domingo, 7 de agosto de 2011

XI - "EnConTRoS e rE-enCoNTRoS, BatALhA nO mEtrÔ"

"Derson, como anda a pesquisa dos portais?"
"Jovem, é o seguinte: A prefeitura de Embu das Artes está construindo 13 portais turísticos, 10 nas divisas com outras cidades e outros 3 espalhados pelo município. Inclusive um perto da tua casa. Mas ainda não estão prontos e o prefeito garante o término das obras para antes do final do mandato."
"2012, entendi. Escuta Derson... quando o senhor ia me contar sobre o Mundo dos Sonhos?"
"O quê? Eu não entendi? A ligação está ficando ruim..." (chiadeira)
"Droga, caiu..." Lamentou Fafito, que falava ao celular enquanto se dirigia para a casa de Wagner e Adriana, junto com Laninha.
"É, bem que você disse que por aqui não tem sinal. Quer dizer que estamos chegando perto."
"Estamos sim." Disse Fá, mas com o olhar distante. Estava na verdade ansioso para chegar logo a casa de Wagner.
Chegando lá, eles tocam a campainha.
Wa estava em casa, ali pelo meio da tarde, ao contrário de Dri que chegaria mais tarde. Era o intervalo entre o trabalho e a faculdade de sistema da informação que ele cursava.
"Nossa, que surpresa! Não esperava ver vocês por aqui."
"Pois é... podemos entrar?"
"É... claro, por favor." Respondeu Wa, estranhando a seriedade de Fa.
Entrando em casa, Fá, que é padrinho de casamento de Wa e Dri, foi direto para o quarto. Zi e Wa se entreolharam e o seguiram. Ao entrar, Fá estava de braços cruzados, com cara de bravo. Zi olhou para ele, e em seguida olhou para a cama... quebrada. Então olhou para Wa.
Ele com cara de bobo brincou.
"Não é o que vocês estão pensando. Eu tenho uma boa explicação para esta cama estar quebrada... Pensando bem eu não tenho não." (risos)
Zi sorriu também, mas Fá disse irritado:
"Vocês são meus melhores amigos!! Por que não me contaram o que aconteceu depois que fomos ao museu?!! Todo mundo que estava lá foi para o mundo dos sonhos não é? Por que esconderam isso de mim?!!"
Wa olhou pra Zi que desviou o olhar. Ele abaixou a cabeça, suspirou e decidiu contar.
"Por que ela nos disse para não lhe dizer nada."
"Mas hein? Ela quem?"
"A Porâsý Fá... (sorriso sem graça) Ela disse que você está do outro lado. Não podemos confiar em você."
"Denovo isso? Mas de que outro lado você está falando?!!" repetiu Fá muito irritado.
"Quando os jesuítas chegaram Fá, eles catequizaram os índios e assim impediam-os de serem transformados em escravos. Mas para eles, a catequeze também era uma forma de escravidão. Porâsý não gosta do fato de você, a reencarnação de um índio, estar aliado a um padre jesuíta."
"Tsc! O que aquele velho padre poderia nos fazer de mal? Ele está do nosso lado, está me ensinando a lutar contra M´boi e a defender Embu das Artes." Disse Fá sentando do lado da cama de casal que ainda estava inteira. "E depois... como puderam deixar de confiar em mim para acreditar numa estranha que nunca viram na vida?"
"Bem Fafito, se toda aquela loucura era real, sabe, um mundo dentro dos seus sonhos, por que a informação que ela nos passou não seria?"
"Ah vá! (disse ele bufando) Agora foi demais. Todos vocês, TODOS, um por um foi parar naquele mundo, voltou do nada, espatifou a própria cama e..." Ele parou por um instante e pensou. Logo questionou: "Por que só um lado da cama está quebrado? Esse lado em que estou é seu ou da Dri?"
"Esse lado é da Dri, Fá... Ela não foi para o outro mundo."
"Não?" Perguntou Zi, surpresa.
"Ué? Você não sabe Zi? Pensei que todos vocês se encontravam no mundo dos sonhos."
"Não Fá, eu, o Chu ou o Wa nunca nos encontramos lá. Por isso guardavamos segredo, por que nós somente conhecemos a Porâsý e ela nos pediu para não contar nada a ninguém." Respondeu Zi.
"Entende agora irmão? A Dri não foi para o outro mundo, e é claro que ela não acreditou quando eu disse a ela o que tinha acontecido. Mesmo mostrando o estrago na cama, ela acha que eu levantei para ir ao banheiro, perdi o equilíbrio e cai devolta, quebrando o lastro. Se nem minha esposa acreditou em mim, como poderia contar aquela viagem para mais alguém? Eu achei que estava ficando louco."
Fafito respira fundo, passando a mão no rosto. Após balançar a cabeça, ele se levanta e diz:
"Tudo bem amigos, me perdoem. Agora... eu preciso ir pra casa, tomar um banho... Tenho que ir pra facul, me concentrar em alguma coisa. Tem sido dias difíceis."
Zi sorri e  Wa os acompanha até a porta.
No caminho de volta, ela e Fá conversam.
"Que estranho. Por que será que a Adriana não pode entrar no mundo dos sonhos?"
"Não sei... talvez ela tenha entrado, mas não quiz contar pra nínguem, como todos nós."
"Mas nem pro marido?"
"Não sei Laninha... não sei..."
Mais tarde, na faculdade. Em um intervalo de aula, enquanto foi fumar um cigarro, Fafito percebeu a aproximação de uma amiga sua.
"Oi!"
"Olá..." Respondeu ele, sereno, e soltou a fumaça pela boca.
"Você... não disse que ia parar?"
Ele olha para o cigarro, sorri e se explica:
"Vou parar... mas por enquanto é uma das poucas coisa que me tranquiliza,"
"E você tá nervoso por que? Nem tem prova hoje, nem nada. Mas eu percebi que mal abriu a boca. O que houve?"
"Ah Di... vou contar pra você o que está acontecendo."
Ednalma era uma grande amiga de Fafito na facul. Ele encontrava nela caracteristicas que observava nele mesmo, como anti-socialismo, o bom humor sarcástico e irônico. Ela era muito bonita, de personalidade forte e gostava dele também. Uma vez definiu conhecê-lo como um dos melhores acontecimentos da sua vida. Mas a notável falta de alguém para amar que Fá sentia fazia-o querer algo mais, mas para sorte da amizade dos dois, ela era casada, com um filho lindo, e tinha oito anos a mais que ele. Para Fafito, estes fatos eram insignificantes, mas para Nalminha, faziam toda a diferença.
Por alguns minutos, Ednalma perdeu o seu tempo ouvindo a história maluca de Fá. Quando ele acabou, contanto até mesmo os detalhes das ultímas duas noites que ele passou no Mundo da Arte dos Sonhos, olhou pra ela, que não aparentava uma cara muito boa, e perguntou:
"E agora eu descobri também que não sou o único a ir para esse outro mundo que vou quando durmo sabe?"
"Han-ram" (olhar irritado)
"Então... (engole seco) Agora eu não sei o que fazer... Por que me ta me olhando assim? Você não está acreditando na história não é?"
Ela o encara, como quem diz: 'Você ainda me pergunta' e responde:
"CLARO QUE NÃO!!! Quem vai acreditar numa história maluca dessas?"
Ele abaixa a cabeça e lamenta. Mas sorri e fala:
"Pois é... difícil não?"
"Olha Fagner, eu acredito que você deve estar sofrendo de alguma alucinação. Tem tomado algum tipo de remédio recentemente?"
"Remédio? Não... não, não."
"Bom, então é estafa de trabalho. Vamo voltar pra aula vai, meu super herói." diz ela ironizando-o, enquanto o abraça de lado e o leva devolta para a sala.
Após o término das aulas, a faculdade oferece um microonibus que leva os alunos até a estação de trem Vila Lobos - Jaguaré. Fafito e três amigas, Bruna, Bianca e Elizangêla, tomam essa condução, em seguida pegam o trem da linha Esmeralda, que liga o Grajaú até a cidade de Osasco. Elizangêla segue sentido Osasco, os outros três na direção oposta, e descem na estação Santo Amaro, que faz integração com a Linha Lilás do Metro, Capão Redondo - Largo 13. Nesta, Fafito e Bia deixam Bruna no Largo 13 e seguem sentido Capão Redondo para chegar até estação Campo Limpo, onde ainda precisam pegar um cada um deles um ônibus destinto, e finalmente chegar em casa.
Dentro do metrô, Fafito estava sentado, bem cansado e quase dormindo. Havia poucas pessoas dentro do vagão, pois já era quase uma das últimas viagens, uma vez que o metro para de funcionar a meia noite e aquele horário encontrava-se próximo.
Fá piscou os olhos, ia quase dormindo. Então dispertou, balançou a cabeça e pensou:
'Não posso perder a estação, se não vou parar no final." e disse para Bia: "O cabeçuda, se eu cochilar, presta atenção na estação... Ô!! Bianca?!"
Ela estava dormindo. Seu corpo apenas balançava junto com os movimentos do trem. Fafito deixaria passar despercebido, se não tivesse olhado para o lado, e a pessoa que o acompanhava também estava dormindo. Estranhando, ele levantou-se e olhou ao redor.
Todas as pessoas que estavam naquele vagão estavam dormindo.
"Mas o quê?!!" Pensou. "Tem alguma coisa errada aqui."
"Hm, como você é inteligente!"
"Mas hein?" disse ele virando se para trás. Ficou admirado, com os olhos arregalados, e os seus lábios quase não se mexiam quando ele tentou falar seu nome. "P-pa... Patrícia? O que é isso? Outro sonho?"
A garota, de pele branca, olhos puxados e de longos cabelo castanhos seguiu em sua direção e lhe deu um beijo nos lábios. Aproximou-se e sussurrou ao seu ouvido:
"Não é bem a Patrícia, Fafito, e isso não é um sonho. Mas bem que você gostaria que fosse não é? Gostaria de ter a sua ex outra vez, tocando seu corpo..." Dizia passando-lhe a mão sobre o peito.
Ele não podia responder. Estava trêmulo, com uma péssima sensação como se todo aquele lugar estivesse tomado por uma energia sinistramente negativa. Ainda assim perguntou:
"Quem... é... você?"
"Quem eu sou?...
...
...
...
...
M´boi."
NESSE INTANTE!! O trem para de se movimentar.
Com a parada brusca, todos que estavam sentados caem, ainda inconscientes.
Fafito, que estava em pé, foi lançado violentamente para trás até se chocar com a porta que separava o vagão do outro. (PAF!!!)
M´boi sorriu, e foi caminhando até ele.
No chão, tonto com a batida, Fá tentava se voltar a si. Mas ela abaixou-se, segurou-o pela garganta e o foi levantando, encostado contra a porta até que ele ficasse de pé, porém, imobilizado.
"V-Você?" dizia ele com dificuldade.
(Risos)
"Pois é, quanto tempo velho índio. Há muito eu esperava por este reencontro."
Mesmo sulfocando, ele também sorri e fala:
"Usando a aparência da minha ex-namorada? Acha que assim vai me assustar?"
"Não é só a aparência Fafito querido... O CORPO É DELA TAMBÉM!!"
Fafito arregala os olhos! E se enfurece:
"Miserável!! Como ousa?!! Liberte-a AGORA!!"
Mas M´boi aperta ainda mais seu pescoço e ele geme de dor. Ela continua:
"Tudo bem, não precisa se preocupar. Não vou matá-lo agora. Preciso que leve um recado para seu chefe."
"Do que você está fa-lan-do?" (ofegante)
"Abaruna."
"Ele... não é... meu chefe..."
"Ah não? Bem, não é o que parece." Diz ela sorrindo, mas logo toma tom de seriedade e fala:
"Você nunca se perguntou por que seu amigo não pode aparecer durante o dia?"
Fá permanece quieto, a garota o segurava firmemente. Estava começando a lhe faltar o ar.
"Não? Então vou lhe dizer: Por que ele é um anjo da noite!"
O garoto fica espantado. M´boi segue lhe falando:
"Ele está te usando, tentando fazer com que você termine com a batalha que ele não pode. Isso por que, depois que aquele índio morreu, ele tentou me destruir. Mas apenas conseguiu me lacrar com um selo que permaneceu inerte por 366 anos, até perder o efeito. Então ele foi retirado do mundo dos mortos e amaldiçoado a permanecer na terra até que eu fosse destruida. Como não podia fazer nada para isso, começou a usar as pessoas. Ele trouxe Cássio para o Embu em 1920, e apartir daí abenço-ou sua arte, esta passou a servir como selo e a proteger a cidade. Então, outros grandes mestres de todos os tipos de artes passaram a migrar para cá, transformando Embu em Embu das Artes...
...Mas os Grandes Mestres se foram, e suas obras, dia a dia, iam perdendo a energia benigna que eles transmitiam. Agora ele quer usar você para acabar com tudo isso de uma vez e assim poder descansar em paz. Entendeu Fafito? Ele não está preocupado com a guerra, ou com o mundo, tão pouco com sua cidadezinha inespressiva."
Fafito olhou nos seus olhos e disse:
"Ah é?... Por que acreditaria em você?"
"E por que acreditaria no jesuíta? Você não o conhece, não sabe de onde ele veio, ele nunca falou nada dele pra você.
Diga a ele para desistir de tudo! E se você não acredita, vou mandá-lo para o outro mundo. Vou fazer você dormir, desse modo você poderá conversar com seu amigo. Aliás, terá todo o tempo do mundo para ter uma longa conversa com ele. VOU FAZER VOCÊ DORMIR PRA SEMPRE!!" Disse M´boi enquanto estrangulava o menino, que grita de dor.
"Aaaaaaaahhh!! Lib-bera nos a... m-malo!!!"
"O que é isso? Você só me faz rir!!"
"Aaah!!" Fafito fechou os olhos com força, não podia suportar a dor.
 M´boi gargalhava, até ouvir uma voz:
...
"Crux sancta sit mihi lux, Non draco sit mihi dux"
M´boi frisou o olhar e parou de apertar o pescoço de Fá.
Ele abriu os olhos e viu, por cima do ombro dela, a pessoa de pé que tinha dito aquela frase.
Então ela o soltou e virou-se de frente para esta pessoa;
Era Bia, com o braço estendido, a palma da mão aberta, o outro braço junto ao corpo, com a mão fechada sobre o coração.
M´boi sorri e perguntou:
"Ora, ora. Como conseguiu despertar do meu "pesadelo perpétuo"? (Nome do sono induzido no qual ela pôs todos os passageiros do trem). Você tem muita fé Naquela outra pessoa em quem você acredita."
Bianca fecha os olhos e continua:
" Vade retro satana!! Numquam suade mihi vana!!"
M´boi sente como uma onda de energia a atingisse, e dá um passo para trás. De cabeça abaixada, ela tira os cabelos de frente a face, e olha com furor. Então tosse, colocando a mão na boca. Derepente, ela olha para a mão... Havia tossido sangue.
"Sua maldita!!! Eu vou acabar com sua raça!!"
"Sunt mala quae libas,  Ipse venena bibas!!"
"Grrrrrrrrrrr!!!" Grune M´boi ao mesmo tempo que corre em direção a Bia.
Nesse instante, ela abre os olhos e grita:
"VADE RETROOOOOOOOOO!!!!!"
"Aaaaaaaaaah!!!"
Como se um golpe a tivesse acertado, Patrícia é jogada para trás e se choca com a mesma porta que tinha lançado Fafito, momentos atrás. Cai ao chão, inconsciente.
Bia, ofegante, corre até lá. Tenta levantar Fafito, dizendo:
"Anda Fá... nós temos que sair daqui, ela não vai ficar assim por muito tempo, vamos!!"
No momento em que M´boi ficou inconsciente, o trem voltou a andar. Em pouco segundos, chegou a estação Campo Limpo. Bia puxava Fá, com a mão por seu ombro e eles conseguiram sair do vagão lentamente. Fafito tinha machucado a perna quando caiu.
MAS DEREPENTE!!
Patrícia abriu os olhos.
Começou a se levantar.
As lanternas piscaram e soou a campainha que alerta os usuários de que as portas do trem irão se fechar.
Fafito e Bianca tentavam se afastar, com dificuldade já que não estava conseguindo andar, M´boi já estava de pé, as portas não se fechavam, ela estava para sair, seu olhar era de puro ódio, Fá e Bia estavam aflitos e... (BOUF!!)

Por sorte, as portas se fecharm. Patrícia os observava com as mãos grudadas aos vidros da janela. O metrô começou a andar e ela foi tomando distância... sorrindo, mas com muita maldade no olhar.
Bia e Fá, ofegantes, ficaram ali, parados por alguns segundos, perplexamente. Se olharam... sorriram.
"Você fala latim?"
"Não... (respirando afonita) É só uma oração cristã..."
"É uma oração católica.... Você não é Evangélica?"
"O Deus é o mesmo não é?..." Diz ela brava, mas relaxa e logo fala: "O diabo também."
Os dois seguem as escadas rolantes até o terminal de ônibus. Era quase meia-noite.
Num ponto onde deviam se separar, Fá aproveita para agradecer:
"Ham... Que loucura não?" disse ele sorrindo
"Pois é..." sorriu ela também.
"Como você conseguiu despertar daquela maldição?"
"Eu não cai nela, na verdade. Fingi que dormia. Eu não sei como ou por que. 
Mas acredito que sou uma menina de Deus."
Ele sorri e continua:
"Bem eu... nem sei como te agradecer."
"Relaxa... você pode contar comigo."
Eles se abraçam, e seguem caminhos opostos.
No ônibus, Fafito mal podia esperar a hora de estar em casa e poder dormir novamente.
"Preciso mesmo ter uma conversa com aquele padre."

CONTIUNA...


Um comentário:

  1. No próximo episódio: Fafito e Abaruna tem um conversa muito séria e a relação dos dois profundamente abalada. Sozinho, agora ele precisa descobrir quem eram os Grandes Mestres das Artes de Embu, dominar seus talentos e trazer devolta a cidade a proteção do mal que reinava por séculos. Fatos misteriosos como aparição de objetos voadores não identificados e incêndios sem explicação expoem a cidade nacionalmente e evidenciam que o perigo está próximo. Fá e seus amigos precisam agir.

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