"Oi, eu sou o Fá. Há alguns dias, meus amigos e eu visitamos um museu em Embu das Artes. Lá, próxímo a um túmulo, senti uma sensação estranha, como seu alguma força houvesse sido libertada. Desde então tudo mudou, e toda vez em que eu durmo sou teletransportado para o mundo das artes dos sonhos, aqui mesmo em Embu, na era medieval. Descobri que faço parte de uma linhagem de índios que protegem esta região da espreita do mal há séculos. Mas eu? Neto de negros e brancos, como poderia? Ao que parece, não sou o único. Agora preciso reunir todos esses descendentes para defender os selos das Artes que impedem as terras místicas de serem tomadas pelas forças do mal. E lá vamos nós ").
"Desde quando você tem ido para o mundo dos sonhos?" perguntou Fá para Zi.
"Segunda à noite, eu acho. Eu falei com o Chu e ele disse que aconteceu a mesma coisa."
"O quê? Com o Chu?!! Aquele filho da mãe! Eu falei com ele sobre o que estava acontecendo e ele disse que eu era louco."
"Não fica bravo Fá, eu e ele combinamos que não contariamos a nínguém. Afinal, quem iria acreditar. E depois, falei com ele ontem. Talvez tenha sido antes de você."
Fafito fica pensativo. Então pergunta:
"E o que aconteceu lá?"
"Não sei bem, muita coisa estranha. Encontrei uma amiga sua lá. Ela disse que te conhece, mas que você está do outro lado."
"Uma amiga minha? Quem poderia ser? E de que outro lado está falando?"
Zi ri por um instante, se ajeita no sofá e diz:
"Eu vou te explicar. Fecha os olhos e respira fundo. Vamos dormir."
"Ir para o mundo dos sonhos? Agora?... Não sei se é uma boa idéia." retruca Fá, olhando para os lados. Mas então olha para Zi e ela está imóvel. "Zi?..."
Escuta ela roncar. Faz cara de tacho.
"Miserável... já dormiu."
Fá encosta-se no sofá, segura a mão de Zi e fecha os olhos. Também adormece.
"Ei, olha ele ali!!"
"Hm?"
Fafito se levanta, estava antes encostado numa pedra. Era Embu das Artes, em 1920.
Ao redor do centro histórico, já se instalavam diversas comunidades, e as ruas de terra daqui a algumas décadas receberia um grande número de imigrantes japôneses, fugitivos da Segunda Grande Guerra.
Mas naquele momento, próximo a uma fonte, numa área de mata atlântica, Fafito podia avistar Zi e sua amiga Lilian, de pê a poucos metros. Os passáros cantavam e a luz do sol ofucava sua visão.
"Oi... Lilian, que prazer em vê-la. Nossa, que roupa é essa?"
A garota flerta o olhar, como cara de dúvida. Zi então fala:
"Lilian? Não é Porâsý?"
"Lilian é o meu nome na era de vocês. Prazer Fagner, que bom que está aqui."
Fafito permanece sem entender nada. Eles caminha pra as margens de um riacho e se sentam para conversar.
"Fá, a Porâsý me encontrou perdida e salvou minha vida aqui quando eu vim pela primeira vez. Ela só está aqui durante o dia, por isso eu tenho passado as madrugadas em claro. É vir perigoso durante a noite. Existem monstros e pessoas más que, eu não sei por que, querem me matar."
"Durante o dia? Entendo... é por isso que nunca nos encontramos por aqui. Po-porã... eu posso te chamar de Lilian não é?" diz Fá à garota que sorri. Ele continua. "Por que essas pessoas ou criaturas querem matar a Laninha?"
"Por que ela é a reencarnação de Kerana. Na mitologia guarani, o Grande Criador Nhanderu, deus do Sol, com a ajuda da deusa da lua, Aracy, criou os céus, a terra, as águas e todas as criaturas vivas no mundo, a partir das terras do Paraguai, Sul da Bolívia, Norte da Argentina e o Sudoeste do Brasil.
As águas, rios, lagos e neblina, criou Yara, uma entidade mística para protegê-las. Para as matas e todas as criaturas vivas, criou Caaporã. E para os céus, Tupã. Tupã também é o nome usado para se referir a Nhanderu pelos índios brasileiros.
Os homems foram elaborados durante um ritual. Moldados de argila, Tupã soprou-lhes a vida, como se fossem flautas e Tupã um grande músico. Assim nasceram Rupave e Sypave, tidos como o pai de todos os povos e mãe de todos os povos sucessivamente. Eles tiveram três filhos e diversas filhas.
O primeiro dos filhos foi Tumé Arandú, considerado o mais sábio dos homens e o grande profeta do povo Guarani.
O segundo filho foi Marangatu, um líder generoso e benevolente do seu povo, e pai de Kerana, a mãe dos sete monstros legendários do mito Guarani.
Seu terceiro filho foi Japeusá, que foi, desde o nascimento, considerado um mentiroso, ladrão e trapaceiro, sempre fazendo tudo ao contrário para confundir as pessoas e tirar vantagem delas. Ele eventualmente cometeu suicídio, afogando-se, mas foi ressuscitado como um caranguejo, e desde então todos os caranguejos foram amaldiçoados para andar para trás como Japeusá."
"Entendi. Eu já ouvi dizer que diversas comunidades tem suas lendas e mitos sobre a criação do mundo e dos seres humanos. Esta dos Guaranis é bem interessante. Mas por que eu, a Zi, o Chu viemos para este mundo? Existe alguma relação com a lenda da criação?"
"Kerana é filha de Marangatu. Segundo a lenda, Tau, a personificação do mal, sequestra Kerana e tem com ela sete filhos. A deusa Aracy os amaldiçoa, e seus filhos nascem como bestas mitológicas, criaturas horríveis que espalham o mal pelo mundo."
"As pessoas que tentam me matar Fá, não estão a seviço do mal. Alguns eram bandeirantes, aqueles que desbravavam os territórios desconhecidos na época do descobrimento. Outros, são criaturas evocadas pelos xamãs de tribos indígenas que acreditam que, a minha morte, é o único jeito de evitar que essas criaturas voltem a vida nos tempos de hoje."
"Voltarem a vida por que? Elas foram mortas?"
"Naquele tempo, as lendas não eram escritas, eram faladas de boca em boca, e muita coisa permanece um mistério. Entendo que os selos lacraram o mal, restringindo suas ações a raras aparições em lugares distintos." Explica Lilian a Fafito.
"Nossa!! Que história. Por que o velho padre não me falou nada a respeito?"
"Por que ele não quer que você saiba. Na verdade, não quer que ninguém saiba. A sua religião esconde muita coisa, para não causar uma pandemia de pânico no mundo. Os casos de possessões demoníacas tem aumentado cada vez mais, as destruições do meio ambiente, catástrofes naturais, são todos prelurdios do que está por vir."
"O fim do mundo? E a igreja sabe de tudo isso? Será?" Perguntou Fafito.
"Eu não sei Fafito, mas já ouvi o pastor falando em Mt 24. O princípio das dores." respondeu-lhe Zi, e Lilian continuou:
"Pois sim, o fim do mundo estará próximo, e ele começa aqui. Mas não virá sem guerra. E Tau irá querer levar consigo o máximo de almas que conseguir, e tirar as vidas daqueles que foram escolhidos, pelo o meu ou o seu Deus. Na verdade só existe um. Você, Zi e seus amigos são descendentes da origem legítima, dos primeiros homens e mulheres. Sua reencarnação na terra mostra que não estão aqui a toa. Os selos estão enfraquecidos. Precisam protegê-los."
Fá e Zi olharam-se. Um não sabia se o outro acreditava em tudo aquilo e por isso tinha medo de dizer que acreditava. E como não crêr? Tinham adormecido no sofá e estavam às margens de um rio em tão pouco tempo. Lilian despediu-vos.
"Agora precisam voltar. Fá, localize os portais. Descubra onde está cada um deles. Você precisará reunir todos os descentes e resignar um para cada portal e guardá-lo com a própria vida. Com a morte dos grandes mestres, os portais são nossa única salvação."
"Reunir os descendentes? Como assim? Como saberei quem eles são?"
"Você saberá. (risos) Agora vá."
Zi se levanta e o chama até a beira do riacho. Faz uma concha com as mãos e enche-a de água. Olha pra ele e fala:
"Vem Fá. Você precisa beber a água para voltar."
"Beber a água?" Pensa ele, se abaixando junto as águas. Ele então repete o gesto dela.
Ao abrir os olhos estava na sala de Laninha. Ela o olha e sorri:
"Viu que legal? Somos descendentes legítimos."
"Descendentes legítimos? Se todos nasceram do mesmo pai e da mesma mãe, logo todos não seriam descendentes?"
"Ela quis dizer, descendentes que reencarnaram. E eu sou neta do primeiro homem."
"Eh... quem será que eu sou? Sempre tive um instinto de liderança. Devo ser Marangatu, seu pai."
"Papai!!" Diz ela e os dois riem muito. Fá pergunta intrigado.
"Como sabe que a água teletransporta dessa forma suave? Costumo sair quebrando tudo quando meu espírito volta ao corpo."
"Porãsý me ensinou. Quando estamos no outro mundo, assim que alguém ou alguma coisa nos acorda aqui na terra, voltamos imediatamente. Mas se quisermos voltar a qualquer hora, basta ingerir terra ou água. Terra em último caso, pois deixa a alma pesada e acontece o que você viu lá como a minha cama."
"Sei bem... agora eu durmo no chão." Diz Fafito. Ele suspira e propõe em seguida:
"Localizar os portais... encontrar os descendentes. Ok. Vamos nessa!!"
sábado, 30 de julho de 2011
segunda-feira, 25 de julho de 2011
e NoS pRóXiMOS cApÍtULOs...
"Quando Fá e Zi descobrem que não são os únicos a entrarem no mundo das Artes dos Sonhos, M´boi surge como uma mulher e faz uma revelação para Fafito. Agora a Arte dos Sonhos se mistura com a do mundo real, e põe em risco a vida de todos os inoscentes. Os treze portais estão abertos, Fafito precisa convocar seus amigos para protegê-los. Se as almas de Rupave e Sypave e dos seus filhos reencarnarem, trarão uma nova era, e tudo que existe aqui acabará. Como Fá e seus amigos poderão impedir isto? Não perca, nos próximos episódos de:
"tHE aRt OF dREamS"
IX - "LiBerA nOS a MaLO"
"Oi, eu sou o Fá, e a cidade onde eu moro, Embu das Artes, foi fundada apartir de uma aldeia, ha 457 anos atrás. Naquele tempo, um índio salvou a vida de um padre, mas foi morto em seguida por uma serpente, M´boi, na língua dos índios. Entretanto, na verdade todos estes personagens apenas representavam uma batalha espiritual que tornou essas terras místicas objeto de cobiça entre o bem e o mal. Eu o que tenho haver com isso? Quase nada, só sou a reencarnação desse índio e agora tenho que dividir o meu dia entre trabalhar, estudar e salvar o mundo do mal. Moleza. (risos) Ai, ai... Bem vindos ao meu mundo. Loucura? Vamos nessa!"
Fafito abriu os olhos...
Foi lançado para cima, bateu a cara e o peito no teto e caiu em cima do colchão!!
(PAF!! PUF!!)
"Aaaahhhhhhh!!!' puxando o ar, como se antes estivesse sem respirar.
O lustre balançava de um lado para o outro.
O celular despertava, a televisão estava ligada.
Tinha voltado para o seu mundo.
Pôs as mãos no rosto... chorava.
"O que é isso?... O que está acontecendo? Céus, isso tem que parar..."
Soluçava, fungando e esfregando o nariz.
Então rangeu os dentes, rapidamente trocou de roupa e saiu, sem mochila nem nada.
Tomou o ônibus para o trabalho.
Sentou-se à janela, fechou os olhos e ficou sussurando para si mesmo:
"Dorme, dorme, dorme, dorme..." mas pensava: "Senhor, a garota... Que hora de acordar.. eu a deixei sozinha..." Quando abriu os olhos, já havia amanhecido.
Estava no mesmo lugar daquela batalha.
Tudo estava destruído e algumas árvores e arbustros pegavam fogo.
"Onde está?!! Onde está?!!"
"Por que você voltou?"
Fafito virou-se.
"Padre!!" sorriu. "Padre, o que aconteceu? Cade a garota?"
Abaruna caminhou em direção a igreja.
"EI!! Você não me ouviu?!! Onde estão os índios?!!"
O padre olhou para trás. Fafito olhava pra ele... mas seu sorriso foi ficando sem graça.
"ESTÃO TODOS MORTOS!!"
Fá levou um choque. Como se o mundo todo sumisse e só estivesse eles ali.
Trêmulo, falou:
"Mortos... Todos mortos?"
"Eu lhe disse desde o princípio garoto. Isto já aconteceu, estamos no passado. E não havia nada que você pudesse fazer por aquelas pessoas."
Ele então abaixou a cabeça. Uma lágrima escorria de seu olho.
"Porquê?..."
MAS SUBITAMENTE
As criaturas surgiram por suas costas para lhe atacar novamente.
Fafito as percebeu, mas permaneceu imóvel. Talvez pelo choque psicológico no qual se encontrava, ou por que estava cansado de tudo aquilo, e não se importava de morrer para acabar com aquele sofrimento.
O padre olhou para ele, olhou para ele denovo e, notando que ele não iria se defender, virou-se, levantando a mão e, assim que os monstros iam dar o bote, gritou:
"Libera nos a malo!!"
E as criaturas se dissparam.
Apenas uma fumaça negra atingiu Fá, mas logo se dispersou, e nada delas restou.
Fafito levou o olhar, antes ao chão, para os olhos do padre.
Então voltou a si. E mumurrou...
"Você podia ter feito isso?..." O padre permaneceu em silêncio, apenas abaixou a mão. "Você disse que eu não poderia fazer nada... mas a verdade você poderia?" E logo gritando: "VOCÊ PODERIA TER SALVO AQUELAS PESSOA A QUALQUER MOMENTO!!!!"
Abaruma desviou o olhar. Fafito em desepero, sulplicou com voz de choro:
"Por que você não fez?...." (soluçando) "EU PERGUNTEI PORQUE!!!!"
O padre respirou fundo, seguia em direção a Fá. Abaixou-se e pegou um punhado de terra. Então levantou e falou:
"A guerra que estamos enfrentando é muito maior que esta batalha..."
"Por que você não fez..." (choramingando)
"As pessoas Fafito, morrem... tá? Elas morrem de um jeito ou de outro, elas morrem. Mas às vezes elas permanecem aqui, como eu e você, vagando por esta terra por que elas não terminaram o que tinha que ser feito e não podem descansar em paz."
Ele segurou seu queixo com uma mão e pôs a terra em sua boca com a outra, dizendo:
"Nós precisamos terminar isso aqui, se não... isso nunca vai acabar. Mas eu preciso Fagner que você me ouça. Que você trabalhe comigo, que você confie em mim!!"
Fez um sinal da cruz em sua testa. Fafito, em lágrimas, com o olhar a se perder no horizonte, imóvel e com a boca cheia de terra, olhou para o padre.
"Agora, você precisa voltar. Trabalhar, lembra?" (sorriu) "Não deve estar aqui durante o dia. Nós vamos conseguir Fá, vamos sim, nós vamos vencer. E não haverá mais sangue ou guerra, nem mortes... Mas você precisa confiar em mim, tudo bem?"... "Tudo bem?!"
Fafito move um pouco a cabeça .
"Bom garoto. (risos) Agora vá, e tenha um bom dia"
E bate com o calcanhar da mão em sua testa.
A alma de Fá voltou para seu corpo, mas como o ônibus estava em movimento, acabou parando inesperadamente, e todos os passageiros foram lançados para frente, como se o veículo tivesse batido.
Houve gritaria, gente machucada, pessoas discutindo, sem entender nada.
Fá apenas abaixou a cabeça entre as pernas e cuspiu toda a lama.
As pessoas pensaram que ele estava vomitando, ou cuspindo sangue por causa da batida.
Todos tiveram que descer do ônibus para serem atendidos.
Mas Fafito parecia não estar ali. Apenas um corpo vagando, vazio... ou cheio de dúvidas.
Logo voltou a si e percebeu o que tinha feito.
"As pessoas se machucaram por minha culpa... Que droga está acontecendo? Por que tinha que ser comigo? Eu tô cansado disso... eu não vou trabalhar..." pensou ele. Atravessou a rua e pegou outro ônibus, sentido Embu das Artes.
No caminho, olhava pela janela, mas não enchergava nada. Nada além das cenas daquela noite. Dentro do lago, os monstros, as lutas, as pessoas que haviam morrido.
Nunca havia sentido tando medo, tanta raiva, tanta tristeza, num só momento. Sentia-se sozinho. Diferentemente do outro ônibus que estava, quando o mesmo se encontrava lotado por que várias pessoas estavam indo trabalhar, este de agora estava completamente vazio, por que quase ninguém voltava aquele horário.
Os minutos passavam e ele estava exausto mas não sentia vontade de dormir. De morrer, talvez.
Foi quando o telefone tocou:
"Alô? Fagner? Você já está chegando aqui no trabalho?"
"...Eu não vou trabalhar hoje..." dizia ele, apático e pausadamente.
"Não, aconteceu alguma coisa?"
"eu... tô... doente..."
"E o que você tem?"
"... dor..."
"Ah tá, entendi. Então procura ajuda."
"pode deixar... obrigado."
"Tá bom, melhoras tá. Beijo."
Fá somente balançou a cabeça. Estava aéreo. Desligou o celular.
Quando o ônibus se aproximava de casa, ele desceu um ponto antes. Ia visitar uma amiga.
A campainha tocou.
"Fá?"
"Oi." respondeu ele, sem graça.
"Tá tudo bem?"
"Han... tá, é... eu só vim falar um oi."
"Tá zuando né Fá?... São sete da manhã... "
Fá abaixa a cabeça, fica pensativo.
"Que cara é essa? O que aconteceu? Você não foi trabalhar hoje?"
"Eu... eu preciso de ajuda."
Zi respira fundo e pede para ele entrar.
Após servir um café ela então pergunta mais uma vez o que aconteceu. Não era preciso saber muito a respeito de Fafito para notar que ele não estava bem. Mas zi, mais do que ninguém podia perceber. Ela notaria isso a quilômetros de distância.
Fá então contou toda a história, desde o domingo no museu, até aquela terça feira de manhã, quando ele comeu barro pela última vez.
"Então é isso eu, eu to com medo de dormir. Eu não quero voltar naquele mundo infeliz, não aguento mais, eu quero minha vidinha de sempre, levantar cedo, ir para o trabalho, ir pra faculdade, sabe? Uma vida normal... só isso..."
Zi permanece olhando seriamente para Fá.
"Você não tá acreditando né? Tá bom, pode falar que eu sou louco, vai fala!"
"Louco você é, com certeza..."
Fafito suspira, mas Zi pede que ele levante e a acompanhe.
Eles chegam a porta do quarto dela. Ela abre a porta e ele se espanta!!
A cama dela estava toda destruída e o chão repleto de rachaduras.
"... mas não é o único." Termina ela com um sorriso no rosto.
Eles se entreolham e riem muito.
"Mas como?"
"Vamo voltar lá pra sala, agora é sua vez de escutar."
CONTINUA...
Fafito abriu os olhos...
Foi lançado para cima, bateu a cara e o peito no teto e caiu em cima do colchão!!
(PAF!! PUF!!)
"Aaaahhhhhhh!!!' puxando o ar, como se antes estivesse sem respirar.
O lustre balançava de um lado para o outro.
O celular despertava, a televisão estava ligada.
Tinha voltado para o seu mundo.
Pôs as mãos no rosto... chorava.
"O que é isso?... O que está acontecendo? Céus, isso tem que parar..."
Soluçava, fungando e esfregando o nariz.
Então rangeu os dentes, rapidamente trocou de roupa e saiu, sem mochila nem nada.
Tomou o ônibus para o trabalho.
Sentou-se à janela, fechou os olhos e ficou sussurando para si mesmo:
"Dorme, dorme, dorme, dorme..." mas pensava: "Senhor, a garota... Que hora de acordar.. eu a deixei sozinha..." Quando abriu os olhos, já havia amanhecido.
Estava no mesmo lugar daquela batalha.
Tudo estava destruído e algumas árvores e arbustros pegavam fogo.
"Onde está?!! Onde está?!!"
"Por que você voltou?"
Fafito virou-se.
"Padre!!" sorriu. "Padre, o que aconteceu? Cade a garota?"
Abaruna caminhou em direção a igreja.
"EI!! Você não me ouviu?!! Onde estão os índios?!!"
O padre olhou para trás. Fafito olhava pra ele... mas seu sorriso foi ficando sem graça.
"ESTÃO TODOS MORTOS!!"
Fá levou um choque. Como se o mundo todo sumisse e só estivesse eles ali.
Trêmulo, falou:
"Mortos... Todos mortos?"
"Eu lhe disse desde o princípio garoto. Isto já aconteceu, estamos no passado. E não havia nada que você pudesse fazer por aquelas pessoas."
Ele então abaixou a cabeça. Uma lágrima escorria de seu olho.
"Porquê?..."
MAS SUBITAMENTE
As criaturas surgiram por suas costas para lhe atacar novamente.
Fafito as percebeu, mas permaneceu imóvel. Talvez pelo choque psicológico no qual se encontrava, ou por que estava cansado de tudo aquilo, e não se importava de morrer para acabar com aquele sofrimento.
O padre olhou para ele, olhou para ele denovo e, notando que ele não iria se defender, virou-se, levantando a mão e, assim que os monstros iam dar o bote, gritou:
"Libera nos a malo!!"
E as criaturas se dissparam.
Apenas uma fumaça negra atingiu Fá, mas logo se dispersou, e nada delas restou.
Fafito levou o olhar, antes ao chão, para os olhos do padre.
Então voltou a si. E mumurrou...
"Você podia ter feito isso?..." O padre permaneceu em silêncio, apenas abaixou a mão. "Você disse que eu não poderia fazer nada... mas a verdade você poderia?" E logo gritando: "VOCÊ PODERIA TER SALVO AQUELAS PESSOA A QUALQUER MOMENTO!!!!"
Abaruma desviou o olhar. Fafito em desepero, sulplicou com voz de choro:
"Por que você não fez?...." (soluçando) "EU PERGUNTEI PORQUE!!!!"
O padre respirou fundo, seguia em direção a Fá. Abaixou-se e pegou um punhado de terra. Então levantou e falou:
"A guerra que estamos enfrentando é muito maior que esta batalha..."
"Por que você não fez..." (choramingando)
"As pessoas Fafito, morrem... tá? Elas morrem de um jeito ou de outro, elas morrem. Mas às vezes elas permanecem aqui, como eu e você, vagando por esta terra por que elas não terminaram o que tinha que ser feito e não podem descansar em paz."
Ele segurou seu queixo com uma mão e pôs a terra em sua boca com a outra, dizendo:
"Nós precisamos terminar isso aqui, se não... isso nunca vai acabar. Mas eu preciso Fagner que você me ouça. Que você trabalhe comigo, que você confie em mim!!"
Fez um sinal da cruz em sua testa. Fafito, em lágrimas, com o olhar a se perder no horizonte, imóvel e com a boca cheia de terra, olhou para o padre.
"Agora, você precisa voltar. Trabalhar, lembra?" (sorriu) "Não deve estar aqui durante o dia. Nós vamos conseguir Fá, vamos sim, nós vamos vencer. E não haverá mais sangue ou guerra, nem mortes... Mas você precisa confiar em mim, tudo bem?"... "Tudo bem?!"
Fafito move um pouco a cabeça .
"Bom garoto. (risos) Agora vá, e tenha um bom dia"
E bate com o calcanhar da mão em sua testa.
A alma de Fá voltou para seu corpo, mas como o ônibus estava em movimento, acabou parando inesperadamente, e todos os passageiros foram lançados para frente, como se o veículo tivesse batido.
Houve gritaria, gente machucada, pessoas discutindo, sem entender nada.
Fá apenas abaixou a cabeça entre as pernas e cuspiu toda a lama.
As pessoas pensaram que ele estava vomitando, ou cuspindo sangue por causa da batida.
Todos tiveram que descer do ônibus para serem atendidos.
Mas Fafito parecia não estar ali. Apenas um corpo vagando, vazio... ou cheio de dúvidas.
Logo voltou a si e percebeu o que tinha feito.
"As pessoas se machucaram por minha culpa... Que droga está acontecendo? Por que tinha que ser comigo? Eu tô cansado disso... eu não vou trabalhar..." pensou ele. Atravessou a rua e pegou outro ônibus, sentido Embu das Artes.
No caminho, olhava pela janela, mas não enchergava nada. Nada além das cenas daquela noite. Dentro do lago, os monstros, as lutas, as pessoas que haviam morrido.
Nunca havia sentido tando medo, tanta raiva, tanta tristeza, num só momento. Sentia-se sozinho. Diferentemente do outro ônibus que estava, quando o mesmo se encontrava lotado por que várias pessoas estavam indo trabalhar, este de agora estava completamente vazio, por que quase ninguém voltava aquele horário.
Os minutos passavam e ele estava exausto mas não sentia vontade de dormir. De morrer, talvez.
Foi quando o telefone tocou:
"Alô? Fagner? Você já está chegando aqui no trabalho?"
"...Eu não vou trabalhar hoje..." dizia ele, apático e pausadamente.
"Não, aconteceu alguma coisa?"
"eu... tô... doente..."
"E o que você tem?"
"... dor..."
"Ah tá, entendi. Então procura ajuda."
"pode deixar... obrigado."
"Tá bom, melhoras tá. Beijo."
Fá somente balançou a cabeça. Estava aéreo. Desligou o celular.
Quando o ônibus se aproximava de casa, ele desceu um ponto antes. Ia visitar uma amiga.
A campainha tocou.
"Fá?"
"Oi." respondeu ele, sem graça.
"Tá tudo bem?"
"Han... tá, é... eu só vim falar um oi."
"Tá zuando né Fá?... São sete da manhã... "
Fá abaixa a cabeça, fica pensativo.
"Que cara é essa? O que aconteceu? Você não foi trabalhar hoje?"
"Eu... eu preciso de ajuda."
Zi respira fundo e pede para ele entrar.
Após servir um café ela então pergunta mais uma vez o que aconteceu. Não era preciso saber muito a respeito de Fafito para notar que ele não estava bem. Mas zi, mais do que ninguém podia perceber. Ela notaria isso a quilômetros de distância.
Fá então contou toda a história, desde o domingo no museu, até aquela terça feira de manhã, quando ele comeu barro pela última vez.
"Então é isso eu, eu to com medo de dormir. Eu não quero voltar naquele mundo infeliz, não aguento mais, eu quero minha vidinha de sempre, levantar cedo, ir para o trabalho, ir pra faculdade, sabe? Uma vida normal... só isso..."
Zi permanece olhando seriamente para Fá.
"Você não tá acreditando né? Tá bom, pode falar que eu sou louco, vai fala!"
"Louco você é, com certeza..."
Fafito suspira, mas Zi pede que ele levante e a acompanhe.
Eles chegam a porta do quarto dela. Ela abre a porta e ele se espanta!!
A cama dela estava toda destruída e o chão repleto de rachaduras.
"... mas não é o único." Termina ela com um sorriso no rosto.
Eles se entreolham e riem muito.
"Mas como?"
"Vamo voltar lá pra sala, agora é sua vez de escutar."
CONTINUA...
sábado, 23 de julho de 2011
VIII - "NiGUéM vAi mORrER aQui!!"
Os guerreiros saíram correndo em direção ao ogro.
A certa distância, três deles lançaram flechas, elas o atingiram no ombro esquerdo, no pescoço e na parte direita do tórax, mas o monstro não diminuiu a velocidade.
Apenas retirou a flecha do pescoço e a moeu com uma das mãos, a mesma que usou para golpear o grupo quando se aproximou.
Os índios dispersaram, mas um deles foi atingido no peito e lançado com violência vários metros de distância, floresta à dentro.
Fafito corria pela lateral e fez esforço tremendo para levantar a espada em sua direção.
Mas ela era muito pesada e por isso não iria atingir a criatura além da perna esquerda.
Nem teve tempo, o monstro percebeu sua investida, desviou com facilidade, girando, e assim que o garoto passou em falso, recebeu um chute nas costas e saiu girando no ar, quebrando as portas da igreja e só parando ao se chocar com o crucifíxo na parede do altar.
Ali caiu no chão, sufocando em dor, com a pueria no ar, sem conseguir se mexer. Devia ter quebrado vários ossos após aquele ataque.
Lá fora a batalha continuava. Os outros dois índios, um por cada lado, laçaram o monstro que ficou imobilizado com os braços junto ao corpo. A guerreira veio pro trás e acertou-lhe o cajado acima da panturilha, fazendo sua perna dobrar e o joelho tocar o chão.
Mas o ogro furioso, fez força e se libertou dos laços, pegou cada cipó com as mãos e arremessou os índios que a seguravam em direção opostas, fazendo-os se chocarem ao chão. Virou-se com furor e deparou-se com a guerreira índia, segurando seu cajado.
Ela dava leves passos para trás, com respiração ofegante, encarando seu inimigo, aquela criatura horrenda, que babava e exibia um olhar de puro ódio.
Na igreja, o padre caminhava em direção a Fafito. Levantou a mesa que havia tombado por cima do garoto e o encontrou arquejante, com um corte no rosto sujo de sangue e terra.
"P-porquê?... Porquê me fez buscar essa... essa armadura idiota que não serve pra nada!!!" bravejou com dificuldade Fafito.
"Por que ela ainda não está pronta."
"Han.. pronta?"
"A armadura guarda o espírito do velho guerreiro, ela precisa ser abençoada para que quando o espírito desperte, ele esteja do nosso lado. Quando isso acontecer, você terá uma incrível força, agilidade, técnicas de luta que nunca imaginou ter. Porém, somente enquanto a vestir. Agora, se o espírito despertar antes da benção, ele agregará vontades próprias e será difícil de domá-lo. Em outras palavras, poderá tender para o bem... ou para o mal."
Fafito se levantou com grande esforço. Tinha a postura meio curva, devido ao peso do de ouro que vestia, e com os braços estendidos para baixo, também por causa dos acessórios de prata, o escudo no braço esquerdo e a espada no direito, os quais ele não conseguia levantar. Respirava fundo e tinha o pensamento distante quando Abaruna lhe falou:
"Eu disse para você não lutar ainda. Agora vamos embora."
"Não!"
"O que disse?"
"Você quer que nós dois nos viremos e simplesmente irmos embora deixando tudo aqui do jeito que está?" sussurou Fá de cabisbaixo. E derepente levantou o olhar e gritou:
"Que tipo de herói você pensa que eu sou?!
EU NÃO VOU DEIXAR AQUELAS PESSOAS MORREREM!!!"
O padre olhou com indignação e pensou consigo: "Mas que moleque idiota! Se for lá fora vai acabar morrendo. Entretanto... se ele continuar se irritando tanto, vai acabar despertanto o espírito. É melhor deixar ele fazer o que quizer. Não poderá fazer muito, afinal."
"Tudo bem... vai enfrente, herói... Boa sorte."
Fafito se acalmou, mas fechou a cara e encarou bem o sorriso sarcástico de Abaruna, enquanto passava por ele, em direção a saída. Seguiu deixando um arranhão no chão de madeira, causado pela ponta da espada que ele arrastava.
Quando saiu, voltou a se enfurecer à cena que via: O ogro pisava na cabeça de um dos índios guerreiros e gargalhava de exaltação. Os olhos do índio, já morto, olhavam para os de Fafito. Fá então, frisou o olhar, rangeu os dentes e saiu correndo em sua direção.
O monstro o observou e disse com a voz tenebrosa.
"Você denovo fedelho? Você é uma piada, mal pode segurar sua espada! Ha! Ha! Ha!"
"Agora você vai ver seu desgraçado!!!" disse Fá ao correr, mas a única coisa que conseguiu fazer foi levantar centímetros o escudo, e se virar de lado, no instante em que o monstro lhe atingiu com um soco e ele saiu arrastando a face na terra por diversos metros adiante.
O vento soprava a terra por cima de seu corpo. Tentou levantar o rosto do chão. Estava todo rasgado e em carne viva, e ele pensava:
"Caraca... se não fosse o escudo, estaria morto. Maldição!! Não é possível que... eu não possa fazer nada?!!"
E subtamente, a india guerreira tentava atacar o ogro. Enquanto Fá estava na igreja, a luta havia continuado e ela ja estava bastante ferida. Naquele momento, o monstro a desarmou e a segurou pelo pescoço, erguendo-a a metros do chão. Ela chorava, ao mesmo tempo que tentava se libertar, e gritava de dor.
"A... garota..."
Fafito sentiu um pulsar da espada. Logo do escudo, e por ultimo do gibão. A mesma sensação que sentiu quando se aproximou do crucifixo no pátio do museu da Arte Sacra.
Furioso, ele se levantou com dificuldade... então parou e observou.
"Está leve? A espada... o escudo e até a roupa, estão todos leves. Parece que não carrego peso nenhum!!" disse surpreso. Então focou seu alvo e continuou: "Você vai me pagar!!"
O ogro sorria com seus dentes empodrecidos no instante em que algo lhe atingiu como um raio!! A garota veio ao chão, se retorcendo, tentando se libertar e o ogro permaneceu perplexo, com os olhos arregalados.
Logo então a garota consegui se livrar dos dedos que lhe sulfocavam a garganta e se afastou, rastejando. Olhando absmada... o braço do monstro que tinha sido amputado de seu corpo. O ogro começou a berrar de dor e a jorrar sangue preto como tinta por todo lado. Fafito havia lançado a espada de longe, decepado o braço do ogro e vinha caminhando triunfante em sua direção.
"Moleque maldito!! Dessa vez vou te mandar para o inferno!!"
O monstro ia correndo ao seu encontro. Fafito então tirou o escudo do braço, deu uma giratória e o lançou. DEREPENTE!! (FLAP!!) O monstro parou... com os olhos abertos... surpreendido, incrédulo. Desabou com metade do escudo cravado em seu abdomen.
Fá chegou próximo ao cadáver, pisou em seu pé e segurou o escudo, puxando-o.
Mas o escudo estava tão encravado que, ao puxar, Fafito levantou o ogro também, uma vez que o escudo não saiu.
"Nossa!.. Da onde veio essa força? Como eu consigo levantar um monstro desses sem esforço algum?" pensou ele surpreso.
Mas então, a criatura que antes fora uma mulher e o cavaleiro obscuro vieram correndo atáca-los.
O que estava montado no cavalo logo se aproximou e preparava atacar com uma espada.
Fafito tentava a todo custo liberar o escudo de dentro das entranhas do ogro, com mais aflição a medida que o cavaleiro se aproximava, apenas se encolheu e o cavaleiro passou por ele... decepando a cabeça do ogro.
Fá olhou para o homem. "Ele errou..." pensava. Então puxou com toda a força e conseguiu tirar o escudo. Voltou a pô-lo no braço. Mas percebendo que a garota corria perigo, correu para socorre-lá.
A aberração abriu a imensa mandíbula e lançou uma labareda de fogo!!
Fafito saltou e com o escudo protegeu a si e a índia que estava jogada no chão.
"Você está bem?!" gritou com ela enquanto o ataque não cesava.
"Não!! A gente vai morrer aqui!!"
"Não vamos não!!! Ninguém vai morrer aqui!! Você consegue andar?"
Ela balanço a cabeça demonstrando que sim.
"Ahhhh!!" gemeu ele de dor, pois o fogo esquentou todo o escudo de prata e este queimava sua carne.
A besta parou para tomar fôlego. Fá segurou a garota pelo braço e disse:
"Vem!! Vamos para igreja!!"
Mas quando corriam, tropeçaram.
A criatura, meio mulher, meio aranha, veio rastejando com seus oito membros e abriu sua babenta boca. Pelo outro lado, o cavaleiro vinha se aproximando com a espada empunhada pronto para atacar.
Deitados no chão, Fá deitou-se em cima da india com o escudo no braço esquerdo para os proteger, virou o rosto e fechou os olhos com medo.
A criatura lançou o fogo!! O caveleiro lançou a espada!!
"Vamos morrer..."
CONTINUA...
A certa distância, três deles lançaram flechas, elas o atingiram no ombro esquerdo, no pescoço e na parte direita do tórax, mas o monstro não diminuiu a velocidade.
Apenas retirou a flecha do pescoço e a moeu com uma das mãos, a mesma que usou para golpear o grupo quando se aproximou.
Os índios dispersaram, mas um deles foi atingido no peito e lançado com violência vários metros de distância, floresta à dentro.
Fafito corria pela lateral e fez esforço tremendo para levantar a espada em sua direção.
Mas ela era muito pesada e por isso não iria atingir a criatura além da perna esquerda.
Nem teve tempo, o monstro percebeu sua investida, desviou com facilidade, girando, e assim que o garoto passou em falso, recebeu um chute nas costas e saiu girando no ar, quebrando as portas da igreja e só parando ao se chocar com o crucifíxo na parede do altar.
Ali caiu no chão, sufocando em dor, com a pueria no ar, sem conseguir se mexer. Devia ter quebrado vários ossos após aquele ataque.
Lá fora a batalha continuava. Os outros dois índios, um por cada lado, laçaram o monstro que ficou imobilizado com os braços junto ao corpo. A guerreira veio pro trás e acertou-lhe o cajado acima da panturilha, fazendo sua perna dobrar e o joelho tocar o chão.
Mas o ogro furioso, fez força e se libertou dos laços, pegou cada cipó com as mãos e arremessou os índios que a seguravam em direção opostas, fazendo-os se chocarem ao chão. Virou-se com furor e deparou-se com a guerreira índia, segurando seu cajado.
Ela dava leves passos para trás, com respiração ofegante, encarando seu inimigo, aquela criatura horrenda, que babava e exibia um olhar de puro ódio.
Na igreja, o padre caminhava em direção a Fafito. Levantou a mesa que havia tombado por cima do garoto e o encontrou arquejante, com um corte no rosto sujo de sangue e terra.
"P-porquê?... Porquê me fez buscar essa... essa armadura idiota que não serve pra nada!!!" bravejou com dificuldade Fafito.
"Por que ela ainda não está pronta."
"Han.. pronta?"
"A armadura guarda o espírito do velho guerreiro, ela precisa ser abençoada para que quando o espírito desperte, ele esteja do nosso lado. Quando isso acontecer, você terá uma incrível força, agilidade, técnicas de luta que nunca imaginou ter. Porém, somente enquanto a vestir. Agora, se o espírito despertar antes da benção, ele agregará vontades próprias e será difícil de domá-lo. Em outras palavras, poderá tender para o bem... ou para o mal."
Fafito se levantou com grande esforço. Tinha a postura meio curva, devido ao peso do de ouro que vestia, e com os braços estendidos para baixo, também por causa dos acessórios de prata, o escudo no braço esquerdo e a espada no direito, os quais ele não conseguia levantar. Respirava fundo e tinha o pensamento distante quando Abaruna lhe falou:
"Eu disse para você não lutar ainda. Agora vamos embora."
"Não!"
"O que disse?"
"Você quer que nós dois nos viremos e simplesmente irmos embora deixando tudo aqui do jeito que está?" sussurou Fá de cabisbaixo. E derepente levantou o olhar e gritou:
"Que tipo de herói você pensa que eu sou?!
EU NÃO VOU DEIXAR AQUELAS PESSOAS MORREREM!!!"
O padre olhou com indignação e pensou consigo: "Mas que moleque idiota! Se for lá fora vai acabar morrendo. Entretanto... se ele continuar se irritando tanto, vai acabar despertanto o espírito. É melhor deixar ele fazer o que quizer. Não poderá fazer muito, afinal."
"Tudo bem... vai enfrente, herói... Boa sorte."
Fafito se acalmou, mas fechou a cara e encarou bem o sorriso sarcástico de Abaruna, enquanto passava por ele, em direção a saída. Seguiu deixando um arranhão no chão de madeira, causado pela ponta da espada que ele arrastava.
Quando saiu, voltou a se enfurecer à cena que via: O ogro pisava na cabeça de um dos índios guerreiros e gargalhava de exaltação. Os olhos do índio, já morto, olhavam para os de Fafito. Fá então, frisou o olhar, rangeu os dentes e saiu correndo em sua direção.
O monstro o observou e disse com a voz tenebrosa.
"Você denovo fedelho? Você é uma piada, mal pode segurar sua espada! Ha! Ha! Ha!"
"Agora você vai ver seu desgraçado!!!" disse Fá ao correr, mas a única coisa que conseguiu fazer foi levantar centímetros o escudo, e se virar de lado, no instante em que o monstro lhe atingiu com um soco e ele saiu arrastando a face na terra por diversos metros adiante.
O vento soprava a terra por cima de seu corpo. Tentou levantar o rosto do chão. Estava todo rasgado e em carne viva, e ele pensava:
"Caraca... se não fosse o escudo, estaria morto. Maldição!! Não é possível que... eu não possa fazer nada?!!"
E subtamente, a india guerreira tentava atacar o ogro. Enquanto Fá estava na igreja, a luta havia continuado e ela ja estava bastante ferida. Naquele momento, o monstro a desarmou e a segurou pelo pescoço, erguendo-a a metros do chão. Ela chorava, ao mesmo tempo que tentava se libertar, e gritava de dor.
"A... garota..."
Fafito sentiu um pulsar da espada. Logo do escudo, e por ultimo do gibão. A mesma sensação que sentiu quando se aproximou do crucifixo no pátio do museu da Arte Sacra.
Furioso, ele se levantou com dificuldade... então parou e observou.
"Está leve? A espada... o escudo e até a roupa, estão todos leves. Parece que não carrego peso nenhum!!" disse surpreso. Então focou seu alvo e continuou: "Você vai me pagar!!"
O ogro sorria com seus dentes empodrecidos no instante em que algo lhe atingiu como um raio!! A garota veio ao chão, se retorcendo, tentando se libertar e o ogro permaneceu perplexo, com os olhos arregalados.
Logo então a garota consegui se livrar dos dedos que lhe sulfocavam a garganta e se afastou, rastejando. Olhando absmada... o braço do monstro que tinha sido amputado de seu corpo. O ogro começou a berrar de dor e a jorrar sangue preto como tinta por todo lado. Fafito havia lançado a espada de longe, decepado o braço do ogro e vinha caminhando triunfante em sua direção.
"Moleque maldito!! Dessa vez vou te mandar para o inferno!!"
O monstro ia correndo ao seu encontro. Fafito então tirou o escudo do braço, deu uma giratória e o lançou. DEREPENTE!! (FLAP!!) O monstro parou... com os olhos abertos... surpreendido, incrédulo. Desabou com metade do escudo cravado em seu abdomen.
Fá chegou próximo ao cadáver, pisou em seu pé e segurou o escudo, puxando-o.
Mas o escudo estava tão encravado que, ao puxar, Fafito levantou o ogro também, uma vez que o escudo não saiu.
"Nossa!.. Da onde veio essa força? Como eu consigo levantar um monstro desses sem esforço algum?" pensou ele surpreso.
Mas então, a criatura que antes fora uma mulher e o cavaleiro obscuro vieram correndo atáca-los.
O que estava montado no cavalo logo se aproximou e preparava atacar com uma espada.
Fafito tentava a todo custo liberar o escudo de dentro das entranhas do ogro, com mais aflição a medida que o cavaleiro se aproximava, apenas se encolheu e o cavaleiro passou por ele... decepando a cabeça do ogro.
Fá olhou para o homem. "Ele errou..." pensava. Então puxou com toda a força e conseguiu tirar o escudo. Voltou a pô-lo no braço. Mas percebendo que a garota corria perigo, correu para socorre-lá.
A aberração abriu a imensa mandíbula e lançou uma labareda de fogo!!
Fafito saltou e com o escudo protegeu a si e a índia que estava jogada no chão.
"Você está bem?!" gritou com ela enquanto o ataque não cesava.
"Não!! A gente vai morrer aqui!!"
"Não vamos não!!! Ninguém vai morrer aqui!! Você consegue andar?"
Ela balanço a cabeça demonstrando que sim.
"Ahhhh!!" gemeu ele de dor, pois o fogo esquentou todo o escudo de prata e este queimava sua carne.
A besta parou para tomar fôlego. Fá segurou a garota pelo braço e disse:
"Vem!! Vamos para igreja!!"
Mas quando corriam, tropeçaram.
A criatura, meio mulher, meio aranha, veio rastejando com seus oito membros e abriu sua babenta boca. Pelo outro lado, o cavaleiro vinha se aproximando com a espada empunhada pronto para atacar.
Deitados no chão, Fá deitou-se em cima da india com o escudo no braço esquerdo para os proteger, virou o rosto e fechou os olhos com medo.
A criatura lançou o fogo!! O caveleiro lançou a espada!!
"Vamos morrer..."
CONTINUA...
domingo, 17 de julho de 2011
VII - "o mUNdO DoS sONHoS"
"Oi, eu sou o Fá, descobri que em Embu das Artes, onde eu moro, um índio morreu 457 anos atrás, para defender sua aldeia, que deu origem a cidade. Ele foi morto por m´boi, uma criatura maligna que se vingou por o indio ter salvado a vida de um padre. Pra minha surpresa, fui informado que sou a reencarnação do tal indígena e a minha missão é defender a cidade do mal que sempre a espreita!! Qual é M´boi, dá um tempo! Eu trabalho numa farmácia e estudo a noite, (choramingado) não tenho tempo para lutar com você!! Este é o nosso sétimo episódio deste lugar onde os sonhos são os artistas da obra da vida!! Bem vindo ao meu mundo." (RISOS)
"Mil setessentos e cinquenta e nove!!" diz o padre gritanto e andando com dificuldade entre os corpos ensanguentados e os destroços pegando fogo, e continua. "O Marques do Pombal expulsa os Jesuítas de Portugal... e consequentemente do Brasil!!!"
"Mas o que está havendo aqui?!!!" Grita Fá, seguindo o padre e olhando ao redor: Pessoas corriam gritando, várias cabanas estavam incendiadas. Todos corriam ou iam de uma mesma direção. "Parece uma guerra" pensou;
"Tudo por causa disso." falou apontando para um aglomerdo de pessoas há alguns metros.
Chegando perto, Fafito avistou a cena. Um jesuíta estava com as mãos para trás. Alguns índios estavam atrás dele, com arcos, flexas, lanças e facas empunhados, prontos para atacar. A sua frente, vários soldados imperiais, segurando outros indios, mulheres, crianças e outros homens como reféns.
"SE O SENHOR NÃO VIER CONOSCO, TODOS ELES IRÃO MORRER." gritou um dos soldados.
"NÃO! POR FAVOR, CHEGA DE SANGUE DERRAMADO... EU IREI COM VOCEIS"
"NÃO ABARUNA!! O SENHOR NÃO PODE NOS DEIXAR!!!" disse um dos índios mas o padre pôs a mão em seu ombro e lhe abenço-ou. Depois seguiu com os soldados.
"O que é tudo isso?" perguntou Fafito, abatido.
"Quando os europeus chegaram a América, muitos, como você disse, viam os índios como inimigos, ou um novo mercado de escravos. Mas diferentemente da américa espanhola, na parte correspondente a Portugal, os membros da igreja católica tiveram a permissão para vir até aqui evitar um genocídio."
"Não funcionou assim muito bem..."
"Mas claro que não. Porém, poderia ter sido muito pior. Catequezando os índios, evitava-mos que virassem escravos, ou que fossem mortos. Eles passaram a viver perto das comunidades onde estavam os sacerdotes, assim surgiram cidades como São Paulo e mais tarde, Embu. Todo o ensino de todas as pessoas era realizado pelos Jesuítas. Você, que acredita em Deus, acha errado ensinarem a palavra do Senhor?"
"Não. Mas não a força. E sim para aqueles que a buscarem. E afinal, se eram tão bons, por que foram expulsos?"
"Depois de anos de exploração das colônias, Lisboa estava em declíneo, e Portugal já não fazia frente à outras potencias europeias. O Marques do Pombal, primeiro ministro, precisava reergue-la. Mas ele era um homem muito ganancioso. Só pensava em poder e dinheiro. Logo o irritava o fato das igrejas não pagarem impostos. Mas o motivo principal era o de que os jesuítas ensinava nas escolas uma diciplina voltada para Deus, para a vida com o Senhor, cooperativa, socialista, defendia os escravos e também os índios, onde eles haviam. Mas o marquês queria que a educação fosse voltada para o governo, tendo o governo como princípio, ordem e objetivo, não a Deus. Quando o rei de Portugal D. João I sofreu um atentado, o primeiro ministro atribuiu a autoria as pacíficos jesuítas, proibindo suas praticas como sacerdote e como educador. Muitos eram presos, torturados, alguns queimados em praça pública como traidores da pátria. Outros conseguiram fugir e se abrigar junto ao Papa. E a educação ficou a cargo do governo. Mas sem profissionais especializados e mal remunerados, a educação no Brasil passou a viverm um período de trevas e de ignorância."
"Bom... então não mudou muita coisa." disse sorrindo Fá.
Olhando para os índios que restaram, após o outro padre ter sido levado, Fafito comenta.
"Aquelas pessoas estavam tão desesperadas... Precisavam mesmo daquele padre."
"Você não faz idéia do quanto..." respondeu Abaruna, apontando com a cabeça para uma direção.
"Mas o que é aquilo?"
Três criaturas se aproximam pela selva.
As pessoas começam a correr, deseperadamente.
Somente os índios que estavam dispostos a proteger o padre, permaneceram naquele campo aberto.
Um deles atirou uma lança. Ela voou pelo alto e antes de cair, um meio gigante saltou e a segurou. Entre as três criaturas, ele se destinguia pela altura, devia ter uns três metros, força, possuia um imponente porte físico, mas nem tanta inteligência. Fedia como um cadáver, também pelo sangue que manchava toda sua veste. Era careca, com os olhos e os poucos dentes que tinha, amarelos. Quando desceu ao chão, toda terra tremeu. Ele então quebrou a lança ao meio e rugiu ferrozmente.
A segunda criatura era uma mulher. Porém, nua, e não possuia pêlos pelo corpo, exceto a cabeça, com os cabelos, cílios e sobrancelhas, todos negros. Também não dotava de mamílos e nem umbigo. Tinha unhas enormes, e a pele branca como neve.
A terceira vinha a cavalo. Apenas podia se observar a sua silhueta. Era um homem e usava chapéu.
Derepente, uma índia toma a frente do outros. Ela trás um cajado, e seu rosto está pintado para guerra. Os outros índios soam um grito de guerra.
Ao mesmo tempo, a criatura que pareceia uma mulher sofre uma metamorfose. Coloca as palmas das mãos no chão, flexiona as pernas como um animal. Inesperadamente, nascem outros dois braços, e outras duas pernas. Surgem mais dois olhos sobre o seus. Sua boca se escancara, como se tivesse quebrado a mandíbula. De dentro ela exibe uma lingua enorme e repleta de uma gosma, e presas enormes.
"O padre abençoava a aldeia, Fá. Mas você sabe que o mal espreita este lugar, esperando somene uma brecha. E aí está ela. Vamos indo..." diz o padre e segue andando, porém, percebe que Fá não o está acompanhando. "O que há de errado? Espere... você quer vê-los morrer? Desculpe, mas não temos tempo para assistir. Vamos indo e... Aonde você vai?!!"
"Salvar pessoas... como o senhor me ordenou."
"Mas Fá, isso já aconteceu, estamos no passado, lembra-se? Não há nada que você possa fazer, elas vão morrer de qualquer jeito!!"
"Vão sim... todo mundo morre." diz ele olhando para o padre, mas olha para frente, muito sério. Então sorri e responde. "Mas não hoje."
O garoto seguiu arrastando a espada no chão, aproximou-se e ficou ao lado da garota que liderava os índios.
"Quem é você, Estrangeiro? O que veio fazer aqui?!!"
"Me chama de Fafito, troca essa sua vara por alguma coisa mais nociva, e vamos tentar sobreviver!!!"
Ela olha surpresa para ele. Sorri e fala:
"Meu cajado é mais mortal que qualquer espada que você possa ter. Ele vai salvar nossas vidas."
Ele olha pra ela e os dois sorriem.
Os meio-gigante berra e vem correndo em sua direção.
"Yvy marã ei Anauê!!" Gritou a jovem.
"Yvy marã ei!!!" Responderam todos os outros índios.
"Yvy marã ei! Anauê!!" e todos:
"Yvy marã ei!!!"
Fafito olhou e não deixou por menos:
"Aah Muleque!!!"
Os índios olharam espantados para ele. Depois olharam entre si.
A jovem disse: "Vamos!!!"
E todos seguiram gritando e correndo contra o monstro.
Fafito arrastando a espada, deixando um rastro de pueira.
A jovem índia olhou e pensou: "Hm, ele tem estilo."
Enquanto o padre pensou: "Franzinho desse jeito? Duvido ele levantar aquela espada."
E Ele: "CA-RA-CA!! Que peso da powa!! Um golpe com ela e adeus ogro...
O problema é golpear, pesa mais do que eu...
...Mas eu tenho que tentaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaar!!!!!
CONTINUA...
"Mil setessentos e cinquenta e nove!!" diz o padre gritanto e andando com dificuldade entre os corpos ensanguentados e os destroços pegando fogo, e continua. "O Marques do Pombal expulsa os Jesuítas de Portugal... e consequentemente do Brasil!!!"
"Mas o que está havendo aqui?!!!" Grita Fá, seguindo o padre e olhando ao redor: Pessoas corriam gritando, várias cabanas estavam incendiadas. Todos corriam ou iam de uma mesma direção. "Parece uma guerra" pensou;
"Tudo por causa disso." falou apontando para um aglomerdo de pessoas há alguns metros.
Chegando perto, Fafito avistou a cena. Um jesuíta estava com as mãos para trás. Alguns índios estavam atrás dele, com arcos, flexas, lanças e facas empunhados, prontos para atacar. A sua frente, vários soldados imperiais, segurando outros indios, mulheres, crianças e outros homens como reféns.
"SE O SENHOR NÃO VIER CONOSCO, TODOS ELES IRÃO MORRER." gritou um dos soldados.
"NÃO! POR FAVOR, CHEGA DE SANGUE DERRAMADO... EU IREI COM VOCEIS"
"NÃO ABARUNA!! O SENHOR NÃO PODE NOS DEIXAR!!!" disse um dos índios mas o padre pôs a mão em seu ombro e lhe abenço-ou. Depois seguiu com os soldados.
"O que é tudo isso?" perguntou Fafito, abatido.
"Quando os europeus chegaram a América, muitos, como você disse, viam os índios como inimigos, ou um novo mercado de escravos. Mas diferentemente da américa espanhola, na parte correspondente a Portugal, os membros da igreja católica tiveram a permissão para vir até aqui evitar um genocídio."
"Não funcionou assim muito bem..."
"Mas claro que não. Porém, poderia ter sido muito pior. Catequezando os índios, evitava-mos que virassem escravos, ou que fossem mortos. Eles passaram a viver perto das comunidades onde estavam os sacerdotes, assim surgiram cidades como São Paulo e mais tarde, Embu. Todo o ensino de todas as pessoas era realizado pelos Jesuítas. Você, que acredita em Deus, acha errado ensinarem a palavra do Senhor?"
"Não. Mas não a força. E sim para aqueles que a buscarem. E afinal, se eram tão bons, por que foram expulsos?"
"Depois de anos de exploração das colônias, Lisboa estava em declíneo, e Portugal já não fazia frente à outras potencias europeias. O Marques do Pombal, primeiro ministro, precisava reergue-la. Mas ele era um homem muito ganancioso. Só pensava em poder e dinheiro. Logo o irritava o fato das igrejas não pagarem impostos. Mas o motivo principal era o de que os jesuítas ensinava nas escolas uma diciplina voltada para Deus, para a vida com o Senhor, cooperativa, socialista, defendia os escravos e também os índios, onde eles haviam. Mas o marquês queria que a educação fosse voltada para o governo, tendo o governo como princípio, ordem e objetivo, não a Deus. Quando o rei de Portugal D. João I sofreu um atentado, o primeiro ministro atribuiu a autoria as pacíficos jesuítas, proibindo suas praticas como sacerdote e como educador. Muitos eram presos, torturados, alguns queimados em praça pública como traidores da pátria. Outros conseguiram fugir e se abrigar junto ao Papa. E a educação ficou a cargo do governo. Mas sem profissionais especializados e mal remunerados, a educação no Brasil passou a viverm um período de trevas e de ignorância."
"Bom... então não mudou muita coisa." disse sorrindo Fá.
Olhando para os índios que restaram, após o outro padre ter sido levado, Fafito comenta.
"Aquelas pessoas estavam tão desesperadas... Precisavam mesmo daquele padre."
"Você não faz idéia do quanto..." respondeu Abaruna, apontando com a cabeça para uma direção.
"Mas o que é aquilo?"
Três criaturas se aproximam pela selva.
As pessoas começam a correr, deseperadamente.
Somente os índios que estavam dispostos a proteger o padre, permaneceram naquele campo aberto.
Um deles atirou uma lança. Ela voou pelo alto e antes de cair, um meio gigante saltou e a segurou. Entre as três criaturas, ele se destinguia pela altura, devia ter uns três metros, força, possuia um imponente porte físico, mas nem tanta inteligência. Fedia como um cadáver, também pelo sangue que manchava toda sua veste. Era careca, com os olhos e os poucos dentes que tinha, amarelos. Quando desceu ao chão, toda terra tremeu. Ele então quebrou a lança ao meio e rugiu ferrozmente.
A segunda criatura era uma mulher. Porém, nua, e não possuia pêlos pelo corpo, exceto a cabeça, com os cabelos, cílios e sobrancelhas, todos negros. Também não dotava de mamílos e nem umbigo. Tinha unhas enormes, e a pele branca como neve.
A terceira vinha a cavalo. Apenas podia se observar a sua silhueta. Era um homem e usava chapéu.
Derepente, uma índia toma a frente do outros. Ela trás um cajado, e seu rosto está pintado para guerra. Os outros índios soam um grito de guerra.
Ao mesmo tempo, a criatura que pareceia uma mulher sofre uma metamorfose. Coloca as palmas das mãos no chão, flexiona as pernas como um animal. Inesperadamente, nascem outros dois braços, e outras duas pernas. Surgem mais dois olhos sobre o seus. Sua boca se escancara, como se tivesse quebrado a mandíbula. De dentro ela exibe uma lingua enorme e repleta de uma gosma, e presas enormes.
"O padre abençoava a aldeia, Fá. Mas você sabe que o mal espreita este lugar, esperando somene uma brecha. E aí está ela. Vamos indo..." diz o padre e segue andando, porém, percebe que Fá não o está acompanhando. "O que há de errado? Espere... você quer vê-los morrer? Desculpe, mas não temos tempo para assistir. Vamos indo e... Aonde você vai?!!"
"Salvar pessoas... como o senhor me ordenou."
"Mas Fá, isso já aconteceu, estamos no passado, lembra-se? Não há nada que você possa fazer, elas vão morrer de qualquer jeito!!"
"Vão sim... todo mundo morre." diz ele olhando para o padre, mas olha para frente, muito sério. Então sorri e responde. "Mas não hoje."
O garoto seguiu arrastando a espada no chão, aproximou-se e ficou ao lado da garota que liderava os índios.
"Quem é você, Estrangeiro? O que veio fazer aqui?!!"
"Me chama de Fafito, troca essa sua vara por alguma coisa mais nociva, e vamos tentar sobreviver!!!"
Ela olha surpresa para ele. Sorri e fala:
"Meu cajado é mais mortal que qualquer espada que você possa ter. Ele vai salvar nossas vidas."
Ele olha pra ela e os dois sorriem.
Os meio-gigante berra e vem correndo em sua direção.
"Yvy marã ei Anauê!!" Gritou a jovem.
"Yvy marã ei!!!" Responderam todos os outros índios.
"Yvy marã ei! Anauê!!" e todos:
"Yvy marã ei!!!"
Fafito olhou e não deixou por menos:
"Aah Muleque!!!"
Os índios olharam espantados para ele. Depois olharam entre si.
A jovem disse: "Vamos!!!"
E todos seguiram gritando e correndo contra o monstro.
Fafito arrastando a espada, deixando um rastro de pueira.
A jovem índia olhou e pensou: "Hm, ele tem estilo."
Enquanto o padre pensou: "Franzinho desse jeito? Duvido ele levantar aquela espada."
E Ele: "CA-RA-CA!! Que peso da powa!! Um golpe com ela e adeus ogro...
O problema é golpear, pesa mais do que eu...
...Mas eu tenho que tentaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaar!!!!!
CONTINUA...
sábado, 16 de julho de 2011
VI - "ReFLEtiNdO a LuZ dA LuA"
Fafito ia caindo lento como uma pena no ar, rumo ao fundo do lago no parque.
Tocando o chão, ele abaixou a cabeça para abrir o baú. Mas sentiu a presença de mais alguém... Quando olhou para frente, um visão.
TERRÍVEL, FORTE, FATAL!!!!
Fá começou a cair para trás. Seus olhos não tinham expressão. Ele havia entrado em estado de choque.
Começou a colvulsionar por alguns instantes... até que seu corpo parou de se mexer...
de respirar... de compreender...
Escutava bem ao longe os sons de aflição, os gritos, passou a ver a silhueta das mãos se aproximando dele. Ele fechou os olhos e perdeu a consciência.
Os espectros seguiam em sua direção, gemendo e gritando seu nome. Andavam como mortos-vivos, com os braços esticados, tentando alcançá-lo. E nada poderia detê-los.
Foi então que ela apareceu.
Nadou velozmente para junto do corpo de Fá.
Segurou-lhe a cabeça. Estava triste por vê-lo assim.
Mas as criaturas continuavam vindo em sua direção. Então, enfurecida, ela simplesmente olhou para eles. Todos desapareceram.
Voltou a olhar para o garoto e seu coração estava partido em tristeza e compaixão.
Na superfície, o padre aguardava, sentado na canoa, tomando seu wiskey.
"Agora a pouco a água estava cheia de bolhas... deviam ser o ar solto por Fafito, ou da sua movimentação." Pensou ele, e continuou: "Mas já faz alguns minutos que tudo está calmo. Será que... Não, não é possível que ele morra num exercício bobo como esses. Desde que Marangatu voltou a reencarnar, sua estada na terra nunca foi tão importante. Isso por que Tau, a personificação do mal está próxima. Se ele falhar, estaremos perdidos e..."
Naquele instante, o corpo de Fá, trajando o gibão de ouro, com o escudo no braço esquerdo e a espada em sua cintura, boia até a superfície, bem próximo de onde ele mergulhou. O padre, surpreendido, rema até ele, segura-o pelo gibão e tenta acordá-lo:
"Fafito!! Fafito, acorde!!"
"Han?..." Ele abre os olhos e sorri. "E-eu não morri?"
"Claro que nã-ão!!" Diz Abaruna, fazendo força para puxá-lo para a canoa, que fica balançando por alguns instantes, O padre cai sentado na proa, e Fá fica atravessado, no meio do barco, respirando fundo.
Então ele empunha a espada e dirige-a contra Arabuna, encostanto a ponta em sua garganta, dizendo:
"Seu maldito!!! (ofegante)Você quase me matou!!!"
"Ei, ei, ei!! Vamos manter a calma por aqui. Tira essa espada daqui."
Fafito abaixa a espada. O padre faz sinal de negativo com a cabeça e destampa a pequena garrafa, inesperadamente, Fá toma-a da sua mão e começa a beber, ainda jogado no meio da embarcação. O padre pigarra e explica:
"Não sei por que está bravo... Deu tudo certo. Aliás, a culpa de tudo é sua." Fafito faz uma cara de "Cê tá louco" mas o padre continua: "É, é sua sim! Que porcaria de medos são esses seus? Uma menina com uma boneca? Eu quase morri de rir. Insetos? Para com isso, se uma garota te chamar para matar um besouro que entrou em casa você faz o que? Sai correndo gritando?"
"O besouro entrou sozinho. Ele que ache a saída."
"E a menininha?"
"Menininha? Você olhou direito? E depois dá um desconto... não é a menina, mas sim o que ela representa."
"A morte?... Desculpe mas eu não pude ver o que aconteceu lá em baixo. Apenas conseguia sentir o seu medo. Aliás, estou muito curioso. O que foi que você viu pra te fazer desmaiar?"
Fafito permanece em silêncio por alguns instantes. Então fala:
"Eu nao quero falar sobre isso."
"Hm... não quer falar? Tanto faz. Pra uma pessoa que tem medo de insetos e de uma menininha com uma boneca, não deve se precisar de muito para derruba-lá." Diz com arrogância Arabuna enquanto rema devolta a margem.
"Não tenho medo de insetos. Respeito eles. Cada um no seu canto, é claro. E eu não vou falar denovo que não gosto de fantasmas." Fá dá mais um gole no wiskey, faz uma careta, olha pro lados e joga a garrafa no lago. (GLUP!) Então resolve tirar algumas dúvidas. "Ouça velho, ontem à tarde eu adormeci no trabalho e vim parar aqui."
"O QUE DISSE?!!"
"Eh, eu... queria até te perguntar sobre isso por que, sinceramene não entendi."
"O mundo dos sonhos... durante o dia?" falou consigo mesmo Abaruna.
"Eu entendo que, toda vez que dormir, vou vir para o Embu? Por que na verdade, agora a noite eu consegui dormir e não ser teletranportado. E o mais estranho é que ontem não era como agora, era no meu tempo. Por exemplo, no lugar que está esse lago, no meu tempo é um parque. Mas agora é praticamente uma mata fechada. Eu não entendo."
"Você não deve vir aqui durante o dia!!"
"Mas hen?"
"Durante o dia eu não estou aqui, é perigoso, você pode se ferir."
"M-mas, pera aí. Explica esse negócio direito."
"Estamos no mundo dos sonhos. O mal existe tanto aqui como no seu mundo real, mas é só aqui que você terá como enfrentá-lo. Toda vez que dorme em sono profundo, automaticamente, sua alma retorna ao seu lugar de origem. Hoje, ela está presa a este lugar. Se as almas dos jesuítas ficaram aqui para proteger o tesouro deles. A sua ficou para proteger a cidade. Então você não pode dormir durante o dia."
"Cara, eu chego da faculdade umas onze e meia. Aí eu preciso tomar banho e comer alguma coisa. Quando eu consigo dormir, já tenho que levantar por que acordo quatro e vinte para trabalhar. Se eu não dormir no ônibus, no almoço, antes da aula, durante a aula, pra compensar, como eu vou viver? É contra a natureza, eu não aguento."
"Fá, a sua vida não pode ser mais importante do que a das pessoas que você vai salvar."
"Ah vah te catar, salvar vidas, combater o mal, até agora eu não fiz nada disso!!" "E nem sei se quero" "Quer saber o que eu acho? No passado havia cerca de 100 milhões de índios no Brasil. Aí vieram voceis, cheios de poder e conhecimento, e blá blá blá. Exterminaram as aldeias, fizeram escravos, seja de forma física, seja mental, por que empurraram-lhe suas crenças e tradições, ignorarm totalmente a cultura dos índios, acusando-os de inimigos da fé. Há relatos de que tinham autorização do governo para matar quem fosse inimigo da fé. Daí veio a inquisição, a alienação, a opressão. É isso que eu acho... Padre."
A canoa chegava a terra firme. As águas permaneciam calmas, refletindo a luz da lua.
De pé, o padre olhava com apreenssão para os olhos de Fá, com furor.
"É isso que você pensa?"
"É, é isso que eu penso sim!!!"
O padre balança a cabeça. E os dois são teletransportados.
De um silêncio repentino, ele sente o calor e fumaça vindos no seu rosto,
ouve os gritos, indaga:
"Mas o que é isso?"
CONTINUA...
Tocando o chão, ele abaixou a cabeça para abrir o baú. Mas sentiu a presença de mais alguém... Quando olhou para frente, um visão.
TERRÍVEL, FORTE, FATAL!!!!
Fá começou a cair para trás. Seus olhos não tinham expressão. Ele havia entrado em estado de choque.
Começou a colvulsionar por alguns instantes... até que seu corpo parou de se mexer...
de respirar... de compreender...
Escutava bem ao longe os sons de aflição, os gritos, passou a ver a silhueta das mãos se aproximando dele. Ele fechou os olhos e perdeu a consciência.
Os espectros seguiam em sua direção, gemendo e gritando seu nome. Andavam como mortos-vivos, com os braços esticados, tentando alcançá-lo. E nada poderia detê-los.
Foi então que ela apareceu.
Nadou velozmente para junto do corpo de Fá.
Segurou-lhe a cabeça. Estava triste por vê-lo assim.
Mas as criaturas continuavam vindo em sua direção. Então, enfurecida, ela simplesmente olhou para eles. Todos desapareceram.
Voltou a olhar para o garoto e seu coração estava partido em tristeza e compaixão.
Na superfície, o padre aguardava, sentado na canoa, tomando seu wiskey.
"Agora a pouco a água estava cheia de bolhas... deviam ser o ar solto por Fafito, ou da sua movimentação." Pensou ele, e continuou: "Mas já faz alguns minutos que tudo está calmo. Será que... Não, não é possível que ele morra num exercício bobo como esses. Desde que Marangatu voltou a reencarnar, sua estada na terra nunca foi tão importante. Isso por que Tau, a personificação do mal está próxima. Se ele falhar, estaremos perdidos e..."
Naquele instante, o corpo de Fá, trajando o gibão de ouro, com o escudo no braço esquerdo e a espada em sua cintura, boia até a superfície, bem próximo de onde ele mergulhou. O padre, surpreendido, rema até ele, segura-o pelo gibão e tenta acordá-lo:
"Fafito!! Fafito, acorde!!"
"Han?..." Ele abre os olhos e sorri. "E-eu não morri?"
"Claro que nã-ão!!" Diz Abaruna, fazendo força para puxá-lo para a canoa, que fica balançando por alguns instantes, O padre cai sentado na proa, e Fá fica atravessado, no meio do barco, respirando fundo.
Então ele empunha a espada e dirige-a contra Arabuna, encostanto a ponta em sua garganta, dizendo:
"Seu maldito!!! (ofegante)Você quase me matou!!!"
"Ei, ei, ei!! Vamos manter a calma por aqui. Tira essa espada daqui."
Fafito abaixa a espada. O padre faz sinal de negativo com a cabeça e destampa a pequena garrafa, inesperadamente, Fá toma-a da sua mão e começa a beber, ainda jogado no meio da embarcação. O padre pigarra e explica:
"Não sei por que está bravo... Deu tudo certo. Aliás, a culpa de tudo é sua." Fafito faz uma cara de "Cê tá louco" mas o padre continua: "É, é sua sim! Que porcaria de medos são esses seus? Uma menina com uma boneca? Eu quase morri de rir. Insetos? Para com isso, se uma garota te chamar para matar um besouro que entrou em casa você faz o que? Sai correndo gritando?"
"O besouro entrou sozinho. Ele que ache a saída."
"E a menininha?"
"Menininha? Você olhou direito? E depois dá um desconto... não é a menina, mas sim o que ela representa."
"A morte?... Desculpe mas eu não pude ver o que aconteceu lá em baixo. Apenas conseguia sentir o seu medo. Aliás, estou muito curioso. O que foi que você viu pra te fazer desmaiar?"
Fafito permanece em silêncio por alguns instantes. Então fala:
"Eu nao quero falar sobre isso."
"Hm... não quer falar? Tanto faz. Pra uma pessoa que tem medo de insetos e de uma menininha com uma boneca, não deve se precisar de muito para derruba-lá." Diz com arrogância Arabuna enquanto rema devolta a margem.
"Não tenho medo de insetos. Respeito eles. Cada um no seu canto, é claro. E eu não vou falar denovo que não gosto de fantasmas." Fá dá mais um gole no wiskey, faz uma careta, olha pro lados e joga a garrafa no lago. (GLUP!) Então resolve tirar algumas dúvidas. "Ouça velho, ontem à tarde eu adormeci no trabalho e vim parar aqui."
"O QUE DISSE?!!"
"Eh, eu... queria até te perguntar sobre isso por que, sinceramene não entendi."
"O mundo dos sonhos... durante o dia?" falou consigo mesmo Abaruna.
"Eu entendo que, toda vez que dormir, vou vir para o Embu? Por que na verdade, agora a noite eu consegui dormir e não ser teletranportado. E o mais estranho é que ontem não era como agora, era no meu tempo. Por exemplo, no lugar que está esse lago, no meu tempo é um parque. Mas agora é praticamente uma mata fechada. Eu não entendo."
"Você não deve vir aqui durante o dia!!"
"Mas hen?"
"Durante o dia eu não estou aqui, é perigoso, você pode se ferir."
"M-mas, pera aí. Explica esse negócio direito."
"Estamos no mundo dos sonhos. O mal existe tanto aqui como no seu mundo real, mas é só aqui que você terá como enfrentá-lo. Toda vez que dorme em sono profundo, automaticamente, sua alma retorna ao seu lugar de origem. Hoje, ela está presa a este lugar. Se as almas dos jesuítas ficaram aqui para proteger o tesouro deles. A sua ficou para proteger a cidade. Então você não pode dormir durante o dia."
"Cara, eu chego da faculdade umas onze e meia. Aí eu preciso tomar banho e comer alguma coisa. Quando eu consigo dormir, já tenho que levantar por que acordo quatro e vinte para trabalhar. Se eu não dormir no ônibus, no almoço, antes da aula, durante a aula, pra compensar, como eu vou viver? É contra a natureza, eu não aguento."
"Fá, a sua vida não pode ser mais importante do que a das pessoas que você vai salvar."
"Ah vah te catar, salvar vidas, combater o mal, até agora eu não fiz nada disso!!" "E nem sei se quero" "Quer saber o que eu acho? No passado havia cerca de 100 milhões de índios no Brasil. Aí vieram voceis, cheios de poder e conhecimento, e blá blá blá. Exterminaram as aldeias, fizeram escravos, seja de forma física, seja mental, por que empurraram-lhe suas crenças e tradições, ignorarm totalmente a cultura dos índios, acusando-os de inimigos da fé. Há relatos de que tinham autorização do governo para matar quem fosse inimigo da fé. Daí veio a inquisição, a alienação, a opressão. É isso que eu acho... Padre."
A canoa chegava a terra firme. As águas permaneciam calmas, refletindo a luz da lua.
De pé, o padre olhava com apreenssão para os olhos de Fá, com furor.
"É isso que você pensa?"
"É, é isso que eu penso sim!!!"
O padre balança a cabeça. E os dois são teletransportados.
De um silêncio repentino, ele sente o calor e fumaça vindos no seu rosto,
ouve os gritos, indaga:
"Mas o que é isso?"
CONTINUA...
sexta-feira, 15 de julho de 2011
V- "FObiAS"
"Há 457 anos, um índio salvou um missionário da morte, mas foi morto em seguida pela M´boi, um mensageiro do inferno que desejava tomar aquelas terras místicas. M´boi, pela pronúncia, acabou virando Embu, e os diversos artistas que vieram pra cá tornaram a cidade um pólo cultural. Ou seja, Embu das Artes. O problema é que os selos que protegiam a cidade e seus moradores se enfraqueceram, e M´boi está prestes a atacar novamente. Sem saber de nada quando me mudei, acabei descobrindo que sou a reencarnação deste índio, e a minha missão é defender a cidade e evitar uma apocaliptica batalha espiritual."
"Mas por que eu preciso de um gibão, eu escudo e uma espada? Não vamos lutar contra anhangás?"
"O escudo leva o brasão da cidade, vai ajuda-o a se proteger de possíveis ataques físicos. Ele e a espada são feitos de prata, ela simboliza a pureza. E o gibão é feito de ouro."
"E o ouro?" Pergunta Fafito, enquanto o padre permanece olhando para sua cara. "E o gibão de ouro? A prata purifica, o ouro faz o que?"
"E eu sei lá, moleque! Tenho cara de alquimista?"
Os dois caminham até o lago do Parque do Rizzo. Chegando lá, o padre fala:
"Lembra da história dos Jesuítas que afundaram um tesouro no lago antes de partir, e ficaram presos neste mundo vagando e guardando-o? Então... tudo verdade."
Fafito observa o padre, olha por lago, faz cara de quem não gostou.
"Não é o que eu estou pensando, é?"
"É isso aí garoto, um de nós vai ter que mergulhar no fundo do lago e buscar o gibão, espada, tudo que tem direito. Infelizmente eu não posso molhar a batina, então..."
"POWA NENHUMA!!! Você é um espírito!!! Como poderia se molhar?!!"
"Pode ser, mas o herói aqui é você!!!"
"E DESDE QUANDO EU SEI NADAR?!!!"
"PARA DE GRITAR!! VAI ATRAIR OS ESPÍRITOS DOS JESUÍTAS!!!"
O garoto olhou para as águas sombrias, ao clarear da lua cheia. Pensou consigo mesmo:
"Só pode estar de brincadeira..." e disse: "Tah, mesmo que eu tentasse, está muito aqui escuro, e não sabemos a profundidade desse lago. Sem falar na friaca que tá aqui!!"
"Fá, frio, distância e falta de ar são os seus menores problemas. Lembre-se que estamos num mundo místico, onde quase tudo é possível. Você vai conseguir mergulhar sem problema..." E com ar de seriedade, continuou. "Entretanto..."
"Hm?" (o que poderia ser pior que um banho de água gelada num lago escuro na madrugada de Embu das Artes, que é muito fria por ser região serrana e zona de mata atlântica, além de mergulhar num lago sem saber nadar?)
"Do que você tem medo Fagner? De verdade, eu sei que você ia me responder que era de pegar uma pneumonia, mas quero saber de tudo, no geral."
"Acha que eu tô preoculpado com pneumônia? EU JÁ FALEI PRA VOCÊ QUE NÃO SEI NADAR?!!"
Abaruna respira fundo, entediado, e só flerta com seus olhos irritados.
"Hm... tá bom! Eu... tenho medo de... Ah, não de muita coisa, eu... não gosto muito de insetos, seres rastejantes, saca? Eeh... fantasmas e aparições eu, também não curto muito, entende?"
"Fá, não precisa mentir pra mim. Só estou te dando um alerta. Na água, os seus piores medos viram te enfrentar. Mas Fá... não desista. Assim que você chegar ao fundo e tocar nos objetos, tudo desaparecerá. Vai ficar tudo bem."
Vendo que não teria outro jeito, Fá aceita a missão que lhe foi dada. Eles vão de canoa até o exato meio do lago. Lá ele tira a camisa e se prepara para entrar na água.
"Lembre-se: eu sei que você não sabe nadar, mas sabe mergulhar não sabe?"
"É eu... Consigo mergulhar em baixo dágua, mas não sei nadar na superfície então, quando o ar acaba, eu não consigo subir e respirar. Também não aprendi a boiar, nas poucas aulas que fiz."
"Quanto tempo você aguenta segurar o fôlego?"
"Do jeito que eu fumo? 30 segundos, no máximo. Mas como eu posso descer ao fundo e subir em tão pouco tempo?"
"Tsc! Vai ter que ser sulficiente. Não se esqueça que você só precisa descer. Quando tocar no baú, tudo se resolverá." Abaruna pega um cristal e entrega a Fá. "Tome, leve isso. Em contato com a escuridão ele ascende. Vai ajuda-lo a encontrar as jóias."
Consciente da periculosidade daquela ação, o semblante de Fá era ríspido.
Ele tomou fôlego, e mergulhou.
"PQP!!! Gelo puro!!" pensou, e continuou: "Vai, ascende cristal! (balançando-o) Isso, muito bom. Agora, é só descer..." pensou sorrindo, mas derepente, refletiu. "O que eu estou fazendo? Que loucura é essa? Eu devia estar dormindo, tenho que trabalhar daqui a pouco." E finalmente, se irritou. " Mas pera ae? Se dane o trabalho!!..." por último, veio a tristeza . "Eu... eu to com medo de morrer..."
GLULULULP"!!!
"O que foi isso?" pensou ele, com os olhos arregalados.
VLUUUUUULOP!!
"E agora?" virou-se olhando para trás, de onde tinha ouvido o barulho, mas apenas viu o rastro de bolhas.
DEREPENTE!!
Insetos e mais insetos, de todos os tipos possíveis!!
"Essa não!!!"
Começaram a grudar em sua pele, caminhando com as aquelas patas ásperas, lacraias, besouros, baratas, percorrendo todo o seu corpo, enquanto ele tentava se libertar de alguma forma, começou a sentiu o andar das mosca no globo ocular, e eram tantas que ele não podia fechar os olhos, e sua boca estava cheia de vermes, que desciam por sua garganta, naquele desespero horrível, milhões e milhões de insetos, agônia, insanidade, e le pedindo para Deus leva-lo agora e TUDO SUMIU.
Estava novamente nas calmas águas do lago...
Completamente desorientado, olhava para os lados, para suas mãos, seu corpo. Suas lágrimas se dissipavam nas água doce.
Ele conseguiu suspirar e percebeu que estava respirando.
"Que diabos foi isso?" (repiração ofegante) "O velho falou que eu não sentiria falta de ar, é verdade... eu preciso... eu preciso continuar..."
Tomou impulso e continuou descendo.
Fafito gostava de filmes de terror e suspense, mas não tinha medo de assassinos em série. Dizia que se alguém está correndo atrás de você com uma serra elétrica, você pega um porrete e da-lhe uma sarrafada, pronto, nocaute. Só que quando se tratava de espíritos, tsc tsc. Ele tinha uns 13, 14 anos quando viu uma imagem que lhe pertubou o juízo. Num site, na casa de um amigo, viam-se cenas de aparições, vultos, vozes. Fafito ficou tenso, uma menina segurando uma boneca então fez ele não ir no banheiro a noite por uma semana. E adivinha quem apareceu na sua frente na profundeza do lago?
"Você vai morrer" mumurrou uma voz medonha saindo da boca seca e decomposta da menina.
Fá abriu a boca como se fosse gritar e soltou todo o ar que tinha. Espectros o sondavam, gritos desesperados, gargalhadas diabólicas, criaturas subhumanas lhe agaravam as pernas, os pés, e ele com os olhos fechados, tentando se soltar.
Pessoas com os rostos distorcidos, estrupiados, gemendo de dor e aflição.
O espírito ficou face a face, a menina falava tão perto que ele sentia toda a podridão saíndo do fundo do seu estômago.
"Olhe pra mim!! Olhe nos meus olhos!! ME OLHE AGORA!!!"
Ele, virando a cabeça de um lado para o outro, fica parado. Resolve enfrentar o seu medo. Resolve olhar nos seus olhos.
"EU VOU ARRASTAR SUA ALMA PARA INFERNO!!!"
Um som agudo angustiante vai subindo de volume até que
Tudo some novemente.
O cristal flutava mansamente na água, iluminando o local.
Fá o havia soltado, enquanto se debatia.
Ele estava com ânsia de vômito e seu estado emocional era péssimo.
Mas ele havia avistado o baú. Era só descer uns dez metros.
Mexendo quase nada as pernas e pés, ele ia caindo lento como uma pena no ar, rumo ao fundo do lago no parque.
Tocou seus pés ao chão. Aquela era água mais estranha que ele já tinha visto na vida. Permitia respirar e não inundava seu organismo quando se fazia isto.
Ele abaixou a cabeça para abrir o baú. Levantou a tampa...
Lá estavam o gibão, o escudo e a espada. Mas sentiu a presença de mais alguém...
Levantou o olhar para frente.
FOI TERRÍVEL, FOI FORTE, FOI FATAL!!!!
Fá começou a cair para trás.
Seu corpo seguiu lentamente, até tocar o fundo e levantar a pueira.
Seus olhos não tinham expressão, como se já tivesse morrido.
Ele havia entrado em estado de choque.
Comecou a colvulsionar por alguns instantes... até que seu corpo parou de se mexer...
de respirar... de compreender...
Olhava a distante a luz do cristal que pairava lá em cima, onde o deixou cair.
Era como a coisa mais linda que já visto na vida.
Escutava também, bem ao longe os gemidos, os gritos por seu nome, passou a ver a silhueta das mãos se aproximando dele.
Fechou os olhos...
Sulplicou pelo fim.
"Mas por que eu preciso de um gibão, eu escudo e uma espada? Não vamos lutar contra anhangás?"
"O escudo leva o brasão da cidade, vai ajuda-o a se proteger de possíveis ataques físicos. Ele e a espada são feitos de prata, ela simboliza a pureza. E o gibão é feito de ouro."
"E o ouro?" Pergunta Fafito, enquanto o padre permanece olhando para sua cara. "E o gibão de ouro? A prata purifica, o ouro faz o que?"
"E eu sei lá, moleque! Tenho cara de alquimista?"
Os dois caminham até o lago do Parque do Rizzo. Chegando lá, o padre fala:
"Lembra da história dos Jesuítas que afundaram um tesouro no lago antes de partir, e ficaram presos neste mundo vagando e guardando-o? Então... tudo verdade."
Fafito observa o padre, olha por lago, faz cara de quem não gostou.
"Não é o que eu estou pensando, é?"
"É isso aí garoto, um de nós vai ter que mergulhar no fundo do lago e buscar o gibão, espada, tudo que tem direito. Infelizmente eu não posso molhar a batina, então..."
"POWA NENHUMA!!! Você é um espírito!!! Como poderia se molhar?!!"
"Pode ser, mas o herói aqui é você!!!"
"E DESDE QUANDO EU SEI NADAR?!!!"
"PARA DE GRITAR!! VAI ATRAIR OS ESPÍRITOS DOS JESUÍTAS!!!"
O garoto olhou para as águas sombrias, ao clarear da lua cheia. Pensou consigo mesmo:
"Só pode estar de brincadeira..." e disse: "Tah, mesmo que eu tentasse, está muito aqui escuro, e não sabemos a profundidade desse lago. Sem falar na friaca que tá aqui!!"
"Fá, frio, distância e falta de ar são os seus menores problemas. Lembre-se que estamos num mundo místico, onde quase tudo é possível. Você vai conseguir mergulhar sem problema..." E com ar de seriedade, continuou. "Entretanto..."
"Hm?" (o que poderia ser pior que um banho de água gelada num lago escuro na madrugada de Embu das Artes, que é muito fria por ser região serrana e zona de mata atlântica, além de mergulhar num lago sem saber nadar?)
"Do que você tem medo Fagner? De verdade, eu sei que você ia me responder que era de pegar uma pneumonia, mas quero saber de tudo, no geral."
"Acha que eu tô preoculpado com pneumônia? EU JÁ FALEI PRA VOCÊ QUE NÃO SEI NADAR?!!"
Abaruna respira fundo, entediado, e só flerta com seus olhos irritados.
"Hm... tá bom! Eu... tenho medo de... Ah, não de muita coisa, eu... não gosto muito de insetos, seres rastejantes, saca? Eeh... fantasmas e aparições eu, também não curto muito, entende?"
"Fá, não precisa mentir pra mim. Só estou te dando um alerta. Na água, os seus piores medos viram te enfrentar. Mas Fá... não desista. Assim que você chegar ao fundo e tocar nos objetos, tudo desaparecerá. Vai ficar tudo bem."
Vendo que não teria outro jeito, Fá aceita a missão que lhe foi dada. Eles vão de canoa até o exato meio do lago. Lá ele tira a camisa e se prepara para entrar na água.
"Lembre-se: eu sei que você não sabe nadar, mas sabe mergulhar não sabe?"
"É eu... Consigo mergulhar em baixo dágua, mas não sei nadar na superfície então, quando o ar acaba, eu não consigo subir e respirar. Também não aprendi a boiar, nas poucas aulas que fiz."
"Quanto tempo você aguenta segurar o fôlego?"
"Do jeito que eu fumo? 30 segundos, no máximo. Mas como eu posso descer ao fundo e subir em tão pouco tempo?"
"Tsc! Vai ter que ser sulficiente. Não se esqueça que você só precisa descer. Quando tocar no baú, tudo se resolverá." Abaruna pega um cristal e entrega a Fá. "Tome, leve isso. Em contato com a escuridão ele ascende. Vai ajuda-lo a encontrar as jóias."
Consciente da periculosidade daquela ação, o semblante de Fá era ríspido.
Ele tomou fôlego, e mergulhou.
"PQP!!! Gelo puro!!" pensou, e continuou: "Vai, ascende cristal! (balançando-o) Isso, muito bom. Agora, é só descer..." pensou sorrindo, mas derepente, refletiu. "O que eu estou fazendo? Que loucura é essa? Eu devia estar dormindo, tenho que trabalhar daqui a pouco." E finalmente, se irritou. " Mas pera ae? Se dane o trabalho!!..." por último, veio a tristeza . "Eu... eu to com medo de morrer..."
GLULULULP"!!!
"O que foi isso?" pensou ele, com os olhos arregalados.
VLUUUUUULOP!!
"E agora?" virou-se olhando para trás, de onde tinha ouvido o barulho, mas apenas viu o rastro de bolhas.
DEREPENTE!!
Insetos e mais insetos, de todos os tipos possíveis!!
"Essa não!!!"
Começaram a grudar em sua pele, caminhando com as aquelas patas ásperas, lacraias, besouros, baratas, percorrendo todo o seu corpo, enquanto ele tentava se libertar de alguma forma, começou a sentiu o andar das mosca no globo ocular, e eram tantas que ele não podia fechar os olhos, e sua boca estava cheia de vermes, que desciam por sua garganta, naquele desespero horrível, milhões e milhões de insetos, agônia, insanidade, e le pedindo para Deus leva-lo agora e TUDO SUMIU.
Estava novamente nas calmas águas do lago...
Completamente desorientado, olhava para os lados, para suas mãos, seu corpo. Suas lágrimas se dissipavam nas água doce.
Ele conseguiu suspirar e percebeu que estava respirando.
"Que diabos foi isso?" (repiração ofegante) "O velho falou que eu não sentiria falta de ar, é verdade... eu preciso... eu preciso continuar..."
Tomou impulso e continuou descendo.
Fafito gostava de filmes de terror e suspense, mas não tinha medo de assassinos em série. Dizia que se alguém está correndo atrás de você com uma serra elétrica, você pega um porrete e da-lhe uma sarrafada, pronto, nocaute. Só que quando se tratava de espíritos, tsc tsc. Ele tinha uns 13, 14 anos quando viu uma imagem que lhe pertubou o juízo. Num site, na casa de um amigo, viam-se cenas de aparições, vultos, vozes. Fafito ficou tenso, uma menina segurando uma boneca então fez ele não ir no banheiro a noite por uma semana. E adivinha quem apareceu na sua frente na profundeza do lago?
"Você vai morrer" mumurrou uma voz medonha saindo da boca seca e decomposta da menina.
Fá abriu a boca como se fosse gritar e soltou todo o ar que tinha. Espectros o sondavam, gritos desesperados, gargalhadas diabólicas, criaturas subhumanas lhe agaravam as pernas, os pés, e ele com os olhos fechados, tentando se soltar.
Pessoas com os rostos distorcidos, estrupiados, gemendo de dor e aflição.
O espírito ficou face a face, a menina falava tão perto que ele sentia toda a podridão saíndo do fundo do seu estômago.
"Olhe pra mim!! Olhe nos meus olhos!! ME OLHE AGORA!!!"
Ele, virando a cabeça de um lado para o outro, fica parado. Resolve enfrentar o seu medo. Resolve olhar nos seus olhos.
"EU VOU ARRASTAR SUA ALMA PARA INFERNO!!!"
Um som agudo angustiante vai subindo de volume até que
Tudo some novemente.
O cristal flutava mansamente na água, iluminando o local.
Fá o havia soltado, enquanto se debatia.
Ele estava com ânsia de vômito e seu estado emocional era péssimo.
Mas ele havia avistado o baú. Era só descer uns dez metros.
Mexendo quase nada as pernas e pés, ele ia caindo lento como uma pena no ar, rumo ao fundo do lago no parque.
Tocou seus pés ao chão. Aquela era água mais estranha que ele já tinha visto na vida. Permitia respirar e não inundava seu organismo quando se fazia isto.
Ele abaixou a cabeça para abrir o baú. Levantou a tampa...
Lá estavam o gibão, o escudo e a espada. Mas sentiu a presença de mais alguém...
Levantou o olhar para frente.
FOI TERRÍVEL, FOI FORTE, FOI FATAL!!!!
Fá começou a cair para trás.
Seu corpo seguiu lentamente, até tocar o fundo e levantar a pueira.
Seus olhos não tinham expressão, como se já tivesse morrido.
Ele havia entrado em estado de choque.
Comecou a colvulsionar por alguns instantes... até que seu corpo parou de se mexer...
de respirar... de compreender...
Olhava a distante a luz do cristal que pairava lá em cima, onde o deixou cair.
Era como a coisa mais linda que já visto na vida.
Escutava também, bem ao longe os gemidos, os gritos por seu nome, passou a ver a silhueta das mãos se aproximando dele.
Fechou os olhos...
Sulplicou pelo fim.
quinta-feira, 14 de julho de 2011
IV - "dESaPAREcEM oS ARtiStaS dE eMBU"
"Oi, eu sou o Fá, e descobri coisas incríveis sobre a cidade onde eu moro, Embu das Artes. Há 457 havia aqui uma aldeia. Os jesuítas vieram ao Brasil, logo após o descobrimento, para converter os povos pagãos e salvar suas almas. Foi aqui então que um índio impediu a morte de um missionário, e foi morto em seguida pelo veneno de uma serpente, iniciando uma intensa batalha espiritual. Isso por que a serpente, que em tupi-guarani é chamada M´boi , e acabou dando nome a cidade, é na verdade Anhangá, mensageiro das trevas que vive a espreita deste lugar místico, esperando um momento certo para atacar. E ao que parece, eu sou a reencarnação deste índio e a minha missão é defender o meu povo e combater todo este mal que nos cerca. Loucura? Não venha dizer isto à mim. Apenas escolha de que lado quer ficar. Vamos nessa?"
"Nossa que droga!! Minha cama tá quebrada e eu estou atrasado para trabalhar!!!"
Fafito trabalha como balconista em uma farmácia, das 07:00 as 15:00 horas, mais tarde às 19:15, tem aulas na faculdade, onde estuda para se tornar farmacêutico. Como Embu das Artes é meio distante de tudo, ele não pode voltar para casa, pois não teria como chegar a tempo na aula. Por isso, depois do trabalho, ele aproveita o tempo intermediário para comer e estudar. Como certa frequência, acaba pegando no sono em qualquer lugar que esteja.
"Está dizendo que você dormiu e foi parar por volta de 1600, na aldeia que deu origem a cidade de Embu?" perguntou Chu, ao telefone.
"Não!!! O índio morreu em 1554. 1600 e pouco foi quando eu estava na Igreja do Rosário e o padre me contou tudo a respeito, você não está prestando atenção?!!"
"Calma Fah. (risos) Você deve ter se entrertido muito com o nosso passeio e sonhou com tudo isso."
"Ah é? Então tá, eu pesquisei aqui no net e descobri que tudo era verdade, as datas, os acontecimentos, tudo é real, como eu posso ter obtido estas informações em um sonho?"
"Sei lá, você leu em algum lugar e esqueceu. Ou então, já sei: Senilidade. Ha! Ha! Ha!"
"Senil, eu? E a lama na minha boca? E a cama quebrada? Olha Chu, eu liguei pra você por que pensei que de todos os amigos loucos que eu tenho, você era o único que iria acreditar em mim, mas quer saber, me deixa em paz!!!" Fafito desliga, bravo, o telefone.
Abaixa a cabeça na mesa do refeitório, fecha os olhos, e fica pensativo.
Então levanta o corpo e encosta as costas na cadeira, ainda com os olhos fechados. Sente uma leve tocar brisa no seu rosto e um burburinho distante. Esse som vai aumentando, até que Fá frisa o rosto e resolve abrir os olhos. Carros passando, pessoas andando, o vento batendo nas árvores e fazendo as folhas caírem.
"Centro do Embu... (pensando) Como eu vim parar aqui?"
"Eu não sei, mas levei um susto"
"O que?!" diz ele assustado olhando para o lado.
"Me desculpe, é que você pensa muito alto. Eu estava aqui sozinha e quando olhei por lado você estava aí. Ta querendo me matar?"
Fafito permaneceu olhando para a menina, surpreso, mas aos poucos foi abrindo um sorriso.
"Lilian... (Risos) Como isso é possível? Só pode ser um sonho."
Lilian era irmã de um amigo que trabalhava com Fá. Ele a conheceu num ano desses, mas não se falavam tanto. Ela era tão bonita que ele ficava completamente sem jeito perto da menina.
"O que está fazendo aqui?... E-Ei, to falando com você!"
"Han? Eh... Desculpa, (risos) Eu... Eu... Sei lá, vim tomar um ar." Na verdade estava pensando como foi parar ali. Mas se uma amiga sua estava ali também, significa que ele não tinha voltado no passado.
"Escolheu um bom lugar, gosto daqui também. Sabia que há tempos atrás este lugar era habitado por índios? (sorriso irônico) Mas veio a Companhia e impôs sua lei."
"Eh... eu não entendi."
"Os indígenas tinham sua própria cultura, seus costumes, sua religião. Mas os missionários acreditavam que tinham que converter as almas pagãs, e seguir a cultura européia. Tiraram os silvícolas de seu habitat, alienaram-os de suas tradições, encarceraram em casas e escolas onde eles adoecíam e morriam com extrema facilidade, devido a nunca ter tido contato com as doenças dos brancos, e os que se negavam a ser domesticados eram mortos."
Fafito continua olhando para Lilian, apenas ouvindo, pensando, julgando dentro de si todos aqueles acontecimentos. A garota com quem conversava trajava uma saia longa, colares e pulseiras de cascas secas de côco, comum na cidade, tinha os longos cabelos dourados e guardava por trás dos olhos verdes uma imensa sensação de paz e liberdade junto aos elementos da natureza.
"Bom, agora eu preciso ir. Toma cuidado, não fica destraído por aí, estão desaparecendo artistas aqui na região."
"Desaparecendo... artistas?"
"Éh, ha, ha... você é músico não?" diz Lilian sorrindo e ele retribui. Quando estava de saída, ela olha pra trás e pergunta: "Você não devia estar trabalhando agora?"
Ele, que estava sorrindo, fica sério e escuta um o refrão de Smells like teen spirit tocando no seu ouvido, cada vez mais alto... cada vez mais alto... cada vez...
DEREPENTE!!!
A alma volta para seu peito e ele, que estava sentado, é lançado violentamente para trás, quebrando a cadeira, dando uma cambalhota e se espatifando na parede da sala do refeitório.
"Ai... ai... (Ti-Bouf!!) Nossa, que viagem... literalmente. O celular tocando me acordou, foi isso que me trouxe de volta." E suspira: "Preciso treinar estas aterrisagens."
Depois da faculdade, Fafito voltou para casa. Era hora de dormir... e ele estava como medo, é claro. Colocou o colchão direto no chão, pois não ia consertar a cama aquela hora da noite, passavam das zero horas.
Deitou-se, receiosamente, virou para o lado e adormeceu...
Foi então que acordou, assustado, tenso, preoculpado, olhando para os lados procurando algo!!!
Mas estava no seu quarto. Pegou um relógio e olhou:
"Han... eu só dormir 15 minutos? Mas que porcaria."
Deitou-se e voltou a dormir
"Acorda guerreiro!!"
"Hm?"
"Como foi o seu dia? Na verdade não me interessa, POR QUE HOJE nós vamos iniciar o seu treinamento!! Ou tá pensando que vai ser fácil ser super-herói?" falou com entusiasmo.
"Ah não!! O Padre... a cama na igreja que mais parece uma senzala... Não pode ser? (Choramingando) Droga... eu voltei pro mundo dos sonhos."
"Nossa que droga!! Minha cama tá quebrada e eu estou atrasado para trabalhar!!!"
Fafito trabalha como balconista em uma farmácia, das 07:00 as 15:00 horas, mais tarde às 19:15, tem aulas na faculdade, onde estuda para se tornar farmacêutico. Como Embu das Artes é meio distante de tudo, ele não pode voltar para casa, pois não teria como chegar a tempo na aula. Por isso, depois do trabalho, ele aproveita o tempo intermediário para comer e estudar. Como certa frequência, acaba pegando no sono em qualquer lugar que esteja.
"Está dizendo que você dormiu e foi parar por volta de 1600, na aldeia que deu origem a cidade de Embu?" perguntou Chu, ao telefone.
"Não!!! O índio morreu em 1554. 1600 e pouco foi quando eu estava na Igreja do Rosário e o padre me contou tudo a respeito, você não está prestando atenção?!!"
"Calma Fah. (risos) Você deve ter se entrertido muito com o nosso passeio e sonhou com tudo isso."
"Ah é? Então tá, eu pesquisei aqui no net e descobri que tudo era verdade, as datas, os acontecimentos, tudo é real, como eu posso ter obtido estas informações em um sonho?"
"Sei lá, você leu em algum lugar e esqueceu. Ou então, já sei: Senilidade. Ha! Ha! Ha!"
"Senil, eu? E a lama na minha boca? E a cama quebrada? Olha Chu, eu liguei pra você por que pensei que de todos os amigos loucos que eu tenho, você era o único que iria acreditar em mim, mas quer saber, me deixa em paz!!!" Fafito desliga, bravo, o telefone.
Abaixa a cabeça na mesa do refeitório, fecha os olhos, e fica pensativo.
Então levanta o corpo e encosta as costas na cadeira, ainda com os olhos fechados. Sente uma leve tocar brisa no seu rosto e um burburinho distante. Esse som vai aumentando, até que Fá frisa o rosto e resolve abrir os olhos. Carros passando, pessoas andando, o vento batendo nas árvores e fazendo as folhas caírem.
"Centro do Embu... (pensando) Como eu vim parar aqui?"
"Eu não sei, mas levei um susto"
"O que?!" diz ele assustado olhando para o lado.
"Me desculpe, é que você pensa muito alto. Eu estava aqui sozinha e quando olhei por lado você estava aí. Ta querendo me matar?"
Fafito permaneceu olhando para a menina, surpreso, mas aos poucos foi abrindo um sorriso.
"Lilian... (Risos) Como isso é possível? Só pode ser um sonho."
Lilian era irmã de um amigo que trabalhava com Fá. Ele a conheceu num ano desses, mas não se falavam tanto. Ela era tão bonita que ele ficava completamente sem jeito perto da menina.
"O que está fazendo aqui?... E-Ei, to falando com você!"
"Han? Eh... Desculpa, (risos) Eu... Eu... Sei lá, vim tomar um ar." Na verdade estava pensando como foi parar ali. Mas se uma amiga sua estava ali também, significa que ele não tinha voltado no passado.
"Escolheu um bom lugar, gosto daqui também. Sabia que há tempos atrás este lugar era habitado por índios? (sorriso irônico) Mas veio a Companhia e impôs sua lei."
"Eh... eu não entendi."
"Os indígenas tinham sua própria cultura, seus costumes, sua religião. Mas os missionários acreditavam que tinham que converter as almas pagãs, e seguir a cultura européia. Tiraram os silvícolas de seu habitat, alienaram-os de suas tradições, encarceraram em casas e escolas onde eles adoecíam e morriam com extrema facilidade, devido a nunca ter tido contato com as doenças dos brancos, e os que se negavam a ser domesticados eram mortos."
Fafito continua olhando para Lilian, apenas ouvindo, pensando, julgando dentro de si todos aqueles acontecimentos. A garota com quem conversava trajava uma saia longa, colares e pulseiras de cascas secas de côco, comum na cidade, tinha os longos cabelos dourados e guardava por trás dos olhos verdes uma imensa sensação de paz e liberdade junto aos elementos da natureza.
"Bom, agora eu preciso ir. Toma cuidado, não fica destraído por aí, estão desaparecendo artistas aqui na região."
"Desaparecendo... artistas?"
"Éh, ha, ha... você é músico não?" diz Lilian sorrindo e ele retribui. Quando estava de saída, ela olha pra trás e pergunta: "Você não devia estar trabalhando agora?"
Ele, que estava sorrindo, fica sério e escuta um o refrão de Smells like teen spirit tocando no seu ouvido, cada vez mais alto... cada vez mais alto... cada vez...
DEREPENTE!!!
A alma volta para seu peito e ele, que estava sentado, é lançado violentamente para trás, quebrando a cadeira, dando uma cambalhota e se espatifando na parede da sala do refeitório.
"Ai... ai... (Ti-Bouf!!) Nossa, que viagem... literalmente. O celular tocando me acordou, foi isso que me trouxe de volta." E suspira: "Preciso treinar estas aterrisagens."
Depois da faculdade, Fafito voltou para casa. Era hora de dormir... e ele estava como medo, é claro. Colocou o colchão direto no chão, pois não ia consertar a cama aquela hora da noite, passavam das zero horas.
Deitou-se, receiosamente, virou para o lado e adormeceu...
Foi então que acordou, assustado, tenso, preoculpado, olhando para os lados procurando algo!!!
Mas estava no seu quarto. Pegou um relógio e olhou:
"Han... eu só dormir 15 minutos? Mas que porcaria."
Deitou-se e voltou a dormir
"Acorda guerreiro!!"
"Hm?"
"Como foi o seu dia? Na verdade não me interessa, POR QUE HOJE nós vamos iniciar o seu treinamento!! Ou tá pensando que vai ser fácil ser super-herói?" falou com entusiasmo.
"Ah não!! O Padre... a cama na igreja que mais parece uma senzala... Não pode ser? (Choramingando) Droga... eu voltei pro mundo dos sonhos."
terça-feira, 12 de julho de 2011
夢のアート: rEeNCarNAÇãO - pRImEiRA paRte
夢のアート: rEeNCarNAÇãO - pRImEiRA paRte:
cURte LEnDAs, tErrOR, aÇãO e aVenTurA?
nÃO percA!! "THE ART OF DREMS"
pRIMEIRa paRtE dO seGUNdo ePISóDiO
OLha:
cURte LEnDAs, tErrOR, aÇãO e aVenTurA?
nÃO percA!! "THE ART OF DREMS"
pRIMEIRa paRtE dO seGUNdo ePISóDiO
OLha:
III - "rEeNCarNAÇãO - sEGUndA paRte"
"Em primeiro lugar, em 1600 e alguma coisa, isso aqui ainda não era um museu, mas uma igreja
em homenagem a Nossa Senhora do Rosário.
Nessas terras montanhosas, ficava a fazenda de Fernão Dias Pais e Catarina Camacho, sua mulher. Em 24 de janeiro de 1624, o casal doou a propriedade aos jesuítas, incluindo os muitos índios que aldeara em torno da sede.
Duas condições foram impostas por Catarina para efetivar a doação: o culto ao Santo Crucifixo e a festa de Nossa Senhora do Rosário, a quem a pequena capela da fazenda era dedicada. E foi aqui que o Padre Belchior de Pontes, figura fundamental na história da aldeia, instaurou essa construção."
"Tá mas e daí?"
"Calma!... E não interrompa" (tossindo) "Continuando, a igreja foi construida sobre o túmulo
de um índio, aquele mesmo que você viu ser morto pela serpente. Certa vez, ele salvou
Belchior da morte, e o mesmo viu como uma obrigação fazer-lhe esta homenagem."
"Peraí, mas se ele acabou de morrer, e a igreja foi construída sobre seu túmulo, como
pode a igreja já está erguida?"
"Hehe, é meio confuso a questão do tempo-espaço Fafito. Pra você ter idéia, eu não sou uma pessoa real."
O silêncio tomou a sala. Fafito questionou. "E o que é o senhor então?" e o Padre continuou.
"Sou um, digamos, um espírito? Mas já me chamaram de anjo muitas vezes. Os índios me chamam de Abaruna"
"Ta legal senhor Abaruna, ou sei lá o que... Isso aqui tá ficando cada vez pior.(disse Fá se levantando) Chega disso tudo, ai ai. (e já de pé) Não sei se o senhor reparou mas, eu acabei de ser triturado vivo.
Então, ou o senhor me fala o que eu tenho haver com isso tudo, ou eu vou embora para minha cama, de onde eu nem sei como eu saí."
"Aí está!! Acabou de ser triturado... mas já está de pé! Não se perguntou como isso é possível?"
Fafito faz cara de dúvida.
"Serpente na lingua dos índios, tupi-guarani, significa M´Boi. Estes fatos originaram o povoado que bem mais tarde, passou a ser destrito, e finalmente municipio. Pela pronuncia, em-boi, en-bo, acabou virando Embu, o nome de toda essa terra em que você habita."
"Histórias, e mais histórias!! Eu não quero saber de nada!!! Eu já perguntei: E EU COM ISSO?"
"Você, Fá Sustenido, é a reencaranção daquele índio."
A frase foi chocante e de forte impacto psico-físico no rapaz.
Fagner ficou pensativo, e foi cambaleando até a cama, onde sentou novamente. Respirou fundo e disse sorrindo.
"Isso não é possível."
"Não?.. bom, e como é possível então você estar aqui?"
"E-eu... Isso é um sonho, só pode ser!!"
"Fafito, eu estou aqui a muito tempo, e já ajudei muitos outros da sua linhagem. Não vê? De todos, só você até hoje conseguiu perceber que, a ligação da dor que sentiu era a mesma do indío que foi assassinado."
(Risos)
"Ah vá, assassinato? A serpente é assassina?"
"Fá, não era só uma serpente... Era um Anhangá."
"O que?"
"Um demônio..."
Fá fica pensativo, então sorri e fala:
"Não diga demônio Padre... O Senhor está numa igreja."
Os dois se olham... e caem na risada.
Do lado de fora, o Padre caminha ao lado de Fá, que continua tentando entender.
"Então, digamo, e só digamos, que tudo isso seja verdade... O que eu faço agora?"
"Sua alma sempre retorna para protejer a aldeia."
"Proteger do que? Ah ja sei, dos Anhangás."
"Aprende rápido, hehe. Bom, você ficou um tempo sem aparecer por este mundo, e os modadores daqui descobriram um jeito de se proteger sozinhos."
"Mesmo? Como?"
"Atraves da Arte" "As telas, as esculturas, as canções, as danças, as crenças... são todos selos."
"Selos?"
"Eles lacram a cidade, e a protegem do Mal. Porém, apenas grandes mestres conseguem elabora-los. Mestre Assis, Mestre Sakai, Solano Trindade. Todos os grandes artistas que chegaram ao Embu apartir dos anos 20, 30, 50, não vieram aqui por acaso. Eles foram chamados. E através da sua arte, a cidade pode ser mantida em paz." "Mas nossos mestres partiram Fá, e os selos se enfraqueceram. Por isso a prefeitura criou os portais."
"Para, para, para!!! Agora ferrou tudo... A prefeitura? Mas como o prefeito, nos dias de hoje pode saber dessa história e..."
"Só sabe da história a quem interessa Fafito. Muitas pessoas são céticas."
"Ah, presente tá! Só pra avisar!"
(risos)
"Mas os portais por si só não vão dar conta. Essa terra é sagrada Fá, e é por isso que M´boi sempre esteve a espreita, tentando corrompe-la, toma-lá, possuí-lá. A você foi destinada a missão de dete-lo."
Mas derepente, vozes e lamentações começaram a ser ouvidas, vindas de baixo da ladeira.
"Essa não!! Está amanhecendo, os fúnebres espíritos dos jejuítas estão voltando para a
capela, nos precisamos sair daqui!!"
Fá permanece observando os estranhos seres que quase rastejavam-se, na procissão no final da ladeira.
"Correr pra que? Estão lá embaixo"
SUBITAMENTE!!
Os anciões apareceram na metade da ladeira, em seguida no topo dela!!!
Fafito quase caiu para trás de susto!!
"Porra!! Que isso?!!
"Venha Fá!! Nunca olhe nos olhos deles, corra sempre deles, as almas penadas os acompanham!!"
Eles corriam desesperados, como em camera lenta, quando os anciões surgiram a um passo deles!
"Droga não vai dar tempo"
Saltaram, o Padre no movimento tinha enchido a mão de terra e, quando no ar, enfiou a terra na boca de Fá, benzeu-lhe a testa com um crucifixo e bateu forte com o calcanhar da mão em sua testa dizendo:
"Hora de acordar!!'
Ele sem enteder nada, com os olhos arregalados, mumurrando, pois estava com terra na boca.
sentiu-se como numa queda livre, rápida e intensa, até cair na sua cama!!!
O impacto foi enorme!!
O lastro da cama quebrou e o cochão foi direto ao chão, que rachou em volta.
Deitado, Fafito sentou-se rapidamente e deu um cuspão de lama para cima que grudou no teto!!
Com o barulho e a fumaça que subiu, sua mãe entrou no quarto ascendendo a luz
"O que aconteceu meu filho?!!!"
A cena do quarto destruido, com pueira no ar, a cama quebrada e os lençois para todo lado,
permaneceu enquanto ele, perplexo, pensava em alguma coisa
"É... eu... tive um pesadelo... hehe!"
Sua mãe fez cara de quem não entendeu, olhando aquele sorriso amarelo. Balançou a cabeça e fechou a porta.
Ele respirou fundo.
"Ai meu Deus... Será que... foi só um sonho?"
E deitou denovo, olhando para o teto.
Lá em cima, a lama se dependurava, como uma gota...
E caiu sobre sua testa
(Pleck!)
"Droga... não foi um sonho."
CONTINUA...
em homenagem a Nossa Senhora do Rosário.
Nessas terras montanhosas, ficava a fazenda de Fernão Dias Pais e Catarina Camacho, sua mulher. Em 24 de janeiro de 1624, o casal doou a propriedade aos jesuítas, incluindo os muitos índios que aldeara em torno da sede.
Duas condições foram impostas por Catarina para efetivar a doação: o culto ao Santo Crucifixo e a festa de Nossa Senhora do Rosário, a quem a pequena capela da fazenda era dedicada. E foi aqui que o Padre Belchior de Pontes, figura fundamental na história da aldeia, instaurou essa construção."
"Tá mas e daí?"
"Calma!... E não interrompa" (tossindo) "Continuando, a igreja foi construida sobre o túmulo
de um índio, aquele mesmo que você viu ser morto pela serpente. Certa vez, ele salvou
Belchior da morte, e o mesmo viu como uma obrigação fazer-lhe esta homenagem."
"Peraí, mas se ele acabou de morrer, e a igreja foi construída sobre seu túmulo, como
pode a igreja já está erguida?"
"Hehe, é meio confuso a questão do tempo-espaço Fafito. Pra você ter idéia, eu não sou uma pessoa real."
O silêncio tomou a sala. Fafito questionou. "E o que é o senhor então?" e o Padre continuou.
"Sou um, digamos, um espírito? Mas já me chamaram de anjo muitas vezes. Os índios me chamam de Abaruna"
"Ta legal senhor Abaruna, ou sei lá o que... Isso aqui tá ficando cada vez pior.(disse Fá se levantando) Chega disso tudo, ai ai. (e já de pé) Não sei se o senhor reparou mas, eu acabei de ser triturado vivo.
Então, ou o senhor me fala o que eu tenho haver com isso tudo, ou eu vou embora para minha cama, de onde eu nem sei como eu saí."
"Aí está!! Acabou de ser triturado... mas já está de pé! Não se perguntou como isso é possível?"
Fafito faz cara de dúvida.
"Serpente na lingua dos índios, tupi-guarani, significa M´Boi. Estes fatos originaram o povoado que bem mais tarde, passou a ser destrito, e finalmente municipio. Pela pronuncia, em-boi, en-bo, acabou virando Embu, o nome de toda essa terra em que você habita."
"Histórias, e mais histórias!! Eu não quero saber de nada!!! Eu já perguntei: E EU COM ISSO?"
"Você, Fá Sustenido, é a reencaranção daquele índio."
A frase foi chocante e de forte impacto psico-físico no rapaz.
Fagner ficou pensativo, e foi cambaleando até a cama, onde sentou novamente. Respirou fundo e disse sorrindo.
"Isso não é possível."
"Não?.. bom, e como é possível então você estar aqui?"
"E-eu... Isso é um sonho, só pode ser!!"
"Fafito, eu estou aqui a muito tempo, e já ajudei muitos outros da sua linhagem. Não vê? De todos, só você até hoje conseguiu perceber que, a ligação da dor que sentiu era a mesma do indío que foi assassinado."
(Risos)
"Ah vá, assassinato? A serpente é assassina?"
"Fá, não era só uma serpente... Era um Anhangá."
"O que?"
"Um demônio..."
Fá fica pensativo, então sorri e fala:
"Não diga demônio Padre... O Senhor está numa igreja."
Os dois se olham... e caem na risada.
Do lado de fora, o Padre caminha ao lado de Fá, que continua tentando entender.
"Então, digamo, e só digamos, que tudo isso seja verdade... O que eu faço agora?"
"Sua alma sempre retorna para protejer a aldeia."
"Proteger do que? Ah ja sei, dos Anhangás."
"Aprende rápido, hehe. Bom, você ficou um tempo sem aparecer por este mundo, e os modadores daqui descobriram um jeito de se proteger sozinhos."
"Mesmo? Como?"
"Atraves da Arte" "As telas, as esculturas, as canções, as danças, as crenças... são todos selos."
"Selos?"
"Eles lacram a cidade, e a protegem do Mal. Porém, apenas grandes mestres conseguem elabora-los. Mestre Assis, Mestre Sakai, Solano Trindade. Todos os grandes artistas que chegaram ao Embu apartir dos anos 20, 30, 50, não vieram aqui por acaso. Eles foram chamados. E através da sua arte, a cidade pode ser mantida em paz." "Mas nossos mestres partiram Fá, e os selos se enfraqueceram. Por isso a prefeitura criou os portais."
"Para, para, para!!! Agora ferrou tudo... A prefeitura? Mas como o prefeito, nos dias de hoje pode saber dessa história e..."
"Só sabe da história a quem interessa Fafito. Muitas pessoas são céticas."
"Ah, presente tá! Só pra avisar!"
(risos)
"Mas os portais por si só não vão dar conta. Essa terra é sagrada Fá, e é por isso que M´boi sempre esteve a espreita, tentando corrompe-la, toma-lá, possuí-lá. A você foi destinada a missão de dete-lo."
Mas derepente, vozes e lamentações começaram a ser ouvidas, vindas de baixo da ladeira.
"Essa não!! Está amanhecendo, os fúnebres espíritos dos jejuítas estão voltando para a
capela, nos precisamos sair daqui!!"
Fá permanece observando os estranhos seres que quase rastejavam-se, na procissão no final da ladeira.
"Correr pra que? Estão lá embaixo"
SUBITAMENTE!!
Os anciões apareceram na metade da ladeira, em seguida no topo dela!!!
Fafito quase caiu para trás de susto!!
"Porra!! Que isso?!!
"Venha Fá!! Nunca olhe nos olhos deles, corra sempre deles, as almas penadas os acompanham!!"
Eles corriam desesperados, como em camera lenta, quando os anciões surgiram a um passo deles!
"Droga não vai dar tempo"
Saltaram, o Padre no movimento tinha enchido a mão de terra e, quando no ar, enfiou a terra na boca de Fá, benzeu-lhe a testa com um crucifixo e bateu forte com o calcanhar da mão em sua testa dizendo:
"Hora de acordar!!'
Ele sem enteder nada, com os olhos arregalados, mumurrando, pois estava com terra na boca.
sentiu-se como numa queda livre, rápida e intensa, até cair na sua cama!!!
O impacto foi enorme!!
O lastro da cama quebrou e o cochão foi direto ao chão, que rachou em volta.
Deitado, Fafito sentou-se rapidamente e deu um cuspão de lama para cima que grudou no teto!!
Com o barulho e a fumaça que subiu, sua mãe entrou no quarto ascendendo a luz
"O que aconteceu meu filho?!!!"
A cena do quarto destruido, com pueira no ar, a cama quebrada e os lençois para todo lado,
permaneceu enquanto ele, perplexo, pensava em alguma coisa
"É... eu... tive um pesadelo... hehe!"
Sua mãe fez cara de quem não entendeu, olhando aquele sorriso amarelo. Balançou a cabeça e fechou a porta.
Ele respirou fundo.
"Ai meu Deus... Será que... foi só um sonho?"
E deitou denovo, olhando para o teto.
Lá em cima, a lama se dependurava, como uma gota...
E caiu sobre sua testa
(Pleck!)
"Droga... não foi um sonho."
CONTINUA...
segunda-feira, 11 de julho de 2011
II - "rEeNCarNAÇãO - pRImEiRA paRte"
"Hoje, meus amigos e eu visitamos o Museu de Arte Sacra aqui em Embu das Artes.
No pátio, onde parecia haver um túmulo, senti uma sensação estranha, como se alguma
coisa atravessase o meu corpo. Achei que era besteira e viemos embora. Quando tentei
dormir, no fechar e abrir de olhos, me vi numa selva, à noite, sozinho. Derepente, surgiu
à minha frente uma criatura com uma tocha e uma lança nas mãos. Do outro lado, uma
serpente medonha espreitava dar o bote. Que loucura!! O que eu faço agora?!!"
A serpente e a criatura se encaravam, sussurando uma linguagem que Fafito não podia entender. Derepente, num reflexo, ele se joga no chão no instante em que a serpente atacou a criatura, mordendo o seu braço. A tocha caiu, incendiando os arredores, formando um círculo de fogo.
O garoto permaneceu jogado no chão, perplexo, sem acreditar na cena que via.
A criatura, que com o clarear das chamas, agora podia se notar que era um homem,
conseguiu se liberar da serpente e empenhou a lança para atacar. Mas a serpente investiu
novemente, contornando o corpo do homem, o retorcendo.
"Mas que porcaria é essa?" dizia Fá tentando se levantar, mas naquele instante, sentiu
todo o seu corpo paralizado, e como se todos os ossos do seu corpo estivessem sendo
quebrados.
"Aaaaaaaaaaah!!' "Aaaaaaaaaah!!" "O que é isso? Meu Deus!!!" "Aaaahh!!"
Mesmo com toda a dor, ofegante e desesperado, Fafito olhou para a cena da luta e
pensou consigo mesmo: "A dor... que estou sentindo... é a mesma daquele homem."
"Mas..." (quando a serpente envolveu o homem, ela não percebeu que a lança a perfurou,
e quanto mais ela o apertava, mais a lâmina atravessava seu corpo)
"...ela não se importa. Ela quer levar os dois a morte, ahh!!"
A serpente usou toda a sua força e destruiu os ossos do homem, ao mesmo tempo que Fá
sentia toda aquela dor
(Crack! creck! Cre-eck!!)
O homem e a serpente cairam, agonizando. Fafito ficou largado ao chão, perplexo.
Estava tudo acabo.
O silêncio da mata, antes dominado por gritos de agonia, agora era apenas quebrado
pelo chiado do fogo consumindo a folhagem, ao clariar da lua.
Foi então que pode se ouvir alguém se aproximando, pelo barulho de galhos quebrados
com o pisar dos passos.
Fafito não podia se mover, mas seus olhos trêmulos observavam a silhueta de um homem,
de bata e chapéu, que parou diante de si.
"Tsc, tsc... pois é garoto, também odeio esta parte." e o levantando do chão, passou a
carrega-lo nos ombros.
Depois de uma trilha, o garoto avistou uma construção familiar.
Dentro do prédio, Fá foi posto numa cama. O ambiente rústico lembrava a época da escravatura
no Brasil.
"Você deve estar exausto..." disse rindo o homem, enquanto dava goles em aguardente.
"Exauto e cheio de pergutas, He... quer um gole?"
"Q-quem... q-quem é você?"
"Eu? Bom, você pode me chamar de Padre" e sorriu, sentando na cama.
"Sei... é... (falando com dificuldade) Devo pedir a benção... ou... veio fazer, ai(gemido)
a extrema unção?"
"Ha! Ha! Ha! Já vi que vou gostar de você Fagner, digo Fafito não é? É assim que você
gosta de ser chamado?"
Fafito tenta se sentar na cama, enquanto fala:
"Ta bom... Padre. E como sabe o meu nome? Que diabos está acontecendo?"
"Ei, ei, ei!! Não diga 'diabo', o senhor está em uma igreja"
"Igreja?" diz Fa, desviando o olhar, e continua: "Claro... sabia que já tinha visto este lugar...
...é o Museu de Arte Sacra."
O Padre dá mais uma golada na água e prossegue:
"Aqui ainda não é Museu Fafito... Mas qual a diferença?"
"O que você quer dizer" pensou Fá.
"Bem, eu já fiz isso tantas vezes mas, é sempre difícil explicar... (suspira)
Mas vamos lá:"
CONTINUA...
No pátio, onde parecia haver um túmulo, senti uma sensação estranha, como se alguma
coisa atravessase o meu corpo. Achei que era besteira e viemos embora. Quando tentei
dormir, no fechar e abrir de olhos, me vi numa selva, à noite, sozinho. Derepente, surgiu
à minha frente uma criatura com uma tocha e uma lança nas mãos. Do outro lado, uma
serpente medonha espreitava dar o bote. Que loucura!! O que eu faço agora?!!"
A serpente e a criatura se encaravam, sussurando uma linguagem que Fafito não podia entender. Derepente, num reflexo, ele se joga no chão no instante em que a serpente atacou a criatura, mordendo o seu braço. A tocha caiu, incendiando os arredores, formando um círculo de fogo.
O garoto permaneceu jogado no chão, perplexo, sem acreditar na cena que via.
A criatura, que com o clarear das chamas, agora podia se notar que era um homem,
conseguiu se liberar da serpente e empenhou a lança para atacar. Mas a serpente investiu
novemente, contornando o corpo do homem, o retorcendo.
"Mas que porcaria é essa?" dizia Fá tentando se levantar, mas naquele instante, sentiu
todo o seu corpo paralizado, e como se todos os ossos do seu corpo estivessem sendo
quebrados.
"Aaaaaaaaaaah!!' "Aaaaaaaaaah!!" "O que é isso? Meu Deus!!!" "Aaaahh!!"
Mesmo com toda a dor, ofegante e desesperado, Fafito olhou para a cena da luta e
pensou consigo mesmo: "A dor... que estou sentindo... é a mesma daquele homem."
"Mas..." (quando a serpente envolveu o homem, ela não percebeu que a lança a perfurou,
e quanto mais ela o apertava, mais a lâmina atravessava seu corpo)
"...ela não se importa. Ela quer levar os dois a morte, ahh!!"
A serpente usou toda a sua força e destruiu os ossos do homem, ao mesmo tempo que Fá
sentia toda aquela dor
(Crack! creck! Cre-eck!!)
O homem e a serpente cairam, agonizando. Fafito ficou largado ao chão, perplexo.
Estava tudo acabo.
O silêncio da mata, antes dominado por gritos de agonia, agora era apenas quebrado
pelo chiado do fogo consumindo a folhagem, ao clariar da lua.
Foi então que pode se ouvir alguém se aproximando, pelo barulho de galhos quebrados
com o pisar dos passos.
Fafito não podia se mover, mas seus olhos trêmulos observavam a silhueta de um homem,
de bata e chapéu, que parou diante de si.
"Tsc, tsc... pois é garoto, também odeio esta parte." e o levantando do chão, passou a
carrega-lo nos ombros.
Depois de uma trilha, o garoto avistou uma construção familiar.
Dentro do prédio, Fá foi posto numa cama. O ambiente rústico lembrava a época da escravatura
no Brasil.
"Você deve estar exausto..." disse rindo o homem, enquanto dava goles em aguardente.
"Exauto e cheio de pergutas, He... quer um gole?"
"Q-quem... q-quem é você?"
"Eu? Bom, você pode me chamar de Padre" e sorriu, sentando na cama.
"Sei... é... (falando com dificuldade) Devo pedir a benção... ou... veio fazer, ai(gemido)
a extrema unção?"
"Ha! Ha! Ha! Já vi que vou gostar de você Fagner, digo Fafito não é? É assim que você
gosta de ser chamado?"
Fafito tenta se sentar na cama, enquanto fala:
"Ta bom... Padre. E como sabe o meu nome? Que diabos está acontecendo?"
"Ei, ei, ei!! Não diga 'diabo', o senhor está em uma igreja"
"Igreja?" diz Fa, desviando o olhar, e continua: "Claro... sabia que já tinha visto este lugar...
...é o Museu de Arte Sacra."
O Padre dá mais uma golada na água e prossegue:
"Aqui ainda não é Museu Fafito... Mas qual a diferença?"
"O que você quer dizer" pensou Fá.
"Bem, eu já fiz isso tantas vezes mas, é sempre difícil explicar... (suspira)
Mas vamos lá:"
CONTINUA...
I - "pREsSÁgiOS dE uMA NOitE rUiM"
"Sério? Quando?" Chu, Fábio o nome real.
"Ah... tem uns cinco anos."
Chu fica com cara de tacho e diz, rangendo os dentes: "E por que está falando então?"
"Ué? Estamos no Museu não é?"
"Toma pra aprender, quem mandou vir fazer esses passeios de nerd?" Osilane, apelido Zi.
"Bom, é que a idéia foi da patroa e..." Wa é interrompido por sua esposa, Adriana, que diz: "Gente, cadê o Fá?"
No pátio do complexo que abriga o Museu de Arte Sacra, a Igreja do Rosário e os antigos dormitorios dos jesuítas desde 1690, Fagner (Fafito) é interrompido por um senhor: "Está perdido meu jovem?"
"Han... não, (risos) só estava dando uma olhada... (uma pausa e olha para um cruz fincada junto a parede do pátio, em meio ao céu aberto) ...É verdade que há corpos dos jesuítas enterrados nesse terreno?"
"Por que quer saber?"
"É que... dizem que em determinada hora da noite, os jesuítas abandonam os seus sepulcros e, com seus longos hábitos negros, seguem em fúnebre e terrível procissão e descendo a ladeira de Embu. Em torno do lago suas vozes elevando-se à solidão da noite, ouvindo-se mesmo o desafiar das camândulas dos Rosários. Em seguida, sempre em procissão, caminham para o cemitério, onde permanecem horas seguidas em confabulação com os mortos. Ao desmaiar da noite, o cortejo de espectros volta à Igreja. Por isso, quando a luz apaga-se no Embu, os moradores dizem que a procissão vai sair, pois ela é feita às escuras. Li isso no Acervo da Secretaria de Cultura do Município de Embu."
O velho, com cara de poucos amigos, permanece olhando de cima para baixo, mesmo Fafito sendo mais alto que ele, por que na verdade aquele olhar era de indiginação.
"Leu no Acervo... sei, e toda essa história é só para saber se é verdade que há um tesouro escondido no fundo do lago, não é?"
"Eu acho que eu não entendi." Mas Fafito já havia entendido muito bem.
"Muleques como você aparecem aqui todos os dias, foi assim que roubaram as coroas de valor incalculálel!!"
"Olha, (risos irônicos) o Senhor me desculpe, mas está insunuando que..."
Nesse momento, os amigos de Fa chegavam ao pátio, discutindo:
"Você só estava procurando o Fa por que ele é o único que curte esses seus passeios nerd´s!" falou Zi.
"Isso não é verdade" Diz Senhor Anderson, também conhecido como Derson.
"Ah, voceis querem calar essa boca!!" E todos ficam quietos como o grito de Adriana, param e olham pro Fa. Que olha pra eles por alguns segundos. O velho passa por ele, e fala: "Faça um favor... vá embora do meu Museu." E sai por entre o grupo de amigos, que começa a algazarra novamente:
"Mas que história é essa?'
"Ah não!! O que você falou pro tiozinho, ô Fá?!!"
"Pega pra aprender, quem mandou chamar o coice de mula do Fá pra esses passeios nerd´s"
"Se você vier falar mais uma vez de passeio nerd eu..."
"CALEM A BOCA!!" gritou Fá. Todos permaneceram em silêncio por alguns instantes. "Estamos numa igreja..." E saiu à porta.
Mais tarde, no Largo 21 de Abril, os jovens estavam em uma lanchonete:
"A prefeitura anuncia a construção de portais turísticos em todas as entradas de Embu das Artes, que faz divisa com São Paulo, Taboão da Serra, Cotia e Itapecerica da Serra, somando 11 acessos, mais as duas entradas da cidade." Derson
"Hunf... que besteira. Só pra gastar mais dinheiro público." E olhando pra trás, numa mesa no fundo: "Ow Fá, você tá meio estranho cara, não fica chateado não... Vai falar que é a primeira vez que te expulsão de algum lugar? Nem parece corinthiano pô, a gente é da favela!!" (risos)
"Valeu Chu... mas não é por causa disso que eu to me sentindo mal não..."
"Deve ser peso na consciência por ter estragado o passeio de todo mundo!"
"Calma Dri..." diz seu esposo, e melhor amigo de Fafito.
"Calma nada!! Você é e sempre vai ser um adolescente irresponsável Fá!!"
Ele fica pensativo, se levanta e fala.
Ele fica pensativo, se levanta e fala.
"Já sentiu alguma coisa que você não sabe explicar o que é? Calma, eu vou explicar melhor, bem... enquanto olhavam as peças estilo barroco, eu segui andando pelo prédio e encontrei aquele lugar a céu aberto, com uma cruz cravada na cabeceira, como uma lápide... Um pouco antes do Jesuíta entrar, eu senti como de uma onda saíse da cruz e atravessasse meu corpo, e..."
Todos o olhavam incrédulos.
"V-voceis não estão acreditando não é?"
"Já chega dessa palhaçada, Wa vamo pra casa."
"Espera Dri." E saiu correndo atrás dela, levando as bolsas.
"Tsc... eu não caso pra ficar assim não." Falou Chu, enquanto todos pararam pra pensar, e , em seguida, começaram a gargalhar.
"Beleza galera, acho que já deu, vamos embora."
A noite já ocupava toda aquela região. Fafito se ajeitava para dormir, mas estava um tanto quanto incomodado...
Virou de um lado, para o outro, deu uns tapas no travesseiro, se irritou e sentou na cama:
"Droga... (suspira) Tudo bem então... to cansado, to irritado, eu só preciso fechar os olhos... (E deitando-se) e dormir...
...Epa! Que que isso?"
INACREDITÁVEL!!!
Simplismente só de encostar a cabeça no travesseiro e fechar os olhos, ao abrir Fafito desparou-se com uma selva, a noite, e ele deitado no chão no meio do mato.
"QUE PORRA É ESSA!!" " Como é que eu vim parar aqui?!!!" "Onde é que eu estou?!!"
Dizia, desesperado, gritando e girando de um lado para o outro, sem conseguir enxergar muita coisa, há não ser o brilho do céu estrelado. Quando derrepente, ele percebeu uma luz, como de fogo, por que tremia muito, se aproximando. De imediato, ele se abaixou e cochicou consigo mesmo:
"Vem vindo alguem..." (ofegante) Passou a dar passos pra trá, até encostar numa árvore, olhar para trás e para frente novamente.
Surgiu em sua frente um ser imenso, numa mão a tocha com o fogo que o anunciava, e na outra uma lança. A criatura parecia enfurecida, e pronta para um combate.
"Ai meu Deus..." disse Fafito, angustiado, no momento em que, a criatura deu um passo em sua direção, após, outro, e outro, e acelerou como se fosse se lançar sobre ele, no reflexo, Fafito se virou e, perplexo, deu de cara com uma serpente gigantesca, que abriu a enorme boca e tomou impulso para dar o bote!
"FUDEU..."
CONTINUA...
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