sexta-feira, 15 de julho de 2011

V- "FObiAS"

 "Há 457 anos, um índio salvou um missionário da morte, mas foi morto em seguida pela M´boi, um mensageiro do inferno que desejava tomar aquelas terras místicas. M´boi, pela pronúncia, acabou virando Embu, e os diversos artistas que vieram pra cá tornaram a cidade um pólo cultural. Ou seja, Embu das Artes. O problema é que os selos que protegiam a cidade e seus moradores se enfraqueceram, e M´boi está prestes a atacar novamente. Sem saber de nada quando me mudei, acabei descobrindo que sou a reencarnação deste índio,  e a minha missão é defender a cidade e evitar uma apocaliptica batalha espiritual."

"Mas por que eu preciso de um gibão, eu escudo e uma espada? Não vamos lutar contra anhangás?"
"O escudo leva o brasão da cidade, vai ajuda-o a se proteger de possíveis ataques físicos. Ele e a espada são feitos de prata, ela simboliza a pureza. E o gibão é feito de ouro."
"E o ouro?" Pergunta Fafito, enquanto o padre permanece olhando para sua cara. "E o gibão de ouro? A prata purifica, o ouro faz o que?"
"E eu sei lá, moleque! Tenho cara de alquimista?"
Os dois caminham até o lago do Parque do Rizzo. Chegando lá, o padre fala:
"Lembra da história dos Jesuítas que afundaram um tesouro no lago antes de partir, e ficaram presos neste mundo vagando e guardando-o? Então... tudo verdade."
Fafito observa o padre, olha por lago, faz cara de quem não gostou.
"Não é o que eu estou pensando, é?"
"É isso aí garoto, um de nós vai ter que mergulhar no fundo do lago e buscar o gibão, espada, tudo que tem direito. Infelizmente eu não posso molhar a batina, então..."
"POWA NENHUMA!!! Você é um espírito!!! Como poderia se molhar?!!"
"Pode ser, mas o herói aqui é você!!!"
"E DESDE QUANDO EU SEI NADAR?!!!"
"PARA DE GRITAR!! VAI ATRAIR OS ESPÍRITOS DOS JESUÍTAS!!!"
O garoto olhou para as águas sombrias, ao clarear da lua cheia. Pensou consigo mesmo:
"Só pode estar de brincadeira..." e disse: "Tah, mesmo que eu tentasse, está muito aqui escuro, e não sabemos a profundidade desse lago. Sem falar na friaca que tá aqui!!"
"Fá, frio, distância e falta de ar são os seus menores problemas. Lembre-se que estamos num mundo místico, onde quase tudo é possível. Você vai conseguir mergulhar sem problema..." E com ar de seriedade, continuou. "Entretanto..."
"Hm?" (o que poderia ser pior que um banho de água gelada num lago escuro na madrugada de Embu das Artes, que é muito fria por ser região serrana e zona de mata atlântica, além de mergulhar num lago sem saber nadar?)
"Do que você tem medo Fagner? De verdade, eu sei que você ia me responder que era de pegar uma pneumonia, mas quero saber de tudo, no geral."
"Acha que eu tô preoculpado com pneumônia? EU JÁ FALEI PRA VOCÊ QUE NÃO SEI NADAR?!!"
Abaruna respira fundo, entediado, e só flerta com seus olhos irritados.
"Hm... tá bom! Eu... tenho medo de... Ah, não de muita coisa, eu... não gosto muito de insetos, seres rastejantes, saca? Eeh... fantasmas e aparições eu, também não curto muito, entende?"
"Fá, não precisa mentir pra mim. Só estou te dando um alerta. Na água, os seus piores medos viram te enfrentar. Mas Fá... não desista. Assim que você chegar ao fundo e tocar nos objetos, tudo desaparecerá. Vai ficar tudo bem."
Vendo que não teria outro jeito, Fá aceita a missão que lhe foi dada. Eles vão de canoa até o exato meio do lago. Lá ele tira a camisa e se prepara para entrar na água.
"Lembre-se: eu sei que você não sabe nadar, mas sabe mergulhar não sabe?"
"É eu... Consigo mergulhar em baixo dágua, mas não sei nadar na superfície então, quando o ar acaba, eu não consigo subir e respirar. Também não aprendi a boiar, nas poucas aulas que fiz."
"Quanto tempo você aguenta segurar o fôlego?"
"Do jeito que eu fumo? 30 segundos, no máximo. Mas como eu posso descer ao fundo e subir em tão pouco tempo?"
"Tsc! Vai ter que ser sulficiente. Não se esqueça que você só precisa descer. Quando tocar no baú, tudo se resolverá." Abaruna pega um cristal e entrega a Fá. "Tome, leve isso. Em contato com a escuridão ele ascende. Vai ajuda-lo a encontrar as jóias."
Consciente da periculosidade daquela ação, o semblante de Fá era ríspido.
Ele tomou fôlego, e mergulhou.
"PQP!!! Gelo puro!!" pensou, e continuou: "Vai, ascende cristal! (balançando-o) Isso, muito bom. Agora, é só descer..." pensou sorrindo, mas derepente, refletiu. "O que eu estou fazendo? Que loucura é essa? Eu devia estar dormindo, tenho que trabalhar daqui a pouco." E finalmente, se irritou. " Mas pera ae?  Se dane o trabalho!!..." por último, veio a tristeza . "Eu... eu to com medo de morrer..."
GLULULULP"!!!
"O que foi isso?" pensou ele, com os olhos arregalados.
VLUUUUUULOP!!
"E agora?" virou-se olhando para trás, de onde tinha ouvido o barulho, mas apenas viu  o rastro de bolhas.
DEREPENTE!!
Insetos e mais insetos, de todos os tipos possíveis!!
"Essa não!!!"
Começaram a grudar em sua pele, caminhando com as aquelas patas ásperas, lacraias, besouros, baratas,  percorrendo todo o seu corpo, enquanto ele tentava se libertar de alguma forma, começou a sentiu o andar das mosca no globo ocular, e eram tantas que ele não podia fechar os olhos, e sua boca estava cheia de vermes, que desciam por sua garganta, naquele desespero horrível, milhões e milhões de insetos, agônia, insanidade, e le pedindo para Deus leva-lo agora e TUDO SUMIU.
Estava novamente nas calmas águas do lago...
Completamente desorientado, olhava para os lados, para suas mãos, seu corpo. Suas lágrimas se dissipavam nas água doce.
Ele conseguiu suspirar e percebeu que estava respirando.
"Que diabos foi isso?" (repiração ofegante) "O velho falou que eu não sentiria falta de ar, é verdade... eu preciso... eu preciso continuar..."
Tomou impulso e continuou descendo.
Fafito gostava de filmes de terror e suspense, mas não tinha medo de assassinos em série. Dizia que se alguém está correndo atrás de você com uma serra elétrica, você pega um porrete e da-lhe uma sarrafada, pronto, nocaute. Só que quando se tratava de espíritos, tsc tsc. Ele tinha uns 13, 14 anos quando viu uma imagem que lhe pertubou o juízo. Num site, na casa de um amigo, viam-se cenas de aparições, vultos, vozes. Fafito ficou tenso, uma menina segurando uma boneca então fez ele não ir no banheiro a noite por uma semana. E adivinha quem apareceu na sua frente na profundeza do lago?
"Você vai morrer" mumurrou uma voz medonha saindo da boca seca e decomposta da menina.
Fá abriu a boca como se fosse gritar e soltou todo o ar que tinha. Espectros o sondavam, gritos desesperados, gargalhadas diabólicas, criaturas subhumanas lhe agaravam as pernas, os pés, e ele com os olhos fechados, tentando se soltar.
Pessoas com os rostos distorcidos, estrupiados, gemendo de dor e aflição.
O espírito ficou face a face, a menina falava tão perto que ele sentia toda a podridão saíndo do fundo do seu estômago.
"Olhe pra mim!! Olhe nos meus olhos!! ME OLHE AGORA!!!"
Ele, virando a cabeça de um lado para o outro, fica parado. Resolve enfrentar o seu medo. Resolve olhar nos seus olhos.
"EU VOU ARRASTAR SUA ALMA PARA INFERNO!!!"
Um som  agudo angustiante vai subindo de volume até que
Tudo some novemente.
O cristal flutava mansamente na água, iluminando o local.
Fá o havia soltado, enquanto se debatia.
Ele estava com ânsia de vômito e seu estado emocional era péssimo.
Mas ele havia avistado o baú. Era só descer uns dez metros.
Mexendo quase nada as pernas e pés, ele ia caindo lento como uma pena no ar, rumo ao fundo do lago no parque.
Tocou seus pés ao chão. Aquela era água mais estranha que ele já tinha visto na vida. Permitia respirar e não inundava seu organismo quando se fazia isto.
Ele abaixou a cabeça para abrir o baú. Levantou a tampa...
Lá estavam o gibão, o escudo e a espada. Mas sentiu a presença de mais alguém...
Levantou o olhar para frente.
FOI TERRÍVEL, FOI FORTE, FOI FATAL!!!!
Fá começou a cair para trás.
Seu corpo seguiu lentamente, até tocar o fundo e levantar a pueira.
Seus olhos não tinham expressão, como se já tivesse morrido.
Ele havia entrado em estado de choque.
Comecou a colvulsionar por alguns instantes... até que seu corpo parou de se mexer...
de respirar... de compreender...
Olhava a distante a luz do cristal que pairava lá em cima, onde o deixou cair.
Era como a coisa mais linda que já visto na vida.
Escutava também, bem ao longe os gemidos, os gritos por seu nome, passou a ver a silhueta das mãos se aproximando dele.
Fechou os olhos...
Sulplicou pelo fim.

Um comentário:

  1. Bom dia

    Um Salmo, sem motivo especifico por ter deixado no seu blogger, mas especifico para que leia, simplesmente pela leitura das Escrituras de Deus, que sempre fala ao nosso SER.

    SALMO 10

    17 SENHOR, tu ouviste os desejos dos mansos; confortarás os seus corações; os teus ouvidos estarão abertos para eles;

    18 Para fazer justiça ao órfão e ao oprimido, a fim de que o homem da terra não prossiga mais em usar da violência.

    Abraços

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