cavalo com um pedaço de madeira em cima? Por que?"
"Em uma das lendas da cidade, quando o padre Belchior pregava na aldeia, os índios possuiam suas próprias crenças e não acreditavam nas histórias que ele contava sobre anjos e demônios. Então, o padre na esperança de amendontrá-los, fez um demônio de madeira e colocou sobre um cavalo. Porém, quando o cavalo passou em frente a igreja do rosário, o boneco se transformou em um demônio de verdade, entenderam?!!"
"Entendi, a gente precisa evitar que ele chege em frente a igreja!!"
Mas o cavalo já se aproximava do centro de Embu das Artes, onde no largo 21 de abril, encontra-se a igreja do Rosário.
Alguma força maligna impedia a moto de acelerar.
Fafito podia notar isso, olhava no velocímetro marcando 120Km/hr, mas o veículo não passava dos 50.
As gargalhadas medonhas continuavam.
Eles avistaram a igreja.
Fá parou de acelerar e a moto foi diminuindo a velocidade até parar.
"O que foi Fá!!! Ele está quase chegando lá!!"
Mas fafito com semblante muito sério, falou:
"Não dá mais tempo. Ele vai se transformar..."
E no instante que o cavalo passou em frente a igreja, a lenda se revelou!!
UMA LUZ INCANDESCENTE SURGIU POR ALGUNS INSTANTES
E quando se apagou, lá estava a visão horrenda:
Um demônio feroz sorria levando o cavalo pela barriga por sobre sua cabeça.
Fá, Zi e Chu permaneceram apreensivos...
O monstro jogou o cavalo em sua direção.
"Fá!!" gritou Zi
Fafito ascelerou e saiu do lugar no instante em que o pobre animal se chocou ao chão e saiu rolando, relinchando, metros a diante.
A criatura se virou e saiu correndo velozmente!!
Fafito frisou os olhos e o seguiu ascelerado.
Agora ao contrário, a moto ascelerava a velocidade máxima, e o que espantava Fafito era que o monstro seguia fugindo cada vez mais rápido e eles não conseguiam alcansá-lo.
"Porcaria, ele voltou para a BR!!"
"Corre Fá, ele vai entrar naquela fábrica!!"
"Mas o que é que tem lá?"
Quando se aproximaram, veio a surpresa!!
"É indústria de solventes!!
Ele vai explodir tudo!"
Eles descem da moto e correm para o portão de entrada.
"Está trancado!!"
"Vamos tentar arrombar!"
Lá o vigia, que estava assistindo tv, estranha a movimentação e os intervem:
"O que vocês estão fazendo aqui?!"
"Moço você precisa deixar agente entrar!!"
"É entrou alguma coisa aí, vocês correm perigo!!"
"Do que vocês estão falando?!!"
DEREPENTE
Uma explosão!!!
(BUUUUUUUUUUUUM!!)
Jogou todos no chão. O vigia que estava de costas e o portão da fábrica voaram por sobre os garotos e o homem caiu desacordado. Os três, levantaram-se no instante em que outras sucessivas explosões aconteciam!!
"Vamos sair daqui!!"
"Tarde demais..." Disse Fafito apreensivo ao avistar a criatura caminhando de dentro ao fogo em sua direção.
"PQP!!! É de verdade!!" Falou trêmulo Chu, caindo sentado no chão.
Zi também ficou perplexa com aquela visão aterrorizadora. Mas conseguia se controlar.
Olhou para Fá e perguntou:
"F-fah... como termina a história... da lenda?"
Ele direcionou-lhe o olhar lentamente. Também estava tenso e com medo. Respondeu com dificuldade:
"Quando os... indíos viram o monstro se tornar de verdade... (engoliu seco)... Todos fugiram com medo... Só um corajoso índio ficou e matou o demônio."
"Ah é? Então boa sorte!! Disse Chu se levantando rapidamente e saiu correndo, gritando:
"Vem Zii!!!"
"Chu espera..."
A criatura inflamada começou criar dentro de sua boca uma bola de fogo incandescente.
"Vamos Zi, vamos fugir!" Disse Fá a ela e no instante em que os dois iam se virando para correr, o demô cuspiu a bola de fogo com mais de um metro de diâmetro e atingiu Fafito em cheio.
A bola explodiu em seu peito e ele foi arremessado metros a frente, caindo no meio da mata que beira a rodovia.
Laninha caiu sentada no chão. Estava paralizada ao ver seu amigo ser atacado. Nunca havia sentido tanto medo na vida. MEDO de morrer.
Chu, persebendo a situação, voltou e a puxou pelo braço.
Mas a garota parecia fora do ar, em estado de choque.
Chu a segurou pelos ombros e a chaqualhou:
"Acorda Ziii!! A gente precisa sair daqui!!"
Ela então despertou e apenas balançou a cabeça.
Eles correram pelo lado contrário ao que Fa foi lançado, pularam num córrego. A água batia-lhes apenas a altura dos joelhos, de modo que se molharam mais pela espirro após o salto que deram.
"Ai Chu, por que você veio por aqui?!!" Dizia ela enquanto os dois corriam, enlouquecidamente por dentro do riacho.
"Ele está cuspindo fogo em tudo que é lugar!! Onde estariamos mais seguros do que na água? "
"Eu sei, ai (ofegante) mas agente precisa voltar e ajudar o Fá!!!"
"Agora nã..." Chu persebeu escorrer um líquido que aquela hora da noite não se podia diferenciar, mas como estava vindo dos canos da fábrica, teve um mal presentimento.
"Zi, para!!"
"O que foi?!"!"
Eles olharam para trás. Lá do ponto onde saltaram estava a criatura diabólica.
O córrego corria ao lado da indústria de solventes, Zi e Chu estavam parados olhando para o monstro, taquicardíacos e exaustos.
"V-você... está sentindo esse cheiro de tíner?"
Zi parou e respirou fundo.
"É verdade... mas será que..."
Eles se entreolharam assustados, e olharam para a criatura.
Ela tomou fôlego e cuspiu fogo no córrego.
E INESPERADAMENTE!!
                    
O fogo passou a ser conduzido em direção aos garotos!!
"Essa não, a água está cheia de solvente!!!"
"Corre Zi!!!"
Eles começaram a correr, mas o fogo se aproximava com extrema velocidade!!
E percebendo que não teriam como escapar, Chu grita a Zi:
"PULA!!"
"AAAAAAAAAAAHHH!!"
Cada um deles pulou para um lado da margem e o fogo passo por entre eles, e se alastrou riacho abaixo.
O chiado do fogo queimando  e estralando a fábrica era o único som ouvido por ali.
Enquanto isso, um pouco mais distante, Fafito gemia de dor, jogado abaixo da árvore com a qual se chocou quando foi arremessado.
"Ai... ai... eu... não consigo me mexer.... Os meus amigos... precisan-m de mim..."
Mas ele estava muito ferido e prestes a desmaiar.
Quase fechou os olhos, vendo o fogo mais adiante tomar proporções catastróficas... Abriu os olhos e os fechou de novo, parecia que enchergava a tela de uma televisão com interferência.
Então abriu os olhos e estava trajando o gibão, com o escudo e a espada.
"Mas...  como?"
Foi se levantando e caminhando em direção ao fogo.
A rua havia sumido, contruções, postes, tudo.
Só havia a mata e o inscêndio mais adiante.
Quando conseguiu chegar, deparou-se com o demônio. E mais ao fundo, o que queimava era uma aldeia inteira, diversas ocas, árvores, tudo estava em chamas. E o cheiro de morte percorria aquele local.
"Acredita no mal agora senhor Fagner?"
"Calado seu animal imundo. Eu quero ver você falar quando eu cortar sua cabeça fora pra fora do corpo."
"Do que está falando, seu insolente raquítico? Mal pode se aguentar em pé."
Fafito fechou a cara, mas realmente estava acabado. Expressava isso em seu rosto.
"Ah... que foi? O bebezinho quer a mamãe é? Ou será que  preferia ver a vadia da sua namorada?"
Naquela hora, Fafito se enfureceu, e pode-se sentir o pulsar da armadura:
"NÃO OUSE FALAR DELA!!"
"Nossa, como ele é bravo!" (gargalhadas) "Tah bravinho por que? Ela nem é sua namorada. Sabe por que? Por que ela te chutou. Ha! Ha! Ha! Parece que o franguinho aí não consegui dar conta da mulher que tinha, mas não se preoculpe. M´boi vai tomar conta direitinho dela."
"MALDITO, EU VOU MATAR VOCÊ PARA SEMPRE!!"
Como da outra vez, a armadura ficou leve e Fá saiu correndo  em direção ao demônio com a espada empunhada e muito ódio no coração.
"Isso, sinta o ódio em você, perdedor!!"
"VOU TE MANDAR DEVOLTA PARA O INFERNOOOOOOOO!!"

CONTINUA....

sábado, 13 de agosto de 2011

XII - "DiÁLogOS"

O velho padre estava a esculpir na madeira quando Fafito entrou na sala:
"Oh, Fá! Não o tinha visto chegar." Exclamou enquanto cobria sua obra rapidamente com um lençol.
"Hm.. o que é isso aí?"
"Ah, ainda estou trabalhando. Não quero que veja antes que termine." Respondeu limpando as mãos, continuou: "Mas, aconteceu alguma coisa? Você parece meio abatido."
Fafito caminha pela sala. Toca um crucifixo na parede. Olha para o padre e fala:
"Há quanto tempo esta aqui padre?"
"Eu não entendi?"
"Há quanto tempo está vagando pela terra? Por que o senhor não pode descansar em paz?"
Abaruna balança a cabeça em sinal de positivo.
"É uma boa pergunta Fafito. E na verdade eu não tenho a resposta, talvez..."
"Talvez há mais de quatrocentos anos... Talvez não possa descansar por que não foi capaz de derrotar M´boi. E é por isso que me despertou. Por que sou sua única esperança, não?"
"O que está querendo dizer? Acha que sou Belchior?" (risos)
"Não sei quem ou oque você é, velho, mas eu não vou lutar pra você na sua guerrinha particular com o obscuro. Eu estou fora, entendeu? FORA!"
O padre lhe observa, assustado. Então reflete e pergunta:
"Há poucos dias você parecia contente em se tornar um herói. Por que mudou de idéia?"
"Você não disse que essa merda toda podia sair do mundo dos sonhos e aparecer para mim no mundo real." mumurrou ele, cabisbaixo e de olhos fechados, enquanto o padre permanecia com o olhar de dúvida, ele então levantou a cabeça, com os olhos mareados e disse rangendo os dentes: "M´BOI possuiu minha ex e me atacou no metrô!!!"
O silêncio prevaleceu naquela sala por alguns instantes.
"Isso não é possível Fah, você deve ter sonhado isso." (risos)
"NÃO, EU NÃO SONHEI!!" disse Fafito irritado, levantando a barra da calça e mostrando o hematoma que sofreu quando caiu no metrô.
Abaruna estava surpreso. Realmente não podia imaginar que os selos estavam tão enfraquecidos que M´boi podia agir, não ainda em Embu das Artes, mas já muito próximo dele.
"E eu não sei por que mas, aqui nesse mundo, ossos meus se quebram mas voltam ao normal em minutos. Agora minha perna não para de doer, e isso já tem horas." Falava Fah, com lágrimas nos olhos. Mas qualquer um deles podia perceber que suas lágrimas não eram por causa da dor física. Patrícia tinha sido um grande amor na vida de Fah e ele não pode esquece-la mesmo anos após ela o deixar. Vê-la naquele estado, lutar contra ela, foi mais do que ele podia suportar. Por isso, em ao prantos, ele sussurou:
"Eu não quero lutar mais. Eu não quero salvar o Embu, o mundo, que seja!! Não vou mais enfrentar essas coisas malignas! Eu quero elas longe de mim, dos meus amigos e das pessoas que eu amo!!"
Abaruna se aproximou de Fah, pôs a mão em seu ombro e disse:
"Eu sinto muito garoto. Eu sinto de verdade. Não queria que você, tão jovem, tão imaturo, tivesse que lutar. Você mal sabe o seu papel na vida real. Não pode entender sua importância no destino do mundo."
"Não, eu não posso. E eu vou embora. Nem que eu tenha que ficar sem dormir, eu não volto para este mundo, velho." respondeu Fafito, tirando a mão de seu ombro e se retirando da sala. Antes de sair, olhou pra trás e falou: "Você vai lutar sua guerra sozinho."
Ao ver o garoto sair, Abaruna gritou-lhe:
"Você age como uma criança medrosa Fafito!! Você não entende?!! Esta guera não é minha, ela é de todos nós!! Você foi escolhido para combater este mal! Ele vai te perseguir até que esteja morto!!"
Fafito para de andar, assustado, com medo de que aquelas palavras fossem reais. Mas ele não queria demonstrar insegurança. Ele virou-se e olho para o padre que já estava na porta, ofegante após todos aqueles gritos.
"Você não tem escolha garoto... Você precisa lutar."
"Talvez o senhor esteja certo, e eu realmente precise lutar....
...mas não ao lado de alguém que mente para mim."
"Eu não mentira alguma pra você, eu só omiti algumas coisas por que você não estava preparado para ouvi-las... VOLTE AQUI" Esbravejava o velho enquanto Fah seguia seu caminho, sem mais olhar para trás.
Ao longe ele ainda podia ouvir o grito:
"Você não vai conseguir nada sem mim!!!"
Ele sorriu, tirou do bolso um pequeno frasco onde havia guardado um pouco de água e a ingeriu. Abriu os olhos e estava em seu quarto. Sentou na cama, esfregou os olhos e procurou seu celular para ver as horas:
"São três da manhã..."
Ele se espreguiçava quando ouviu o correr de um cavalo na sua rua.
Estranhando todo aquele barulho, levantou-se a janela. Afastou a cortina e olhou pelo vidro.
O cavalo subia a ladeira com um boneco de madeira montado sobre ele.
DERRENTE!!
Ele ouviu um grito de horror e desespero horrível!!
E uma onda de  vento se espalhou em todas as direções!!
Fafito virou o rosto, a onda quebrou todos os vidros das janelas ao redor, e valhos estrilhaços vieram em sua direção.
As luzes dos apartamentos começaram a ascender, com todos os moradores acordando, sem saber o que tinha acontecido.
A mãe de Fafito tinha o sono muito leve, mas a janela de seu quarto estava fechada e ela não percebeu o barulho. Se tivesse levantado teria visto que Fah saiu com a moto.
Lane acordou com o celular tocando.
"Aaaalô?..." Disse ela com muito sono.
"Laninha, se veste e me encontra aqui no seu portão..." sussurrou.
"Queeeem é? Faaah? São três da manhã..."
"Vem logo, é importante, o Chu ta aqui comigo..."
Mesmo sem saber por que estava fazendo aquilo, ela se vestiu e encontrou os garotos ali próximo.
"Espero que tenha morrido alguém!!"
"Eu também, por que esse louco foi me buscar lá na minha casa, essa hora da manhã e até agora não disse do que se trata, disse que só falaria quando encontrassemos você."
"Calma gente eu vou explicar... " Suspirou ele e falou: "Alguma coisa acabou de passar pela avenida, e não era humano. Estou com um mal presentimento."
Chu e Zi permaneceram com cara de paisagem, tipo deserto.
"Vamo Zi, eu seguro e você mata!"
"Com todo prazer!!"
"Calma ae, eu estou falando sério!! Vai Laninha, sobe na moto, vamos investigar."
Zi o observa com desdenho.
"Eu to indo dormir..."
"Zi eu posso ficar aqui, to muito longe de casa."
"Não, a casinha do cachorro tá ocupada."
"Eu fico no tapete."
"EI, AONDE VOCÊS VÃO!!"
"Boa noite Fah!!"
"É , boa noite, e vê se para de beber..."
"GALERA, depois de tudo que vocês viram naquele outro mundo, como podem duvidar de alguma coisa?"
Chu e Zi param de andar e discutem com ele.
"Fafito querido, aquilo é só sonho!"
"A Zi tah certa Fah, é tudo muito louco, mas não existe no mundo real"
"M´boi apareceu para mim no mundo real."
Os amigos de Fa ficam surpresos. Chu arrega-la os olhos enquanto Zi os comprime.
"Que papo é esse Fá?" Questionou Zi.
"Ela possuiu minha ex-namorada e me atacou hoje a noite no metrô. Eu também pensei que não fosse real, mas só não me matou por que estava com uma amiga minha muito especial. Que recitou uma oração em latim, e conseguimos destrair o demônio e fugir."
"Tá falando sério, cara?" perguntou Chu.
"Qual é gente, por que eu mentiria." disse ele com ar de tristeza.
"Agora por favor, vamos atrás daquela coisa. Eu nao quero que machuque mais alguém."
Os três sobem na moto e seguem pela Avenida Rotary, indo para o centro do Embu.
Na estrada, Fá avista o cavalo.
"O que você está vendo Chu!!! Eu não consigou olhar, tenho que prestar atenção na estrada, está muito escuro aqui!!!" gritou-lhe por causa do vento e do barulho do motor.
"Eu não sei!! Parece que tem alguma coisa em cima do cavalo!!"
"Eu vou tentar me aproximar!!"
Fafito acelera a moto e eles chegam bem próximos do cavalo, que continuava a correr em alta velocidade.
"Que porcaria de moto é essa Fá!! Você tá perdendo pra um cavalo!!"
"Eu não sei, tem alguma coisa diminuindo a velocidade!! O que consegue ver agora!!"
"Nosssa!! Parece um monstro, só que... de madeira!!" respondeu Zi.
"E muito mal feito, por sinal!!" replicou Chu.
Inesperadamente, ouvi-se uma gargalhada medonha, Fá asustado balançou a moto e quase os derrubou!!
"Caramba Fá, bração!! Pilota isso ae direito!!"
"Desculpe, mas de que tipo de monstro estão falando?"
 "Eu não sei... mas parece um demônio!!"
"O que disse?!!!"
Fá permanece chocado!! Como se não mais estivesse ali!!
"A lenda do demônio de madeira sobre o cavalo" pensou

CONTINUA....

domingo, 7 de agosto de 2011

XI - "EnConTRoS e rE-enCoNTRoS, BatALhA nO mEtrÔ"

"Derson, como anda a pesquisa dos portais?"
"Jovem, é o seguinte: A prefeitura de Embu das Artes está construindo 13 portais turísticos, 10 nas divisas com outras cidades e outros 3 espalhados pelo município. Inclusive um perto da tua casa. Mas ainda não estão prontos e o prefeito garante o término das obras para antes do final do mandato."
"2012, entendi. Escuta Derson... quando o senhor ia me contar sobre o Mundo dos Sonhos?"
"O quê? Eu não entendi? A ligação está ficando ruim..." (chiadeira)
"Droga, caiu..." Lamentou Fafito, que falava ao celular enquanto se dirigia para a casa de Wagner e Adriana, junto com Laninha.
"É, bem que você disse que por aqui não tem sinal. Quer dizer que estamos chegando perto."
"Estamos sim." Disse Fá, mas com o olhar distante. Estava na verdade ansioso para chegar logo a casa de Wagner.
Chegando lá, eles tocam a campainha.
Wa estava em casa, ali pelo meio da tarde, ao contrário de Dri que chegaria mais tarde. Era o intervalo entre o trabalho e a faculdade de sistema da informação que ele cursava.
"Nossa, que surpresa! Não esperava ver vocês por aqui."
"Pois é... podemos entrar?"
"É... claro, por favor." Respondeu Wa, estranhando a seriedade de Fa.
Entrando em casa, Fá, que é padrinho de casamento de Wa e Dri, foi direto para o quarto. Zi e Wa se entreolharam e o seguiram. Ao entrar, Fá estava de braços cruzados, com cara de bravo. Zi olhou para ele, e em seguida olhou para a cama... quebrada. Então olhou para Wa.
Ele com cara de bobo brincou.
"Não é o que vocês estão pensando. Eu tenho uma boa explicação para esta cama estar quebrada... Pensando bem eu não tenho não." (risos)
Zi sorriu também, mas Fá disse irritado:
"Vocês são meus melhores amigos!! Por que não me contaram o que aconteceu depois que fomos ao museu?!! Todo mundo que estava lá foi para o mundo dos sonhos não é? Por que esconderam isso de mim?!!"
Wa olhou pra Zi que desviou o olhar. Ele abaixou a cabeça, suspirou e decidiu contar.
"Por que ela nos disse para não lhe dizer nada."
"Mas hein? Ela quem?"
"A Porâsý Fá... (sorriso sem graça) Ela disse que você está do outro lado. Não podemos confiar em você."
"Denovo isso? Mas de que outro lado você está falando?!!" repetiu Fá muito irritado.
"Quando os jesuítas chegaram Fá, eles catequizaram os índios e assim impediam-os de serem transformados em escravos. Mas para eles, a catequeze também era uma forma de escravidão. Porâsý não gosta do fato de você, a reencarnação de um índio, estar aliado a um padre jesuíta."
"Tsc! O que aquele velho padre poderia nos fazer de mal? Ele está do nosso lado, está me ensinando a lutar contra M´boi e a defender Embu das Artes." Disse Fá sentando do lado da cama de casal que ainda estava inteira. "E depois... como puderam deixar de confiar em mim para acreditar numa estranha que nunca viram na vida?"
"Bem Fafito, se toda aquela loucura era real, sabe, um mundo dentro dos seus sonhos, por que a informação que ela nos passou não seria?"
"Ah vá! (disse ele bufando) Agora foi demais. Todos vocês, TODOS, um por um foi parar naquele mundo, voltou do nada, espatifou a própria cama e..." Ele parou por um instante e pensou. Logo questionou: "Por que só um lado da cama está quebrado? Esse lado em que estou é seu ou da Dri?"
"Esse lado é da Dri, Fá... Ela não foi para o outro mundo."
"Não?" Perguntou Zi, surpresa.
"Ué? Você não sabe Zi? Pensei que todos vocês se encontravam no mundo dos sonhos."
"Não Fá, eu, o Chu ou o Wa nunca nos encontramos lá. Por isso guardavamos segredo, por que nós somente conhecemos a Porâsý e ela nos pediu para não contar nada a ninguém." Respondeu Zi.
"Entende agora irmão? A Dri não foi para o outro mundo, e é claro que ela não acreditou quando eu disse a ela o que tinha acontecido. Mesmo mostrando o estrago na cama, ela acha que eu levantei para ir ao banheiro, perdi o equilíbrio e cai devolta, quebrando o lastro. Se nem minha esposa acreditou em mim, como poderia contar aquela viagem para mais alguém? Eu achei que estava ficando louco."
Fafito respira fundo, passando a mão no rosto. Após balançar a cabeça, ele se levanta e diz:
"Tudo bem amigos, me perdoem. Agora... eu preciso ir pra casa, tomar um banho... Tenho que ir pra facul, me concentrar em alguma coisa. Tem sido dias difíceis."
Zi sorri e  Wa os acompanha até a porta.
No caminho de volta, ela e Fá conversam.
"Que estranho. Por que será que a Adriana não pode entrar no mundo dos sonhos?"
"Não sei... talvez ela tenha entrado, mas não quiz contar pra nínguem, como todos nós."
"Mas nem pro marido?"
"Não sei Laninha... não sei..."
Mais tarde, na faculdade. Em um intervalo de aula, enquanto foi fumar um cigarro, Fafito percebeu a aproximação de uma amiga sua.
"Oi!"
"Olá..." Respondeu ele, sereno, e soltou a fumaça pela boca.
"Você... não disse que ia parar?"
Ele olha para o cigarro, sorri e se explica:
"Vou parar... mas por enquanto é uma das poucas coisa que me tranquiliza,"
"E você tá nervoso por que? Nem tem prova hoje, nem nada. Mas eu percebi que mal abriu a boca. O que houve?"
"Ah Di... vou contar pra você o que está acontecendo."
Ednalma era uma grande amiga de Fafito na facul. Ele encontrava nela caracteristicas que observava nele mesmo, como anti-socialismo, o bom humor sarcástico e irônico. Ela era muito bonita, de personalidade forte e gostava dele também. Uma vez definiu conhecê-lo como um dos melhores acontecimentos da sua vida. Mas a notável falta de alguém para amar que Fá sentia fazia-o querer algo mais, mas para sorte da amizade dos dois, ela era casada, com um filho lindo, e tinha oito anos a mais que ele. Para Fafito, estes fatos eram insignificantes, mas para Nalminha, faziam toda a diferença.
Por alguns minutos, Ednalma perdeu o seu tempo ouvindo a história maluca de Fá. Quando ele acabou, contanto até mesmo os detalhes das ultímas duas noites que ele passou no Mundo da Arte dos Sonhos, olhou pra ela, que não aparentava uma cara muito boa, e perguntou:
"E agora eu descobri também que não sou o único a ir para esse outro mundo que vou quando durmo sabe?"
"Han-ram" (olhar irritado)
"Então... (engole seco) Agora eu não sei o que fazer... Por que me ta me olhando assim? Você não está acreditando na história não é?"
Ela o encara, como quem diz: 'Você ainda me pergunta' e responde:
"CLARO QUE NÃO!!! Quem vai acreditar numa história maluca dessas?"
Ele abaixa a cabeça e lamenta. Mas sorri e fala:
"Pois é... difícil não?"
"Olha Fagner, eu acredito que você deve estar sofrendo de alguma alucinação. Tem tomado algum tipo de remédio recentemente?"
"Remédio? Não... não, não."
"Bom, então é estafa de trabalho. Vamo voltar pra aula vai, meu super herói." diz ela ironizando-o, enquanto o abraça de lado e o leva devolta para a sala.
Após o término das aulas, a faculdade oferece um microonibus que leva os alunos até a estação de trem Vila Lobos - Jaguaré. Fafito e três amigas, Bruna, Bianca e Elizangêla, tomam essa condução, em seguida pegam o trem da linha Esmeralda, que liga o Grajaú até a cidade de Osasco. Elizangêla segue sentido Osasco, os outros três na direção oposta, e descem na estação Santo Amaro, que faz integração com a Linha Lilás do Metro, Capão Redondo - Largo 13. Nesta, Fafito e Bia deixam Bruna no Largo 13 e seguem sentido Capão Redondo para chegar até estação Campo Limpo, onde ainda precisam pegar um cada um deles um ônibus destinto, e finalmente chegar em casa.
Dentro do metrô, Fafito estava sentado, bem cansado e quase dormindo. Havia poucas pessoas dentro do vagão, pois já era quase uma das últimas viagens, uma vez que o metro para de funcionar a meia noite e aquele horário encontrava-se próximo.
Fá piscou os olhos, ia quase dormindo. Então dispertou, balançou a cabeça e pensou:
'Não posso perder a estação, se não vou parar no final." e disse para Bia: "O cabeçuda, se eu cochilar, presta atenção na estação... Ô!! Bianca?!"
Ela estava dormindo. Seu corpo apenas balançava junto com os movimentos do trem. Fafito deixaria passar despercebido, se não tivesse olhado para o lado, e a pessoa que o acompanhava também estava dormindo. Estranhando, ele levantou-se e olhou ao redor.
Todas as pessoas que estavam naquele vagão estavam dormindo.
"Mas o quê?!!" Pensou. "Tem alguma coisa errada aqui."
"Hm, como você é inteligente!"
"Mas hein?" disse ele virando se para trás. Ficou admirado, com os olhos arregalados, e os seus lábios quase não se mexiam quando ele tentou falar seu nome. "P-pa... Patrícia? O que é isso? Outro sonho?"
A garota, de pele branca, olhos puxados e de longos cabelo castanhos seguiu em sua direção e lhe deu um beijo nos lábios. Aproximou-se e sussurrou ao seu ouvido:
"Não é bem a Patrícia, Fafito, e isso não é um sonho. Mas bem que você gostaria que fosse não é? Gostaria de ter a sua ex outra vez, tocando seu corpo..." Dizia passando-lhe a mão sobre o peito.
Ele não podia responder. Estava trêmulo, com uma péssima sensação como se todo aquele lugar estivesse tomado por uma energia sinistramente negativa. Ainda assim perguntou:
"Quem... é... você?"
"Quem eu sou?...
...
...
...
...
M´boi."
NESSE INTANTE!! O trem para de se movimentar.
Com a parada brusca, todos que estavam sentados caem, ainda inconscientes.
Fafito, que estava em pé, foi lançado violentamente para trás até se chocar com a porta que separava o vagão do outro. (PAF!!!)
M´boi sorriu, e foi caminhando até ele.
No chão, tonto com a batida, Fá tentava se voltar a si. Mas ela abaixou-se, segurou-o pela garganta e o foi levantando, encostado contra a porta até que ele ficasse de pé, porém, imobilizado.
"V-Você?" dizia ele com dificuldade.
(Risos)
"Pois é, quanto tempo velho índio. Há muito eu esperava por este reencontro."
Mesmo sulfocando, ele também sorri e fala:
"Usando a aparência da minha ex-namorada? Acha que assim vai me assustar?"
"Não é só a aparência Fafito querido... O CORPO É DELA TAMBÉM!!"
Fafito arregala os olhos! E se enfurece:
"Miserável!! Como ousa?!! Liberte-a AGORA!!"
Mas M´boi aperta ainda mais seu pescoço e ele geme de dor. Ela continua:
"Tudo bem, não precisa se preocupar. Não vou matá-lo agora. Preciso que leve um recado para seu chefe."
"Do que você está fa-lan-do?" (ofegante)
"Abaruna."
"Ele... não é... meu chefe..."
"Ah não? Bem, não é o que parece." Diz ela sorrindo, mas logo toma tom de seriedade e fala:
"Você nunca se perguntou por que seu amigo não pode aparecer durante o dia?"
Fá permanece quieto, a garota o segurava firmemente. Estava começando a lhe faltar o ar.
"Não? Então vou lhe dizer: Por que ele é um anjo da noite!"
O garoto fica espantado. M´boi segue lhe falando:
"Ele está te usando, tentando fazer com que você termine com a batalha que ele não pode. Isso por que, depois que aquele índio morreu, ele tentou me destruir. Mas apenas conseguiu me lacrar com um selo que permaneceu inerte por 366 anos, até perder o efeito. Então ele foi retirado do mundo dos mortos e amaldiçoado a permanecer na terra até que eu fosse destruida. Como não podia fazer nada para isso, começou a usar as pessoas. Ele trouxe Cássio para o Embu em 1920, e apartir daí abenço-ou sua arte, esta passou a servir como selo e a proteger a cidade. Então, outros grandes mestres de todos os tipos de artes passaram a migrar para cá, transformando Embu em Embu das Artes...
...Mas os Grandes Mestres se foram, e suas obras, dia a dia, iam perdendo a energia benigna que eles transmitiam. Agora ele quer usar você para acabar com tudo isso de uma vez e assim poder descansar em paz. Entendeu Fafito? Ele não está preocupado com a guerra, ou com o mundo, tão pouco com sua cidadezinha inespressiva."
Fafito olhou nos seus olhos e disse:
"Ah é?... Por que acreditaria em você?"
"E por que acreditaria no jesuíta? Você não o conhece, não sabe de onde ele veio, ele nunca falou nada dele pra você.
Diga a ele para desistir de tudo! E se você não acredita, vou mandá-lo para o outro mundo. Vou fazer você dormir, desse modo você poderá conversar com seu amigo. Aliás, terá todo o tempo do mundo para ter uma longa conversa com ele. VOU FAZER VOCÊ DORMIR PRA SEMPRE!!" Disse M´boi enquanto estrangulava o menino, que grita de dor.
"Aaaaaaaahhh!! Lib-bera nos a... m-malo!!!"
"O que é isso? Você só me faz rir!!"
"Aaah!!" Fafito fechou os olhos com força, não podia suportar a dor.
 M´boi gargalhava, até ouvir uma voz:
...
"Crux sancta sit mihi lux, Non draco sit mihi dux"
M´boi frisou o olhar e parou de apertar o pescoço de Fá.
Ele abriu os olhos e viu, por cima do ombro dela, a pessoa de pé que tinha dito aquela frase.
Então ela o soltou e virou-se de frente para esta pessoa;
Era Bia, com o braço estendido, a palma da mão aberta, o outro braço junto ao corpo, com a mão fechada sobre o coração.
M´boi sorri e perguntou:
"Ora, ora. Como conseguiu despertar do meu "pesadelo perpétuo"? (Nome do sono induzido no qual ela pôs todos os passageiros do trem). Você tem muita fé Naquela outra pessoa em quem você acredita."
Bianca fecha os olhos e continua:
" Vade retro satana!! Numquam suade mihi vana!!"
M´boi sente como uma onda de energia a atingisse, e dá um passo para trás. De cabeça abaixada, ela tira os cabelos de frente a face, e olha com furor. Então tosse, colocando a mão na boca. Derepente, ela olha para a mão... Havia tossido sangue.
"Sua maldita!!! Eu vou acabar com sua raça!!"
"Sunt mala quae libas,  Ipse venena bibas!!"
"Grrrrrrrrrrr!!!" Grune M´boi ao mesmo tempo que corre em direção a Bia.
Nesse instante, ela abre os olhos e grita:
"VADE RETROOOOOOOOOO!!!!!"
"Aaaaaaaaaah!!!"
Como se um golpe a tivesse acertado, Patrícia é jogada para trás e se choca com a mesma porta que tinha lançado Fafito, momentos atrás. Cai ao chão, inconsciente.
Bia, ofegante, corre até lá. Tenta levantar Fafito, dizendo:
"Anda Fá... nós temos que sair daqui, ela não vai ficar assim por muito tempo, vamos!!"
No momento em que M´boi ficou inconsciente, o trem voltou a andar. Em pouco segundos, chegou a estação Campo Limpo. Bia puxava Fá, com a mão por seu ombro e eles conseguiram sair do vagão lentamente. Fafito tinha machucado a perna quando caiu.
MAS DEREPENTE!!
Patrícia abriu os olhos.
Começou a se levantar.
As lanternas piscaram e soou a campainha que alerta os usuários de que as portas do trem irão se fechar.
Fafito e Bianca tentavam se afastar, com dificuldade já que não estava conseguindo andar, M´boi já estava de pé, as portas não se fechavam, ela estava para sair, seu olhar era de puro ódio, Fá e Bia estavam aflitos e... (BOUF!!)

Por sorte, as portas se fecharm. Patrícia os observava com as mãos grudadas aos vidros da janela. O metrô começou a andar e ela foi tomando distância... sorrindo, mas com muita maldade no olhar.
Bia e Fá, ofegantes, ficaram ali, parados por alguns segundos, perplexamente. Se olharam... sorriram.
"Você fala latim?"
"Não... (respirando afonita) É só uma oração cristã..."
"É uma oração católica.... Você não é Evangélica?"
"O Deus é o mesmo não é?..." Diz ela brava, mas relaxa e logo fala: "O diabo também."
Os dois seguem as escadas rolantes até o terminal de ônibus. Era quase meia-noite.
Num ponto onde deviam se separar, Fá aproveita para agradecer:
"Ham... Que loucura não?" disse ele sorrindo
"Pois é..." sorriu ela também.
"Como você conseguiu despertar daquela maldição?"
"Eu não cai nela, na verdade. Fingi que dormia. Eu não sei como ou por que. 
Mas acredito que sou uma menina de Deus."
Ele sorri e continua:
"Bem eu... nem sei como te agradecer."
"Relaxa... você pode contar comigo."
Eles se abraçam, e seguem caminhos opostos.
No ônibus, Fafito mal podia esperar a hora de estar em casa e poder dormir novamente.
"Preciso mesmo ter uma conversa com aquele padre."

CONTIUNA...